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    20 de julho de 1936

    Um exclusivo de...
    Manuel Morrinha
    Segunda, 20 de Julho de 2009

    Enlixóuse a cidá de telegramas
    un lús pola mañá ás doce horas:
    convocatoria urxente
    defensa postulados
    cotización, finanza, dividendos.
    O monstruo abríu a boca:
    xa témo-lo argumento
    para ofercer aos dioses novas víctimas.

    Assim começa O Edifício, tremendo poema de Celso Emílio que figurava na primeira edição de Longa noite de pedra, eliminado na segunda e recuperado na que Celso chamou definitiva.

    A ignorância dos censores não soubera ver que esse poema estava dedicado ao que eles -os censores- chamavam o Alçamento Nacional; o segundo censor foi mais listo.

    Mas que dia era esse lús pola mañá ás doce horas de que fala o poeta: era 20 de julho de 1936, sim, vinte, porque na nossa terra a sublevação fascista teve lugar esse dia e vão sendo horas de des-colonizarmos, também, o nosso calendário.

    Resposta:

    O 18 sublevara-se o exercito em África mas não seria, por regra geral, até o 20 quando o faria na Galiza. Os 18 e 19 (sábado e domingo) continuou o poder legal por toda a parte e as massas populares pediam armas aos governadores civis que, devido à cegueira do governo central não lhas deu, então procuraram-nas elas próprias.

    Em Pontevedra, Alexandro Bóveda, Vítor Casas, Jacobo Zbarsky e muitos mais apresentam-se no Governo civil para pôr-se a disposição da autoridade na defesa da legitimidade republicana. Todos eles acabarão fuzilados junto com entre outros Telmo Bernárdez, Amancio Caamaño Cimadevila, José Adrio, Germán Adrio, Paulo Novás, Ramiro Paz, Gonzalo Acosta Pan, Jorge Echeverri, Juan Rico, Benigno Rey, Luis Poza.

    Em Vigo, onde os militares começam a dispararem contra o povo na própria leitura do bando militar decretando e estado de guerra, os populares resistirão até o dia 26; como também o farão em Tui, nesta vila os carabineiros permaneceram do lado da legalidade, pagariam-no com o seu sangue, esta vila poderia seguir resistindo se do outro lado da fronteira o regime Salazarista não colaborasse ativamente com os sublevados; os resistentes de Tui retiraram-se ao monte Aloia.

    Todo o baixo Minho seria um banho de sangue, os camponeses estavam dirigidos pelo deputado Anton Alonso Rios que conseguiu salvar a vida, com muita peripécia para logo fazer parte do Conselho de Galiza.

    Tambem os marinheiros do Morraço resistiram valentemente mas entre o 20 e o 24 iriam caindo todas as vilas; o presidente da câmara de Bueu, o galeguista Joam Carvalheira foi fuzilado.

    Na Corunha, os golpistas achariam a oposição de generais leais Salcedo e Caridad Pita, ambos pagarão com o seu sangue a sua lealdade. Os filhos do segundo fugidos a México militarão na UPG. O governo civil da Corunha e rodeado pela artilharia e pede-se-lhe que se renda, negam-se a o fazer e não apenas matarão o governador Francisco Pérez Carballo, a sua mulher Juana Capdevielle, grávida, será passeada perto de Rábade.

    Os mineiros de Lousame e São Finx colaboram na defesa da Corunha e de Compostela, de Compostela onde a sua presença impedia que os militares e os fascistas (bastante ativos na cidade) foram enviados à Corunha para colaborarem na sua defesa, quando chegam (entrementes os faciosos fazem-se com a cidade o dia 21) ali já estava dominada por militares e fascistas, muitos mineiros irão-se aos montes prolongar a sua resistência e alguns conseguirão fugir por mar.

    Juan Jesus González que entrara na cidade ao mando do “tércio de Calo” foi fuzilado pelos militares enquanto os fascistas passeavam Ângelo Casal -que fora presidente da câmara- e Camilo Diaz Balinho. Também em Noia se prolongou a resistência até 26 de juho.

    Especialmente trágico foi o caso de Ferrol, como na Corunha, os sublevados acharam a oposição da suprema autoridade militar: o contra-almirante Azarola, fuzilarão-no a 4 de agosto. Os marinheiros fizeram-se amos dos barcos de guerra, vencendo a oposição de alguns oficiais, porém, os navios não lograrão sair da ria e são bombardeados até a sua rendição: a tropa da Marinha de guerra pagará com rios de sangue esta atitude, igual que o operariado de Ferrol.

