
Nun dia igual a hoje (15 de setembro), há 525 anos atrás (em 1486) faziam os Reis Católicos a sua entrada triunfal em Santiago de Compostela, capital dum definitivamente cativo e desarmado Reino da Galiza.
Derrotado o Marechal Pardo de Cela três anos antes (A Frouseira, 1483), a sua filha Constanza de Castro e o seu esposo Fernám Ares Saavedra, um (Cal da Loba, 1485), com a morte de Pedro Álvarez de Soutomaior a.k.a. Pedro Madruga em terra estranha (em Alba de Tormes) e em estranhas circunstâncias e a derrota (em Ponferrada) de Rodrigo Henríquez Osório, II Conde de Lemos, em 1486 Galiza sem nobres fica que a poidam governar (parafraseando o presidente norteamericano Franklin Delano Roosevelt em referência ao ditador nicaraguano Anastasio Somoza: seriam uns filhos da puta, mas eram os nossos filhos da puta!) e os Reis Católicos já podem fazer da sua capa (capadura, castraçom) um saio.
Portanto, a data de hoje (melhor do que a do 17 de dezembro, data da decapitaçom do Marechal Pardo de Cela, pensamos nós) pode simbolizar o início da tristemente célebre “Doma e Castraçom do Reino da Galiza”.
Nom obstante (por respeito à tradiçom galeguista e à memória do “velho e carrancudo Marechal”) em 17 de dezembro de 2008 concentramo-nos na Praça do Obradoiro (perante o Hostal dos Reis Católicos) para comemorarmos os 525 anos de “Doma & Castraçom” que naquele dia se completavam (se tomávamos como data de início da mesma a da decapitaçom do Marechal).
Dous anos e quase nove meses depois, hoje, 15 de setembro de 2011, às 20h30 (hora pequeno-imperial, menos umha hora na Galiza e Portugal) regressaremos ao Obradoiro para:
1º) Comemorarmos o 525º aniversário da chegada dos Reis Católicos a Santiago de Compostela (o que simbolicamente, insistimos, pode significar o início da “Doma & Castraçom” da “Naçom de Breogam Forrest Gump”).
2º) Despedirmos Sei O Que Nos Figestes... Nos Últimos 525 Anos porque, amigas e amigos, hoje SOQNF chega ao fim do seu período vital. Nom é porque Sé Lo Que Hicísteis..., o nosso programa de cabeceira, tenha terminado já há quatro meses atrás. A data de validade deste entusiasmante projeto já estava escrita no Manifesto Cruel e Poderoso, o nosso manifesto fundacional:
“Na linha subversivo-esmorgueira marcada polos esquisitos cadáveres da VA-CA, a CA-CA), os ASF, a FREAC e, mais recentemente, as iniciativas ridiculistas de TGCG, proclamamos a Resistência Fútil contra a colonizaçom mental do Império Pequeno.
O pretexto é, mais uma vez, a comemoraçom de uma efeméride: os 525 anos do que Castelao, citando (livremente) os Anais de Aragom de Jerónimo Zurita, denominou a «doma e castraçom do Reino de Galiza». Um processo de centralizaçom política cujo início podemos acoutar simbolicamente entre duas datas: o mês de Dezembro de 1483, em que o rebelde Pardo de Cela foi decapitado «por cruel e poderoso», e os mese de setembro-outubro de 1486, em que os Reis Católicos vinhérom comer uma mariscada a Santiago de Compostela, capital duma Galiza já submissa ao poder real. Portanto, e se nom nos dá antes a Frouxeira, serám três anos (2008-2011) para comemorar (e bebemorar) a tradiçom e a mitologia galeguista em clave pop e renovar os nossos votos a favor de Joana, a raínha que para os espanhois é «la Beltraneja» e para os portugueses é «a excelente Senhora».”
Mas isto nom é um “adeus!” Isto é um “até as sete e meia!” ou um “até as oito e meia, hora pequeno imperial!” ![]()
525º aniversário da chegada dos Reis Católicos a Santiago de Compostela
Praça do Obradoiro
(imediações do Hostal dos Reis Católicos)
20h30 (hora pequeno-imperial)PROGRAMA (p):
Leitura (coletiva) do 'Manifesto Cruel e Poderoso'
Discursos
Interpretaçom (a capella) da 'Marcha do (Antigo) Reino de Galiza'
Surpresas
Queima do pendom dos Reis Católicos
Despedida e feche.
Seioqueee tem mais encantooo -Quando?- na hoooraaa da despediiidaaa... ![]()

Segundo El Libro del limosnero de Isabel la Católica nun dia igual a hoje, há 525 anos atrás, os Reis Católicos (procedentes de Ponferrada e caminho de Santiago) passavam por Vila Franca do Bérzio.
