CONTRA ESPANHA, ALEMANHA!
Quarta-feira, 7 de julho (Sam Firmino)
20h00 (hora pequeno-imperial, -1 hora na Galiza e Portugal)
MEETING POINT: Praça de Vigo (Zona Nova, Compostela)DRESS CODE: camisola da seleçom alemã, quem tiver, e senom camisa branca ("Alemanha, camisa branca da minha esprança").
Podes confirmar nas redes sociais (Tuenti & Facebook) a tua presença no evento.
"Football is a simple game; 22 men chase a ball for 90 minutes and at the end, the Germans always win"
[Gary Lineker, ex-futebolista inglês].

No terrível Inverno do ano 406, umha heterogénea grei de gentes amorearom-se nas beiras dos rios Reno e Danúbio, a bretemosa e escura fronteira septentrional do Império Romano. Eram altos e loiros como a cerveja (gelada) que bebiam, e nos seus olhos azuis adivinhava-se a ânsia do Atlântico bravio. Comunicavam-se entre eles com sotaque gutural, que parecia ininteligível para as civilizadas gentes do Mediterrâneo, tanto que lhes chamaram bárbaros, porque os seus sons pareciam um balbucio monótono e aparvado: bar bar bar. Entre estes clans havia vândalos, alanos, marcomanos, cuados, lombardos... muitos deles acabaram reunidos baixo a identidade comum dos Suevos. Buscavam terras viçosas, exuberantes, longe daquelas mestas florestas e intransitáveis branhas que consistiam o seu país natal. Buscavam umha Terra de promissom. Mas para forçar os limites de Roma, fazia falha um milagre.
O milagre aconteceu aquele Inverno terrível, quando o frio glacial congelou o infranqueável Reno, permitindo que aqueles proto-alemães cruzaram por milhares o rio a pé seco. O Império Romano començava a desintegrar-se. Três anos depois, Hermerico, rei dos Suevos, jogava-se aos dados o reparto das províncias da Hispânia com os Vândalos e os Alanos. Tocou-lhe Galiza, e até aqui veu com a sua gentalha, até a sua Terra Prometida.
Chegado Hermerico ao Pico Sacro, subiu à cimeira para departir com os velhos deuses célticos do país, enquanto abaixo os seus vassalos, com a saca cheia de botim e as espadas fartas de sangue, buscavam umha fonda onde beber cerveja e repor-se dos efeitos daquela longa peregrinaçom. Quarenta dias com as suas noites tardou Hermerico em baixar, e quando por fim deu em descer daquelas santas alturas, com a redaçom dum estatuto de naçom para Gallaecia baixo o sobaco, contemplou com indignado assombro umha imagem desoladora. Na sua ausência, os suevos, aquele povo afouto e destemido, fabricaram um rudimentar telefunken palcolor, e dedicavam-se a beilar e dar chimpos arredor dele, ataviados com estridentes camisolas vermelhas, enquanto agitavam panos vermelho-amarelentos.
"Que fazedes?"- Rugiu Hermerico no seu rude e fusco proto-alemão. -"Trago-vos os alicerces de uma naçom e vós a adorar falsos ídolos! Já me explicaredes a que venhem este balbordo e esta algazarra!".
-"Foi um golo de Villa. Espanha passa às meias-finais".- Dixo um deles, vestido com umha camisola vermelha rotulada com o nome da Sara Carbonero.
-"E que nos importará a nós? Os visigodos andam à espreita e vós a fazer-lhes festa! Olhade que estatuto trago! Tem a palavra naçom no preâmbulo, e umha cheia de competências!"
-"Menos estatuto e mais seleçom! Queremos umha equipa à que animar! Isto é Espanha!" - dixe um suevo completamente zómbico devido ao consumo de elevadas doses de Cruzcampo.
Hermerico, o primeiro rei da Galiza, compreendeu que aquela ubérrima terra, aquela maravilha de país, teria sempre que suportar aquele caralho de gente. Chateado, preso de ira, enquanto esfolaba em farangullas o primeiro estatuto do Reino Suevo, lançou entre dentes a sua maldiçom:
- "Algum dia umha equipa de verdadeiros suevos, como os que deixamos alá na Alemanha, toparám com esse bezerro de ouro que adorades. Entom saberedes que no futebol jogam onze contra onze, e ganha sempre Alemanha. E comprovaredes com amargura até que grau chegou a vossa impiedade."
- "Hermerico, nom te cabrees, ho!. A gente tem ganhas de troula, mas nom estamos acostumados a ter um país, por ubérrimo que seja, e neste aparelho que acabamos de inventar só se apanha a televisom visigoda. Se tivéramos a nossa própria televisom, a nossa própria imprensa, e a nossa própria seleçom sueva, já seria outra cousa". - Disse um suevo, meio arrependido, enquanto se despojava da camisola vermelha e buscava na sua mochila de conquistador bárbaro umha velha camisola germana.
- "Pois para isso é que se fai um estatuto! Espetou-lhes Hermerico". - E com a mesma, deu a volta e voltou a subir ao Pico Sacro, a resmungar com os velhos e esquecidos deuses celtas.

