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Terça, 04 de Novembro de 2008

No CXIV aniversário do nascimento de Ramom Soares Picalho
Umha exclussiva de...
Jenaro Jesus Marinhas (do Vale)

Na casa natal de RSP, umha foto-reportagem de Leonor de Bourbon.

Tal dia como hoje, há 114 anos, nascia no lugar de Veloi, freguesia de Santa Maria de Sada, Ramom Soares Picalho.

No passado 14 de Outubro, XLIV aniversário da sua morte em Buenos Aires, os restos mortais do político galeguista forom enterrados no cemitério do Fiunchedo, no Concelho de Sada, dando cumprimento às suas últimas vontades (“Eu quigera ir morrer a Veloi e que me enterraram no Fiunchedo” disque dixo um dia a Isaac Diaz Pardo).

Eu nom pudem ir mas (como diria Alba –que Deus a tenha na Glória- Díaz-Pachín) um amigo do meu moço estivo alí... e gostou. Quem estiver mui interessada/o pode ler a notícia em Vieiros ou no El País e ver mais fotos em Sada Digital ou no Flickr.

Resposta:

RSP, esboço biográfico

Entre 4 de Novembro de 1894 e 14 de Outubro de 1964, durante quase 70 anos, Ramom Soares Picalho lavrou umha extensa e intensa biografia (disponível no site da CIG e na Galipédia) que a seguir resumimos em 59 segundos:

Lavrador desde os 7 anos. Marinheiro (com o seu pai) e emigrante (em solitário) aos 14. Militante comunista, sindicalista e jornalista (em Correo de Galicia, El Despertar Gallego e Céltiga) nos seus anos moços na Argentina. Membro fundador da Federación de Sociedades Gallegas, Agrarias y Culturales. Organizador de comícios contra a ditadura de Primo de Rivera e da Semana Galega en homenagem a Pardo de Cela (RSP era dos nossos!). Dramaturgo patriótico (Marola). Participante no congresso anual da OIT (Genebra, 1926). Delegado da Federación de Sociedades Gallegas, Agrarias y Culturales (junto com Antón Alonso Ríos, de quem já falamos aqui) na Assembleia Republicana da Corunha. Deputado da Minoría Gallega (eleito nas listas da FRG nas Eleições às Cortes Constituintes de 28 de Junho de 1931). Membro fundador do Partido Galeguista (Ponte-Vedra, 6 de Dezembro de 1931) e lider da sua ala esquerda. Candidato a deputado polo PG (que nom tirou nengum) nas eleições gerais de 9 de Outubro de 1933. Estudante de Bacharelato (em Lugo) e de Direito (em Compostela). Jornalista (diretor d’A Nossa Terra, do SER, vice-diretor de Claridad e colaborador de Vanguardia Gallega, El Sol, Le Humanite e El Ideal Vasco). Deputado eleito polo Partido Galeguista (nas listas da Frente Popular) nas eleições gerais de 16 de Fevereiro de 1936. Membro da Comissom que levou devidamente refrendado o Estatuto de Autonomia de Galiza a Madri. Editor do Nova Galicia (Boletim quinzenal dos Escritores Galegos Anti-fascistas). Exilado (França, Estados Unidos, República Dominicana e Chile). No Chile exerceu de jornalista (La Opinión, La Hora, El Mercurio e El Sur) e escritor. Membro fundador (junto com A. R. Castelao, Elpidio Villaverde e Antón Alonso Ríos) do Conselho de Galiza (Montevideo, 15 de Novembro de 1944). Principal figura nos atos comemorativos do 18º aniversário do Plebiscito do Estatuto de Autonomia de Galiza (Buenos Aires, 1954). Participante no Primeiro Congreso da Emigraçom Galega, celebrado em Buenos Aires de 24 a 31 de Julho de 1956 (em comemoraçom do Centenário do Banquete de Conjo). Responsável pola Cátedra de Cultura Galega do Centro Lucense de Buenos Aires (1959). Professor de jornalismo (1961-62).

Nos últimos anos da sua vida padeceu umha doença cardíaca que o obrigou a ser internado. Em 14 de Outubro de 1964 morre no Sanatório do Centro Galego de Buenos Aires. É enterrado no Panteom do Centro Galego no cemitério bonaerense de La Chacarita onde os seus restos mortais permanecem até que som exumados em 10 de Outubro de 2008 (ver o vídeo da exumaçom).