Antes de, no dia 15 do corrente, chegarem à capital, Belnando (ou Isafer, que tanto monta, monta tanto), autênticos Brangelina do Quatrocento no que a sex appeal e obras de caridade se refere (vejam-se como exemplo este par de posaos [F][Y] e El Libro del Limosnero, respetivamente), passarám por Sárria, Porto Marim e Melide (sempre segundo o citado El Libro del Limosnero).
QUE VENHEM!!! QUE VENHEM!!!
Na vindoura quinta-feria, 15 de setembro, às 20h30 (hora pequeno-imperial, menos umha hora na Galiza e Portugal) combinamos no Obradoiro (perante o Hostal Católicos) para comemorarmos (e bebemorarmos) o 525º aniversário da chegada de Isabel I de Castela e Fernando II de Aragom à capital do Reino da Galiza. A seis dias da efeméride há já 54 presenças confirmadas no evento no Facebook. A que esperas para confirmá-la tu? Vem comemorá-lo (e bebemorá-lo) connosco!!! 525 anos de Doma & Castraçom nom se fam todos os dias!!! ![]()
En la imposibilidad de reflejar gráficamente el desplazamiento de los Reyes y su Corte a lo largo del tiempo a que se contrae la información del 'Libro del Limosnero', brindamos el detalle de los itinerarios seguidos en la que podemos llamar "jornada de Galicia" de 1486. Apoyo y complemento de los datos de nuestra fuente es desde luego, el 'Itinerario de los Reyes Católicos', 1474-1516, confeccionado por el profesor ANTONIO RUMEU DE ARMAS (Madrid, CSIC, 1974). El mapa esta tomado de Abraham Ortelio, 'Teatro de la Tierra Universal' (Amberes, 1588).
ITINERARIOS
1486
[...]
30. Ponferrada: 29-VIII/7-IX.
31. Villafranca del Bierzo, 9-IX.
... .............................
32. Sarria.
32. Portomarín.
34. Mellid.
35. Santiago: 15-IX/6-X.
36. El Padrón.
37. La Coruña: 9-X.
38. Betanzos.
39. Lugo: 10-13.X.
40. Sarria: 13-X.
41. Cebreros: 16-X.
42. Villafranca.
43. Ponferrada: 18-19-X.
[...]
[El Libro del limosnero de Isabel la Católica By Pedro (de Toledo, Bishop of Málaga), Eloy Benito Ruano, Real Academia de la Historia (Spain), págs. 52-53].
525 aniversário da chegada dos Reis Católicos ao Reino da Galiza
O 7 de setembro [nom] é o nosso aniversário
“[Em 1486] los reyes viajaron como peregrinos a Santiago de Compostela (...) El viaje tenía que ser necesariamente austero y con poco séquito, ya que se trataba de una peregrinación (...) Entre los acompañantes estaba el 'limosnero' de los reyes, Pedro de Toledo, que se encargaría de ir anotando con cuidado todas las dádivas y limosnas que daban a los que se topaban con el cortejo regio; esas anotaciones nos sirven hoy para conocer con detalle el periplo real y las anéctodas particulares que jalonaron aquel mes gallego de los monarcas.” (pág. 17).
Segundo El Libro del limosnero de Isabel la Católica nun dia igual a hoje, há 525 anos atrás, os Reis Católicos saiam de Ponferrada caminho de Santiago.
Sempre segundo o citado El Libro del limosnero, Fernando e Isabel tinham chegado a Ponferrada no dia 29 de agosto permanecendo, portanto, nove dias na cidade ponferradina.
Dizer que chegaram a Ponferrada é tanto como dizer que chegaram à Galiza pois naquela altura (e, precisamente, até aquela altura) o Bierzo ainda pertencia ao Reino da Galiza.

Se na segunda-feria da semana passada, 29 de agosto, nom publicamos um post comemorativo do 525º da chegada dos Reis Católicos ao Reino da Galiza como era preceptivo, deveu ser porque ainda estávamos de férias (ou algo parecido
).
“El 7 de septiembre de 1486 los reyes empezaron su viaje en Ponferrada, donde lograron la pacificación de los estados del conde de Lemos, y luego prosiguieron por el camino en dirección a Villafranca del Bierzo y el río Valcarce en su ascensión al Cebreiro."
Apesar do que digam alguns autores pequeno-imperiais (e apesar do que nós próprias/os podamos chegar a pensar, colonizadas/os e habituadas/os como estamos a pensar no território galego como sendo apenas o das atuais quatro províncias) a viagem dos Reis Católicos ao Reino da Galiza começa em 29 de agosto (com a sua chegada a Ponferrada) e nom em 7 de setembro (com a sua saída da cidade ponferradina).
