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    Independência e caipirinhas!

    Um exclusivo de...
    Gennara del Bruzzo
    Segunda, 07 de Setembro de 2009

    Um dia como hoje de há muito tempo, Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, que felizmente passou à história 'só' como Pedro I do Brasil (e IV de Portugal).


    Dom Pedro I do Brasil

    A independência do Brasil pode-se dizer que foimuito europeia: problemas sucessórios, pelejas familiares, conspirações aqui e acolá... tal como e fosse uma novela. Novela dessas que tanto gostam os brasileiros (e as brasileiras!), por certo.

    Resposta:

    Após o triunfo da Revoluçom Francesa, nos primeiros anos do século XIX a família real portuguesa fugiu para o Brasil devido ao temor de ser deposta. A fim de contas, naquela altura o Brasil 'era' também Portugal.

    O caso é que em 1807 Espanha (apoiada polas tropas napoleónicas) mais umha vez, invade Portugal (naquela altura levava-se o de invadir com armas, agora é com lojas de El Corte Inglés, imprensa cor-de-rosa e bancos). Quando Napoleom foi derrotado em 1815, a família real portuguesa ainda estava comodamente instalada no Brasil e a capital de Portugal no Rio de Janeiro.

    Isto implicou que o Brasil deixou de funcionar como colónia, e os brasucas colheram-lhe o gosto a isso de mandar, cousa que posteriormente nom gostou aos tugas, como veremos.

    Resulta que em 1820 estalou no Porto a revoluçom liberal, que impujo o regresso da família real a Portugal do rei João VI. Isto implicaria um regresso do Brasil ao estado colonial... e o Brasil é muito Brasil!

    A vaga revolucionária chegou também ao Brasil, com diferentes e divergentes resultados. Vendo que a situaçom se descontrolava, Dom João decidiu regressar a Portugal, deixando nas Américas o seu filho Pedro em qualidade de príncipe regente do Brasil.

    A situaçom brasileira continuou a evolucionar, até que Portugal instou em 1821 o regresso de Dom Pedro e a obediência das províncias do Brasil às ordens emanadas de Lisboa (e nom ao Rio de Janeiro).

    Dom Pedro, guiadinho ele, começou a fazer os preparativos para o seu regresso, mas o Brasil já estava fracturado entre o partido português e o partido brasileiro, com os últimos reclamando a independência já abertamente.

    Nom se sabe se tendado por umas capirinhas, por garotas gostosas ou simplesmente polo clima, o caso é que afinal Dom Pedro rebelou-se contra seu pai e trabalhou pola independência do Brasil. Exemplificou a negativa a regressar à metrópole com a universal frase «Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!», abreviada para a história como «O Fico».

    O «Fico» aginha se complementou com outra medida, o «cumpra-se». Isto é, que dali em diante (estamos já em 1822) só servem no Brasil as leis que levem a ordem «cumpra-se» rubricada por Dom Pedro.

    Em 7 de Setembro de 1822, nas margens do Ipiranga, Dom Pedro foi instado por seu pai a regressar a Portugal e submeter-se à Corte de Lisboa. A resposta foi outra famosa frase (ou estava muito inspirado ou o momento histórico era pouco prolífico!) «Independência ou Morte!», conhecida também como «O Grito do Ipiranga», e que simboliza a independência brasileira e converteu Dom Pedro, para nós, em todo um exemplo de luita anticolonial.

    E nom sei a vocês, mas a mim esta história deu-me algo de sede ;-)

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    7 comentários

    Comentário de: Hermerico Pinheira [Membro] Email
    *****

    Álcool e pátria!

    Teoria política que podemos observar na sua praxe nas noites de Compostela... com resultado um pouco menos materiais.
    Segunda, 07 de Setembro de 2009 @ 15:44
    Comentário de: Hermerico Pinheira [Membro] Email

    Também comentar que as influências etílicas parecem ser determinantes para a criaçom de frases históricas, mirem o germem de muitas das consignas ridiculistas de maior sucesso. .. :>>
    Segunda, 07 de Setembro de 2009 @ 15:46
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    Semelha-me que da emancipaçom pessoal de Dom Pedro I (e nacional brasileira) tiveram mais culpa as mulatas do que as caipirinhas. Ainda que só seja porque a primeira máquina refrigeradora nom se construiu até 1856 (34 anos após a declaraçom de independência do Brasil) e o gelo ser ingrediente fundamental da caipirinha (bebida nacional brasileira cuja origem, já agora, nom está mui clara).