ATUALIZAÇOM SEX, 09-JUL-2010, 10h35 (hora portugalega)
Dous dias após o jogo que enfrentou as seleções da Alemanha e o Império Pequeno nas meias-finais do Campeonato do Mundo da África do Sul (que terminou com o resultado fatalmente previsto polo polvo Paul) publicamos as fotos da torcida galaico-alemã:


No dia de ontem, 19 de março, celebrávamos a festividade de Sam José (Pai Putativo de Jesus Cristo) que o Império Pequeno (também em Andorra, Bolivia, Honduras, Italia, Liechtenstein, Macau e Portugal) coincide com o Dia do Pai (do pai-pai).
Pepe es, en español, un hipocorístico del nombre propio masculino José.
Aunque algunos imaginan que el origen del hipocorístico Pepe proviene de que, supuestamente, en las liturgias en latín, los eclesiásticos se referían a San José como Pater Putativus, abreviado como PP, en realidad no se trata más que de una deformación de José, ya sea a partir de su forma antigua Joseph o de una forma dialectal Jusepe[cita requerida] (compárese en catalán, Josep y Pep, en italiano, Giuseppe y Peppe, etc.) [Wikipedia].
“Porque a virgem é virgem e nom é puta?” perguntava-se o ator Luís Tosar em Fátima, poema do Antón Reixa incluido no seu disco-livro Escárnio. Se a virgem nom fosse virgem e fosse puta, respondemos nós, Jesus Cristo seria um filho da puta em vez de ser filho putativo (segundo o e-Estraviz “aquele que se supõe ser filho de alguém”) de Sam José.
Seja como for o dia de Josés e de Josefas, Pepes e Pepitas, pais e papitos já passou. Hoje, 20 de março, celebramos a festividade de Sam Martinho de Dúmio, o Apóstolo dos Suevos.
“A festa deste San Martiño celébrase o 20 de marzo, porque en tal data (equinoccio de primavera) quería situa-lo aninovo” (segundo a Galipedia) e/ou porque “morreu no dia 20 de março de 579 e foi sepultado na catedral de Dúmio” [Wikipédia].
Sam Martinho de Dúmio (Panónia, actual Hungria * 510-520 – † Braga 579-580) sim que era um pouco filho da puta:
“Batalhador pela ortodoxia contra os arianos” proibiu “que se cantassem muito dos hinos e cantos de carácter popular que estavam incluídos nas missas e noutras celebrações.” [Wikipédia].
“En De correctione rusticorum loita contra os costumes e crenzas supersticiosas de raíz prerromana ou céltica presentes entre os galaicos.” [Galipedia]
No entanto poderíamos dizer dele aquilo que do ditador nicaraguense Anastásio Somoza supostamente dixo o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt: "... may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch" ("...pode ser um filho da puta, mas é um nosso filho da puta"). Porque Sam Martinho de Dúmio também:
“(..) foi o máximo impulsor do esplendor cultural e político do Reino Suevo. Moi próximo ao rei suevo Teodomiro (...) convérteo ó catolicismo, e con el a todo o seu pobo (...) Tratábase dunha actitude de reafirmación política fronte ao arrianismo do reino visigodo de España.
Contribúe á vertebración do territorio a estrutura parroquial reflictida na súa obra Parochiale suevorum. A desconcentración de funcións combinada cunha estrutura xerárquica de poder que converxe nos bispados da estabilidade e prosperidade ao conxunto do Galliciense Regnum.” [Galipedia]
O Magusto para Março
De Sei O Que Nos Figestes... consideramos, portanto, que hoje sim que temos algo que celebrar. A comemoraçom (e bebemoraçom) de Ano Suevo 2010 (1600º aniversário da fundaçom do Reino Suevo da Galiza), 20 de março e O Apóstolo dos Suevos tem para nós muitíssima mais importância que a de Xacobeo 2010, 25 de Julho e Santiago Apóstolo, Patrón de España.
Prévio passo por Tours (Tours da França) para visitar o túmulo do seu compatriota Sam Martinho de Tours (o que dividira o seu manto com Jesus Cristo) Sam Martinho de Dúmio (antes de ser santo e de Dúmio) veu à Galiza no ano 550, 1460 anos atrás. E veu para ficar.
Por isso (segundo genial ideia do Estêvão Castelo Branco, o nosso correspondente em Portugal) propomos à nossa distinta audiência celebrar a festa de Sam Martinho de Dúmio comendo castanhas assadas, botando trompos ao caminho e fazendo todas aquelas cousinhas de que tanto gostava o bom do Sam Martinho (dumiense):
Como é que alguns de vós, que renunciaram ao demónio e aos seus anjos, e aos seus cultos e às suas obras más, agora voltam ao culto do diabo? Pois acender velinhas a pedras, a árvores e a fontes e pelas encruzilhadas, o que é isso senão culto ao diabo? Observar adivinhações, augúrios e dias dos ídolos, que outra coisa é senão cultuar o diabo? Observar Vulcanálias e Calendas, ornar mesas, pôr louros, fazer observância do pé e derramar grãos e vinho no fogo, sobre um tronco, ou atirar com pão para a fonte, que outra coisa é senão culto do diabo? As mulheres invocarem Minerva no tear, e observarem o dia de Vénus para o casamento, e atenderem ao dia em que se sai para viajar, que outra coisa é senão culto do diabo? Fazer encantamentos de ervas para malefícios e invocar os nomes dos demónios com encantamentos, que outra coisa é senão culto ao diabo? E há muito mais que seria demorado enumerar.
[S. Martinho de Dúmio, De Correctione Rusticorum].
“O magosto para agosto”, cantava o Antón Reixa (desta volta com Os Ressentidos no seu greatest hit Galícia Caníbal). O magusto para março, hoje proclamamos nós.
Nom sejas Dummie
Por favor, nesta Ponte de Sam José (Operário) e Sam Martinho (de Dúmio), prudência ao volante. Tanto na Operaçom Saída (ontem) quanto na Operaçom Regresso (amanhã) estremem as medidas de segurança. “Papá, nom corras” (Sam José). “Nom sejas Dummie” (Sam Martinho).

