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    Trinta anos sem EBA

    Um exclusivo de...
    Franco Vicetto
    Terça, 01 de Dezembro de 2009
    EBA em Ourense, 1933
    EBA vestido. Ourense, 1933

    O dia 1 de dezembro de 1979, há hoje trinta anos, María Xosé Queizán velava o cadáver solitário de Eduardo Blanco Amor no depósito do hospital municipal de Vigo, à espera de que umha ambulância o levasse para Ourense. Pensou nos versos que Curros Enríquez dedicara a Rosalia de Castro no seu enterramento e reparou em que também Blanco Amor levava na fronte umha estrela, além de um estigma social produzido pola intolerância e o obscurantismo da época.

    "Chegou o Eduardito, o filho da florista, e vem feito um cavaleiro com sapatinhos de puta". Era o pregom que corria por Ourense em 1928, no primeiro regresso de Blanco Amor à sua cidade natal desde a emigraçom argentina. A homossexualidade do filho de Aurora Amor era notória, mas a malévola cidade queria comprovar como aquele moço de café se convertera num elegante jornalista no prestigioso La Nación e nas publicaçons das entidades galegas, onde começava a superar o nacionalismo kármico de Vicente Risco influido polo socialismo do seu amigo Suárez Picallo:

    "...a primeira avanzada nazonalista, debe ter por ouxetivo, desaloxar da concencia cibdadana do povo galego, ese conceito burocrático da 'región' e sustituílo creando (...) o certo senso de nazón. (...) Nesto estamos todos de acordo. No que non-o estamos tanto, é en considerar o nazonalismo, pol-a mesma escelsitude do seu cíclico e fondo senso doutrinario, coma patimonio d'unha élite intelectual que o encastilla no círcolo vicioso das discusións cabalísticas e fáino antipático e estrano ao pobo (...) Co reconocimento do (...) progresismo, inevitábel e implícito en todo labor de incorporación d'un pobo ás correntes modernas da vida daríamos un grande paso, que nos levaría, paseniñamente, cerca de moitos irmáns arredados, que hoxe fuxen de nós..."

    "Ideas galegas. Ortodoxia e heterodoxia nazonalista". Céltiga, n.º 23, 10.12.1925

    Mais tarde viriam a colaboraçom com García Lorca para a publicaçom dos Seis poemas galegos na editora Nós --embora o seu verdadeiro promotor amoroso fosse Guerra da Cal-- e a sua palpitante A Esmorga, estudada em clave psicoanalítica por Manuel Forcadela: "O Milhomes sería o alter-ego íntimo, a encarnación da tendencia sexual e recoñece que a homosexualidade convértese noutro dos núcleos centrais de toda a a especulación da novela". Como conta Gonzalo Allegue na biografia Diante dun xuíz ausente, a sua condiçom sexual supuxo-lhe perder crédito profissional e mesmo postos de trabalho. E o desinteresse com que foi acolhido na Galiza dos seus últimos anos de vida deveu-lhe resultar muito injusto.

    *****

    A ambulância que transportou o cadáver de Vigo a Ourense deixou o modesto cadaleito de EBA num outro sórdido corredor de hospital. Só a indignaçom da sua sobrinha e alguns amigos fixo possível que, ao dia seguinte, se habilitasse um salom do Concelho onde velar dignamente um príncipe das letras galegas. Logo viriam as pompas fúnebres, o reconhecimento das autoridades, o nomeamento como filho predilecto da cidade. Como conta Queizán, mais umha vez a hipocrisia nubrava a estrela que levava na fronte um grande escritor.

    EBA em Buenos Aires, 1940
    EBA nu. Buenos Aires, 1940
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    Escrito às 11:23 nas categorias: Franco Vicetto, Back to the Future