    Na capital de Ourense a resistência foi menor, isto não impediu o fuzilamento do seu governador. Na província houve uma luta maior, nomeadamente nas zonas onde se estava a construir o caminho de ferro Samora-Santiago na comarca de Valdeorras e nas localidades próximas à província de Samora onde houve enfrentamentos até fins de mês.

    Na capital lucense é de salientar o caso do doutor Rafael Vega Barrera, cirurgião e diretor do Hospital de Santa Maria. Este homem, republicano de centro, estivo atendendo feridos até que não pode continuar: na noite do 23 ao 24 quando está a atender a um ferido de Vila-Odriz com mais de vinte perfurações intestinais apresenta-se um fato de falangistas que consentem, generosos eles!, em aguardarem até o dia seguinte para que pudesse atender o ferido. Rafael Vega Barrera foi fuzilado 21 de outubro junto com o governador civil, o presidente da câmara municipal e outras pessoas que acudiram ao governo civil.

    Onde mais resistência houve na província de Lugo foi na Marinha e na zona mineira oriental do interior. Foram os mineiros de Viveiro e os da atual Ponte Nova quem mais resistiu, também Ribadeu onde os carabineiros permaneceram fieis à República. Como sempre seriam tambem as zonas mais castigadas pela repressão posterior.

    Peço desculpas aos visitantes de seioque por estar praticamente ausente desta exclusiva o humor que, com frequência, utilizo mas há coisas que não podem ser tomadas de brincadeira.

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    Escrito às 0:21 nas categorias: Back to the Future, Manuel Morrinha

    6 comentários

    Comentário de: Shea [Visitante]

    Norabóa polo artigo, a verdade é que creo que non reparara nunca no da data...
    Segunda, 20 de Julho de 2009 @ 01:42
    Comentário de: Vixía [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com
    *****

    Como vostede, acho que deberiamos ter mudado hai anos a importancia de certas datas no noso calendario.

    Moi adecuado mencionar o episodio da non entrega de armas, do que foi protagonista, tristemente, outro galego: Santiago Casares Quiroga. A partir dese momento non estraña que só os mineros saísen adiante durante un tempo pois eran os poucos que tiñan acceso á dinamita.

    Segunda, 20 de Julho de 2009 @ 12:08
    Comentário de: Manuel Morrinha [Membro] Email

    Esquecera dizer que ainda há quem põe reparos a baptizar o novo hospital de Lugo com o nome do dout6or Vega Barrega que bem o merece:>>
    Segunda, 20 de Julho de 2009 @ 12:41
    Comentário de: Giadasinho [Visitante]
    *****

    moi bon artigo. E moi boa esta faceta seria do seioque


    Eu creo que ademais de mudar as datas deberiase afondar nas figuras de moitos dos aqui nomeados como de Joan Jesus Gonzalez,
    Joam Carvalheira.
    Segunda, 20 de Julho de 2009 @ 13:03
    Comentário de: Arthur Pondal Doylhe [Visitante]
    *****

    Parabéns, Morrinha...

    As nossas leis
    os nossos calendários
    as nossas letras
    as nossas festas
    os nossos mortos
    as nossas efemérides
    a nossa língua
    o nosso humor

    Tudo e mais em Sei o que...

    Saúde, República Galega e Memória Sempre!
    Segunda, 20 de Julho de 2009 @ 13:53
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    Peço desculpas aos visitantes de seioque por estar praticamente ausente desta exclusiva o humor que, com frequência, utilizo mas há coisas que não podem ser tomadas de brincadeira.


    Quando lim o último parágrafo deste magnífico artigo (parabéns, Manuel Morrinha) lembrei-me imediatamente do seguinte trecho dum ensaio que sobre o Castelao artista escrevera o humorista gráfico e caricaturista Siro López (quando Siro era alguém):

    "Castelao conheceu em 1921 o expressionismo alemão, e admirou o que este tinha de "inocência selvagem". Mas Castelao era um espírito fondamente lírico e humorista, e mesmo por isso rejeitou o que o expressionismo tinha de "força selvagem".

    Porém, quando em 1936 estoura com toda a sua crueldade a Guerra Espanhola, Castelao sabia que a tragédia cancela os limites do humor e botou mao do expressionismo para pintar os abraiantes álbumes de guerra, arrincados da sua própria dor."

    [Siro, Castelao Artista, "Castelao Contra a Manipulación", pág.152].
    Quarta, 22 de Julho de 2009 @ 14:42

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