    No entanto, parabéns amiga Gennara por esta estória! Umha estória histórica magnificamente contada em chave cor-de-rosa! :D
    Segunda, 07 de Setembro de 2009 @ 20:12
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    Eis a invençom da caipirinha (RJ, 1886) segundo o humorista, escritor e apresentador de televisom brasileiro Jô Soares n'O Xangô de Baker Street (romance que lim há anos, que pode descarregar-se aqui e do que acabei de descobrir que figeram um filme homônimo):
    Saraiva, que entendia de ressacas como poucos, deu a receita:
    - Se me permite, senhor Holmes, o melhor remédio para esta sensação matutina é uma boa cachaça.
    - Cachaça? Que raios de estupor é este?
    - É uma aguardente feita com cana-de-açúcar. Uma bebida muito suave, deliciosa. Basta uma dose para o senhor se recuperar completamente. Aliás, vou acompanhá-lo. Também estou me sentindo um pouco fraco esta manhã.
    - Saraiva, não sei se é aconselhável dar cachaça ao senhor Holmes a esta hora - adiantou Mello Pimenta, com prudência.
    - Bobagem, meu caro Mello Pimenta. Tenho certeza de que este santo remédio deixará o nosso amigo inglês novo em folha - assegurou o médico.
    Os quatro se dirigiram a um botequim na esquina da rua Riachuelo. Saraiva, com invejável expertise etílica, encomendou duas doses da melhor aguardente da casa e entornou o seu copo num gole preciso. Quando o doutor Watson viu o líquido transparente, que exalava um fortíssimo cheiro de álcool, indagou o que vinha a ser aquela bebida.
    - Nada de mais, Watson, apenas uma aguardente feita com cana-de-açúcar. O professor Saraiva assegura que possui excelentes resultados curativos - traduziu Cherloc para o amigo.
    -Não sei, Holmes, pelo cheiro, parece-me algo fortíssimo. Talvez seja conveniente não bebê-la pura - aconselhou.
    - Que faço, então? Ponho um pouco de água?
    - Acho que um sumo de fruta seria melhor. Laranja ou limão. São ótimos remédios.
    Já conhecemos, inclusive, suas comprovadas propriedades contra o escorbuto.
    Cherloc virou-se para o dono do botequim:
    - Meu amigo aqui está sugerindo que eu coloque um pouco de sumo de laranja ou limão na bebida. Por acaso o senhor tem alguma dessas frutas?
    - Tenho limões - respondeu, intrigado, o proprietário, sem tirar os olhos do chapéu e das sandálias nordestinas que o doutor ainda calçava.
    Watson completou:
    - Talvez também seja bom adicionar um pouco de gelo e açúcar, Holmes, para compensar a queima produzida pelo álcool.
    Sherlock Holmes transmitiu as exigências do doutor. O botequineiro dirigiu-se ao fim do balcão e ordenou que seu empregado troucesse opedido. Watson cortou
    o limão em quatro e depositou dois pedaços no copo junto com o açúcar. Depois, pôs-se a amassar as fatias com uma colher, enquanto dizia:
    - Por via das dúvidas, é melhor colocar os gomos inteiros e espremer.
    Quando terminou aquela operação, acrescentou uns pedaços de gelo e entregou a curiosa poção ao detetive:
    - Pronto, Holmes, agora acho que você pode beber sem correr perigo.
    No fundo do bar, o empregado e o dono do botequim olhavam, fascinados. O jovem balconista perguntou:
    - Patrão, que língua eles estão falando?
    - Sei lá. Para mim ou é latim ou é coisa do demo.
    - E que mixórdia é aquela que eles estão fazendo?
    - Não sei, uma invenção daquele caipira ali - disse, apontando para o chapéu de vaqueiro de Watson.
    - Qual deles, o grandão? - perguntou o rapaz,indicando Cherloc Holmes, todo de branco.
    - Não, o caipira grande está só bebendo. Quem preparou foi o menorzinho, o caipirinha - respondeu o proprietário, batizando assim, para sempre a exótica mistura.
    Segunda, 07 de Setembro de 2009 @ 23:57
    Comentário de: Gennara del Bruzzo [Membro] Email

    Esqueceu-me comentar que para escrever este texto, além de múltiplos plágios, cometim mais de umha licença histórica :>>
    Terça, 08 de Setembro de 2009 @ 11:53
    Comentário de: Vixía [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com
    *****

    E eu digo: "Denantes mortos que escravos!" (mais que me troquen a serea por unha boa garota :>> )

    Muitos parabéns Genara! Excelentemente realatada, non sé digna do Hola, mais da Gaceta de Madrid. :))
    Quarta, 09 de Setembro de 2009 @ 18:26
    Comentário de: Vixía [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com

    Fe d'e-ratas: *relatada, *só (3ª liña).
    Quarta, 09 de Setembro de 2009 @ 18:28

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