Um dia como hoje de há muito tempo, Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, que felizmente passou à história 'só' como Pedro I do Brasil (e IV de Portugal).

A independência do Brasil pode-se dizer que foimuito europeia: problemas sucessórios, pelejas familiares, conspirações aqui e acolá... tal como e fosse uma novela. Novela dessas que tanto gostam os brasileiros (e as brasileiras!), por certo.
Resposta:
Após o triunfo da Revoluçom Francesa, nos primeiros anos do século XIX a família real portuguesa fugiu para o Brasil devido ao temor de ser deposta. A fim de contas, naquela altura o Brasil 'era' também Portugal.
O caso é que em 1807 Espanha (apoiada polas tropas napoleónicas) mais umha vez, invade Portugal (naquela altura levava-se o de invadir com armas, agora é com lojas de El Corte Inglés, imprensa cor-de-rosa e bancos). Quando Napoleom foi derrotado em 1815, a família real portuguesa ainda estava comodamente instalada no Brasil e a capital de Portugal no Rio de Janeiro.
Isto implicou que o Brasil deixou de funcionar como colónia, e os brasucas colheram-lhe o gosto a isso de mandar, cousa que posteriormente nom gostou aos tugas, como veremos.
Resulta que em 1820 estalou no Porto a revoluçom liberal, que impujo o regresso da família real a Portugal do rei João VI. Isto implicaria um regresso do Brasil ao estado colonial... e o Brasil é muito Brasil!
A vaga revolucionária chegou também ao Brasil, com diferentes e divergentes resultados. Vendo que a situaçom se descontrolava, Dom João decidiu regressar a Portugal, deixando nas Américas o seu filho Pedro em qualidade de príncipe regente do Brasil.
A situaçom brasileira continuou a evolucionar, até que Portugal instou em 1821 o regresso de Dom Pedro e a obediência das províncias do Brasil às ordens emanadas de Lisboa (e nom ao Rio de Janeiro).
Dom Pedro, guiadinho ele, começou a fazer os preparativos para o seu regresso, mas o Brasil já estava fracturado entre o partido português e o partido brasileiro, com os últimos reclamando a independência já abertamente.
Nom se sabe se tendado por umas capirinhas, por garotas gostosas ou simplesmente polo clima, o caso é que afinal Dom Pedro rebelou-se contra seu pai e trabalhou pola independência do Brasil. Exemplificou a negativa a regressar à metrópole com a universal frase «Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!», abreviada para a história como «O Fico».
O «Fico» aginha se complementou com outra medida, o «cumpra-se». Isto é, que dali em diante (estamos já em 1822) só servem no Brasil as leis que levem a ordem «cumpra-se» rubricada por Dom Pedro.
Em 7 de Setembro de 1822, nas margens do Ipiranga, Dom Pedro foi instado por seu pai a regressar a Portugal e submeter-se à Corte de Lisboa. A resposta foi outra famosa frase (ou estava muito inspirado ou o momento histórico era pouco prolífico!) «Independência ou Morte!», conhecida também como «O Grito do Ipiranga», e que simboliza a independência brasileira e converteu Dom Pedro, para nós, em todo um exemplo de luita anticolonial.
E nom sei a vocês, mas a mim esta história deu-me algo de sede ;-)

Saraiva, que entendia de ressacas como poucos, deu a receita:
- Se me permite, senhor Holmes, o melhor remédio para esta sensação matutina é uma boa cachaça.
- Cachaça? Que raios de estupor é este?
- É uma aguardente feita com cana-de-açúcar. Uma bebida muito suave, deliciosa. Basta uma dose para o senhor se recuperar completamente. Aliás, vou acompanhá-lo. Também estou me sentindo um pouco fraco esta manhã.
- Saraiva, não sei se é aconselhável dar cachaça ao senhor Holmes a esta hora - adiantou Mello Pimenta, com prudência.
- Bobagem, meu caro Mello Pimenta. Tenho certeza de que este santo remédio deixará o nosso amigo inglês novo em folha - assegurou o médico.
Os quatro se dirigiram a um botequim na esquina da rua Riachuelo. Saraiva, com invejável expertise etílica, encomendou duas doses da melhor aguardente da casa e entornou o seu copo num gole preciso. Quando o doutor Watson viu o líquido transparente, que exalava um fortíssimo cheiro de álcool, indagou o que vinha a ser aquela bebida.
- Nada de mais, Watson, apenas uma aguardente feita com cana-de-açúcar. O professor Saraiva assegura que possui excelentes resultados curativos - traduziu Cherloc para o amigo.
-Não sei, Holmes, pelo cheiro, parece-me algo fortíssimo. Talvez seja conveniente não bebê-la pura - aconselhou.
- Que faço, então? Ponho um pouco de água?
- Acho que um sumo de fruta seria melhor. Laranja ou limão. São ótimos remédios.
Já conhecemos, inclusive, suas comprovadas propriedades contra o escorbuto.
Cherloc virou-se para o dono do botequim:
- Meu amigo aqui está sugerindo que eu coloque um pouco de sumo de laranja ou limão na bebida. Por acaso o senhor tem alguma dessas frutas?
- Tenho limões - respondeu, intrigado, o proprietário, sem tirar os olhos do chapéu e das sandálias nordestinas que o doutor ainda calçava.
Watson completou:
- Talvez também seja bom adicionar um pouco de gelo e açúcar, Holmes, para compensar a queima produzida pelo álcool.
Sherlock Holmes transmitiu as exigências do doutor. O botequineiro dirigiu-se ao fim do balcão e ordenou que seu empregado troucesse opedido. Watson cortou
o limão em quatro e depositou dois pedaços no copo junto com o açúcar. Depois, pôs-se a amassar as fatias com uma colher, enquanto dizia:
- Por via das dúvidas, é melhor colocar os gomos inteiros e espremer.
Quando terminou aquela operação, acrescentou uns pedaços de gelo e entregou a curiosa poção ao detetive:
- Pronto, Holmes, agora acho que você pode beber sem correr perigo.
No fundo do bar, o empregado e o dono do botequim olhavam, fascinados. O jovem balconista perguntou:
- Patrão, que língua eles estão falando?
- Sei lá. Para mim ou é latim ou é coisa do demo.
- E que mixórdia é aquela que eles estão fazendo?
- Não sei, uma invenção daquele caipira ali - disse, apontando para o chapéu de vaqueiro de Watson.
- Qual deles, o grandão? - perguntou o rapaz,indicando Cherloc Holmes, todo de branco.
- Não, o caipira grande está só bebendo. Quem preparou foi o menorzinho, o caipirinha - respondeu o proprietário, batizando assim, para sempre a exótica mistura.

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