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    Os últimos reis suevos

    Um exclusivo de...
    Manuel Morrinha
    Sexta, 12 de Fevereiro de 2010
    miro
    Rei Miro ao lado de Martinho de Braga, manuscrito de 1145, 'De virtutibus quattuor'.

    Há algumas diferenças, segundo os autores, entre os últimos reis suevos. Todos concordam na grande figura de Teodomiro e de Miro, um dos mais grandes reis suevos segundo Murguia apesar do seu desgraçado final. A maioria dos autores consideram Miro sucessor e filho de Teodomiro, mas Vicetto considera que entre os dois reinados houve o de Ariamiro filho de Miro e pai de Miro. O grande especialista Celestino Casimiro Torres, partidário da primeira hipótese tem, porém, dúvidas em quanto a paternidade de Miro que quiçá não seria filho de Teodomiro.

    Resposta:

    Vicetto dá os seguintes nomes de reis: Carriarico, Teodomiro I, Ariamiro, Teodomiro II e Miro. Porém, ele mesmo identifica Teodomiro II com Ariamiro, Teodomiro (dois nomes para um mesmo rei). Celestino Torres identifica Carriarico com Teodomiro, algo com o que não concorda López Carreira. Celestino Torres também nega Ariamiro, ou não, já que diz que mudou seu nome pelo de Teodomiro ao se converter ao catolicismo.

    Como é lógico a historiografia espanhola tem prestado muito mais atenção aos visigodos do que aos suevos. Ainda que numa altura em que os primeiros apenas ocupavam um bocado do que hoje é Catalunha, os suevos reinassem na maior parte do território peninsular. Muitos se nos fala dos Concílios de Toledo e da participação neles dos reis visigodos; porém, isto ocorre por primeira vez no III de Toledo (589) com Recaredo; por enquanto os reis suevos vinham fazendo-o desde o Concílio de Lugo (569) os dois de Braga (571 e 572) dos que se conservam as atas, e alguns mais dos que se conhece a existência mas não há documentação. De quantas igrejas e mosteiros visigodos da Galiza não se fala, quando eram, com certeza, suevos (São Pedro de Rocas, Santa Comba de Bande, etc.) É por isso que as notícias que temos do reino suevo-galaico são, com frequência, escassas e confusas.

    Miro foi contemporâneo de Leovigildo e viu o perigo que este supunha para o reino suevo-galaico. Por isso começa uma série de guerras conseguindo dominar o território dos Rucones vizinhos de Cantabros e Bascos e quando se produz a rebelião de Hermenegildo, católico e filho de Leovigildo não duvida em apoiar o primeiro enviando as suas tropas na sua defesa numa expedição a Andaluzia que acabou fracassando, tendo que voltar Miro perseguido por Leovigildo, às suas terras para salvar o reino suevo-galaico. Finalmente assina-se a paz ficando Miro enfeudado a Leovigildo; pouco depois morreria, se calhar de tristeza, deixando o trono ao seu filho, de curta idade, Eurico ou Eborico.

    Mas os Galegos não gostavam daquela situação de enfeudamento e vão apoiar Andeca (a quem Vicetto dá o simpático nome de Xan Deza), um parente de Eborico, que não aceitava se submeter aos visigodos. Andeca faz ingressar Eborico num mosteiro e tonsura-o, símbolo da perda da autoridade real. Leovigildo chega à Galiza em som de guerra “para restituir a legalidade” e dá-lhe a Andeca o tratamento que este lhe dera a Eborico, mas Leovigildo não repõe no trono Eborico e com o pretexto da irreversibilidade do seu estado religioso, ocupa ele mesmo o trono e rouba o tesouro real suevo.

    Mas ainda acharia resistência o usurpador, um nobre suevo chamado Amalarico, proclama-se rei e reúne um exercito que acaba sendo derrotado pelo de Leovigildo.

    Miro, patriota galego!!!
    Andeca / Xan Deza, patriota galego!!!
    Amalarico, patriota galego!!!

    Autores consultados: Benito Vicetto, Celestino Torre, Anselmo López Carreira, Emílio González López.

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    Escrito às 11:06 nas categorias: Manuel Morrinha, Ano Suevo 2010

    6 comentários

    Comentário de: Ano Rosso Quintana [Visitante] · http://www.seioque.com

    Nom será Casimiro (por Celestino) Torres o especialista? pregunto...
    O seu libro é un alegato provisigodo, pero é a monografía de referencia.
    Escribiremos outra historia, entre todos.
    Sexta, 12 de Fevereiro de 2010 @ 11:45
    Comentário de: Arthur Pondal Doylhe [Membro] Email
    *****

    Uma mega-produção de Suevia films, o grande Manuel Morrinha...

    Sexta, 12 de Fevereiro de 2010 @ 13:21
    Comentário de: Manuel Morrinha [Membro] Email

    É Casimiro, é. desculpai. Quero acrescentar que Andeca / Xan Deza tem sido chamado "o usurpador". Nada mais falso, representa o espírito de rebeldia dos galegos, naquela altura já não há distinção entre suevos e galaicos.
    Sexta, 12 de Fevereiro de 2010 @ 13:42
    Comentário de: Fuco [Visitante]

    Parabens por achegar estas histórias aos galegos que gostamos de conhecer o nosso pasado colectivo!

    Sexta, 12 de Fevereiro de 2010 @ 21:24
    Comentário de: Manuel Morrinha [Membro] Email

    Eu devia estar bêbedo quando redigi este post: resulta que Ariamiro era filho e pai de MIro! era filho de Teodomiro I.
    Depois o cruzamento, já confessado, entre o historiador e o que foi presidente da câmara municipal de Monforte. Ai Morrinha, que che passa?
    Sábado, 13 de Fevereiro de 2010 @ 14:05
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    :)) :)) :)) Bêbado, sim. Mas bêbado de beber nas límpidas fontes d'A Nossa História, essas que algum e algumha (uns ninguém que vam para nengures) quer contaminar com álcool metílico (mas essa é outra história, a História dum Crime).
    Quinta, 18 de Fevereiro de 2010 @ 13:23

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