EXCLUSIVO: S. Martinho de Dúmio em S. Martinho Pinário, Stgo. de Compostela
“Represéntase nun retablo de San Martiño Pinario cortando un piñeiro con ídolos pagáns, en alusión ó seu propósito de erradicar en Galicia o culto pagán ás árbores, ríos e pedras” [Galipédia].
Seguindo a pista que encontramos na Galipedia (a Wikipédia em galego zómbico), no passado dia 11 (Sam Ramiro) fomos de paparazzi à Igreja e o Museu de Sam Martinho Pinário, em Santiago de Compostela. Depois de pagar religiosamente o nosso bilhete atravessamos a nave central da igreja e chegamos ao retábulo maior onde encontramos a representaçom do Sam Martinho de Dúmio da que tínhamos tido notícia graças à Galipédia. Parodiando a cantiga popular poderíamos dizer:
Se vas a Sam Martinho Pinário
olha pro lado direito
verás o Sam Martinho de Dúmio
deitar abaixo um pinheiro.

No entanto assaltou-nos umha dúvida. Das três personagems principais que apareciam no retábulo qual era Sam Martinho de Dúmio? Na Galipédia dizia “represéntase (...) cortando un piñeiro con ídolos pagáns”, mas o tipo que está a talar o pinheiro (acocorado e munido de machada) muita aura de santidade nom tem. Qual dos outros dous será? O tipo barbado e com capa que, rodeado de acólitos, está a tocar madeira (nom se sabe se a empurrar a árvore ou a impedir que esta caia) ou o clérigo da esquerda que fai um estranho gesto (umha peineta dupla, quiçá?) aos “ídolos pagáns” que se ocultam entre o “arume harpado”? Fica para o nosso cultíssimo público a adivinhaçom da resposta ![]()
Continuamos em Sei O Que Nos Figestes... Nos Últimos 525 Anos com as comemorações (e bebemorações) da fundaçom do Reino (Suevo) da Galiza, um feito que aconteceu 1600 anos atrás.
E fazemo-lo com a publicaçom dumha reportagem fotográfica (realizada pola nossa colaboradora Leonor de Bourbon e por mim próprio) nos quatro lugares chamados Suevos que na Galiza há:




Quatro lugares, dous pares de Suevos. Como vedes dous destes lugares (os Suevos situados nos concelhos de Arteijo e Abanha) dam nome às suas respetivas paróquias homónimas (Sam Martinho de Suevos e Sam Mamede de Suevos, respetivamente). Cumpre lembrar neste ponto que a paróquia (a diferença do concelho que, bem como a rede de esgotos, a medicina, educaçom, vinho, orde pública, irrigaçom, estradas, a água da traída, e segurança social, lho devemos ao Império Pequeno) é umha divisom administrativa que devemos aos nossos gloriosos antepassados Suevos (vid. Parochiale Suevorum).
NOTA: Todas as fotos som de Jenaro Jesus Marinhas exceto as feitas no concelho de Arteijo que som de Leonor de Bourbon. As quatro fotos da nossa amiga e colaboradora que hoje publicamos fam parte dumha extensa reportagem fotográfica que será objeto do seu próprio post. Permaneçam atent@s aos seus ecráns.
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