A provincia do Bierzo no reino de Galiza
[...] Como castigo á rebeldía dos seus dous titulares sucesivos (Pedro Álvarez Osorio e Rodrigo Henríquez de Castro) os Reis Católicos dividiron o condado de Lemos no ano 1486, mercando eles mesmos Ponferrada e creando o marquesado de Vilafranca [92] co que serían recompensados os condes de Benavente. Recaía o Bierzo en mans castelán-leonesas, definíndose o límite entre o reino de Galiza e o de León, que pasaba a situarse no Cebreiro [92], servindo unha pedrafita como marco divisorio entrámbalas entidades[93].
Non obstante, e pese á final adscrición do Bierzo ás terras de León, non impediu [...] que territorio berciano continuara a ser tradicionalmente considerado parte integrante de Galiza, así escritores e humanistas como Fernán Pérez de Oliva, Jerónimo Zurita (... por las novedades que sucedían en Galicia por la ocupación de Ponferrada que se tenía por don Rodrigo Osorio conde de Lemos...)[88], Lope de Vega, e viaxeiros como Bartolomé de Villalba y Estraña, Nompar de Caumont II, Claude de Bronseval, Arnold von Harff e outros, continuaron a considerar na súa obra o Bierzo occidental como parte do reino de Galiza, aludindo a diferentes enclaves como galegos, (Ponferrada) llave e principio del reyno de Gallizia [94], (Vilafranca do Bierzo) tiene esta villa buena vega, aunque ya está en Galicia [95], mesmo afirmando firmemente que: Pont Ferrat (Ponferrada), fin d’Espagne, commencement de Galice (Ponferrada, fin de España e comezo de Galiza)[96].
[http://gl.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Galicia#A_provincia_do_Bierzo_no_reino_de_Galiza]
Se publicamos hoje (quarta-feira, 7 de setembro) este post comemorativo e nom o figemos quando correspondia (que era na segunda-feira, 29 de agosto) é porque daquela estávamos de férias. O 7 de setembro [nom] é o nosso aniversário, insistimos.
Esclarecido este ponto gostávamos de falar do assunto que levou aos Reis Católicos a Ponferrada e a permanecerem nove dias (e nove noites) na cidade ponferradina.
"Aparte las acciones reconquistadoras de aquel año, dos puntos llaman singularmente nuestra atención en esta lectura. El primero es la presencia de los Reyes en Ponferrada, recién afirmado el señorío realengo sobre la villa y levantado el largo y duro asedio a que el conde de Lemos, D. Rodrigo Enríquez Osorio, había sometido poco tiempo atrás a su viejo castillo (1485). El segundo, la llegada y estancia de los monarcas en Compostela, donde dieron el consabido abrazo a la estatua del Apóstol y ganaron las indulgencias de los peregrinos."
[El Libro del limosnero de Isabel la Católica By Pedro (de Toledo, Bishop of Málaga), Eloy Benito Ruano, Real Academia de la Historia (Spain)].
Com efeito, caminho de Santiago os Reis Católicos figerom um alto em Ponferrada para tomarem pose da última praça galega que (após a queda da fortaleza da Frouseira (1483) e do castelo de Cal da Loba (1485)) ainda se lhes resistia (V. GUERRA COM CASTELA (1475-1486) E SUBMETIMENTO DE GALIZA).
“Finalmente, entre 1483 e 1485, as respectivas rebeliões de Pero Álvarez Osorio e de Rodrigo Henríquez de Castro [a.k.a. Rodrigo Henríquez Osorio], sucessivos condes de Lemos chegavam ao seu fim. O primeiro falecia de morte natural, deixando pendente a resolução da discrepância; o segundo foi cercado e derrotado pelos reis de Castela e Aragão. Com esta última rebelião anulava-se toda oposição da nobreza frente à monarquia dos reis católicos no reino da Galiza. Além disso, a derrota de Rodrigo Henríques [de Castro ou Osorio] implicou a remodelação do mapa da Galiza, deixando O Bierzo de fazer parte do condado de Lemos e consequentemente da Galiza.
Sufocada já toda oposição no reino, em 1486 os Reis Católicos visitavam Galiza, sendo o símbolo do fim de uma época, da Idade Média na Galiza e o pleno domínio régio na Galiza, que o cronista Jerónimo Zurita chamaria “domar aquella tierra de Galicia”.”[http://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_da_Galiza#Resistência_dos_nobres_galegos_aos_Reis_Católicos]
CASTILLOS DE ESPAÑA >> CASTILLO DE LOS TEMPLARIOS (PONFERRADA)
1483. Muere el Conde de Lemos [Pedro Álvarez Osorio]. Su nieto [filho, segundo outras fontes], Rodrigo [Henríquez] Osorio [a.k.a. Rodigo Henríquez de Castro], ocupa los Castillos de Ponferrada y Corullón. Pero la fortaleza es reclamada por Juana Osorio [filha do finado Pedro Álvarez Osorio, nascida em 1470, fruto do seu segundo matrimónio com Maria (de) Bazán] y también por la familia Manrique.
