Como se fosse hoje, lembro neste frio dia de inverno a nossa companheira Emília Docet:

A Milinha, como os irmaos Bóveda, Castelao e mais eu lhe demos em chamar desde um começo, foi reja companheira de luita.
Lembro aquele Dia da Pátria de 1933 em que, durante as Arengas na compostelana Praça da Quintana, a Milinha foi umha das pessoas encarregadas de subir o ánimo das e os presentes. E como o subiu! Otero Pedraio quiçá foi o máis impresionado por aquela moça que nom conhecia pessoalmente e que lhe fixo latejar o coraçom como um adolescente, como me confiara no dia seguinte.
O atractivo da Milinha nom derivaba só da sua oratória e fonética (impresionante, por certo); também polo seu físico. Com efeito, Emília Docet dera umha liçom à Espanha mais recalcitrante e racista, quando ganhara a ediçom de ‘Miss Espanha’ no 1933 com o seu físico de nadadora (nom em vao ela foi a introdutora do estilo crawl na Galiza).
Hoje pode-se criticar o facto da Milinha fazer parte daquele concurso e, abofé, todas as críticas da perspectiva patriótica e de género serám certeiras na perspectiva actual; contudo, nós, naquela altura, pensamos que seria um jeito de chamarmos a atençom sobre o país. Assim foi que ideamos um golpe de efeito, quando se soubo que a ganhadora do certame era a nossa compatriota.
A ideia fora da própria Emília. Quando lhe falamos de chamarmos a atençom sobre a nossa secular dependência, foi ela quem dixo: "Nom mais voltas, berrarei Viva Galiza Ceive! E já vereis como entendem. Já vereis esses do ABC, ho!".
Assim o fixo a Milinha e para nós foi aquele um acto patriótico do relevo de outros que na nossa História devem ser lembrados. Marcamos na nossa imprensa (ANT, nº 341) aquilo de ser a nossa Emília "...a primeira muller que soupo sentirse orgulosamente galega fora da sua Terra...". E é que aqueles eram tempos em que as galegas e galegos expatriados em Espanha eram considerados –algo que no franquismo se agudizaria de jeito exponencial- o mais baixo da sociedade.
Haverá quem diga que no PG aproveitamos o "tirom" mediático da nossa irmá e assim foi, mas a partir do seu patriótico (con)sentimento. Era umha galega que sentia a Pátria e que, de nom mediar golpe militar, teria visto umha projecçom pública e, provavelmente política, impresionante. O Alzamiento de 1936 fixo que, por motivos diversos, tomara outros derroteiros além da normalizaçom nacional...
Nós hoje, como ela naquela altura, berramos também: Viva Galiza Ceive (e socialista)!
Decerto que, se a Milinha nos pudesse ouvir, responderia forte com as mesmas palavras que pronunciara para genreira castelhana.
1933 EMILIA DOCET
Cuando fue elegida Señorita España, Emilia Docet, representante de Galicia, era una experta nadadora, deporte que practicaba en el Club Náutico y Marítimo de La Coruña, incluso fue ella la que enseñó a sus compañeros y amigos del Club el estilo crawl. La elección tuvo lugar el 14 de febrero de 1933 en Madrid y en aquella edición la organizó el periódico Ahora. El 27 de marzo se celebra por primera vez el concurso de Miss Europa en Madrid y la ganadora fue la rusa Tatiana Marlo.
Emilia Docet era una mujer muy comprometida con los problemas sociales, ejemplo de ello fue cuando visitó al ministro de Agricultura republicano para que levantara el embargo a los 7.000 campesinos avalistas del préstamo estatal concedido para construir el matadero de Marucoga en O Porriño (Pontevedra).
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