1484. Se crea una comisión que no soluciona el problema. Por tal motivo, los Reyes Católicos deciden entregar Ponferrada a Juana Osorio.
1485. Rodrigo [Enríquez] Osorio, II Conde de Lemos, no acepta la sentencia. Sus tropas ponen sitio a Ponferrada, tomando la fortaleza en el mes de abril. Se manda un ejército al mando del Almirante de Castilla para rendir las plazas leales al rebelde Conde.
1486. Se encuentra asediando la Fortaleza de Ponferrada donde se ha hecho fuerte don Rodrigo [Enríquez Osorio]. Como el II Conde de Lemos no tiene la menor intención de rendir la plaza, compran los derechos del lugar a Juana Osorio por veintitrés millones de maravedíes. Hecho esto se inicia un fuerte castigo artillero sobre el castillo que capitula en verano, tras un duro asalto. Una vez tomada la fortaleza por las tropas reales, los Reyes Católicos inician obras de reparación y refuerzo de la misma. Se paga al artillero Gonzalo Vázquez para que se haga cargo de las mismas. Nombran alcaide de la fortaleza a Juan de Torres, quien hace poner las armas de los Reyes Católicos en la misma.
A resistência galega nom acabou, portanto, em 1483 com a decapitaçom do Marechal Pardo de Cela senom que duraria ainda três aninhos mais, até 1486. Por isso, mesmo sendo super-fãs como somos do Marechal (veja-se senom a categoria Onde estás cabeçom?), de Sei O Que Nos Figestes... achamos que, dacordo com a proposta do experto na realeza galega Anselmo López Carreira, a de 1486 (melhor do que a de 1483) “pode ser a data simbólica da submissom de Galiza”:
“Rodrigo Enríquez de Castro, sucesor [do revoltoso Pedro Álvarez Osorio, conde de Lemos] no seu condado, segue o mesmo camiño, apoderándose de Ponferrada en 1485. Os reis acoden persoalmente coas tropas. Ante a ameaza cede e o seu poder se derrumba.
[...]
Desta forma a partir de 1485 os Reis Católicos superaran os obstáculos que estes nobres interpuxeran á súa política centralizadora, feita desde fóra en beneficio da gran aristocracia castelá-andaluza co beneplácito do alto clero galego. Como mostra da vitoria acadada, os reis viaxan a Santiago de Compostela en 1486. Esta pode ser a data simbólica da sumisión de Galicia”.[Historia Xeral de Galicia, A Nossa Terra, Vigo, 1997, págs. 199-200].
"Aunque don Pedro [Pardo de Cela] pertenecía -pese a carecer de título nobiliario- al estrecho círculo de aristócratas de primera fila, no reunía los requisitos suficientes como para liderar con autoridad una hipotética coalición de los grandes nobles gallegos; ese liderazgo le correspondía, por prestigio, poder y dinero, al conde de Lemos, y por eso se entiende que los reyes se tomasen la molestia de viajar a Galicia precisamente en 1486, cuando hubo necesidad de pacificar la revuelta del conde en Ponferrada (...) Tres años después de estos trágicos episodios [a decapitaçom do Marechal] los reyes viajaron como peregrinos a Santiago de Compostela (...) Además, era preciso pacificar al conde de Lemos, que se había sublevado en Ponferrada (...).” (págs. 16-17)
Nestas datas (entre o 29 de agosto, que os Reis Católicos entrarom na Galiza, e o 19 de outubro, que sairom dela, sempre por Ponferrada) comemoramos, portanto, “os 525 anos do que Castelao, citando (livremente) os Anais de Aragom de Jerónimo Zurita, denominou a «doma e castraçom do Reino de Galiza»” (retirado do nosso fundacional Manifesto Cruel e Poderoso).
Nom é de esperar que o governo feixista de Feijóo, que ainda há dous meses atrás passou olimpicamente de comemorar o 75º aniversário do Plebiscito do Estatuto de Galiza de 1936 (menos mal que, daquela, ainda tínhamos o Xornal!) comemore tam senlheira efeméride.
Até que chegue a nossa hora, de Sei O Que Nos Figestes... Nos Últimos 525 Anos continuaremos a fazer o que, na medida das humildíssimas possibilidades, nos seja possível.
Próxima estaçom: Vila Franca (9 de setembro de 1486).
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