História dumha placa “politicamente” incorreta

Na quarta-feira 15 de Outubro de 2008, dia a seguinte ao enterro no pequeno cemitério de Fiunchedo dos restos mortais de Ramom Soares Picalho, lemos na ediçom regional galaica do jornal pequeno-imperial El País umha cousa que nos indignou muito e intrigou bastante:

Sada acoge para siempre las cenizas de Suárez Picallo

PAOLA OBELLEIRO - Sada - 15/10/2008

[...]

La fachada de la casa de Veloi donde nació Suárez Picallo luce una placa que los gallegos de Buenos Aires enviaron al año de su muerte, en 1965, que ya reflejaba el deseo del galleguista de ser enterrado en el cementerio de Sada. La inscripción fue escondida durante décadas porque el entonces ministro de Información, Manuel Fraga, había prohibido colgarla por referirse al homenajeado como un político.

[EL PAÍS (Edición Galícia). QUA, 15-OUT-08, pág. 6 (Galícia)].

Na segunda-feira 27 de Outubro Isaac Diaz Pardo (que acompanhado de Mimina, a sua senhora esposa, estivera em Sada doze dias antes na homenagem ao amigo Soares Picalho) escrevia no jornal zómbico La Voz de Galicia:

«Morrer en Veloi e que me enterren no Fiunchedo»

[...] No mes de marzo do ano 1965 A Nosa Terra, nunha das súas grandes páxinas, adícalla a María Miramontes, a viúva do inmolado Ánxel Casal, e a Picallo. Salvo un pequeno traballo de Picallo (No cuarto da miña nai) a páxina fixémola Luis Seoane e eu. [...] No final do meu traballo fixera a proposta de adicarlle nós os emigrantes unha placa para poñer na casa onde nacera Suárez Picallo en Veloi, e que non puido voltar a ela e morreu de saudade en Buenos Aires. A continuación do meu traballo figura unha nota da comisión directiva da Irmandade Galega acordando dar cumprimento á miña proposta. A placa fundida en bronce tróuxose a Veloi nos primeiros meses do ano 1965, non sei se fun eu mesmo o que a trouxo, pero as autoridades de aquel tempo non deixaron colocala na fachada e quedou detrás da porta? As autoridades de aquela, das que aínda fican rastros, non querían que un exiliado máis morrese lonxe da súa terra por mor da dignidade humana.

[DÍAZ PARDO, Isaac, La Voz de Galícia, SEG, 27-OUT-08, pág._].

Consultado (em ediçom fac-símile) o dito exemplar d’A Nossa Terra (a revista do coraçom, roto de saudade, do nosso exilado) encontramos as duas cousas às que o mestre Isaac na sua crônica inconformista fazia mençom: a sua proposta de brônzea homenagem a RSP e mais a nota da comissom diretiva da Irmandade Galega aceitadora da sua sugestom.

Picallo Quería que o Enterrasen no Fiunchedo

[...]

Non sou amigo dos homaxes ós mortos pra o cual xa hai institucións ilustrísimas adicadas a iso; mais coma niste caso Suárez Picallo era un político, un alentador da causa de Galiza e do seu povo, pura, sen outros aliños, cerne e non codia, e podería ser esquecido, sería ben que os emigrantes galegos de Bos Aires, ou de toda América, lle colocasen unha placa sinxela na sua casa de Veloy que dixera algo asín como:

“O 4 de Novembro de 1894 nasceu nesta casa o bo e xeneroso Ramón Suárez Picallo, emigrante, xornalista, abogado, político, quen amou a Galiza e ó seu povo labrego e mariñeiro e morreu de saudade en Bos Aires o 14 de outubro de 1964 soñando con que algún día o levaran a enterrar ó Fiunchedo.”

ISAAC DIAZ PARDO
Magdalena (Pcia. de Buenos Aires) nadal, 1964

A Comisión Direitiva da Irmandade Galega, recollendo a suxestión do señor Isaac Díaz Pardo, para pór unha praca lembradoira na casa de Veloy (Sada) onde nasceu Ramón Suárez Picallo, acordou por unanimidade dar doado comprimento a devandita suxestión do señor Díaz Pardo no descorrer do presente ano.

[A Nossa Terra, Ano XLVII, Buenos Aires, Marzal de 1965, Nº 508, páx. 5].

Visto que a procura da imagem no Google nom deu o resultado apetecido, na passada quinta-feira, 30 de Outubro, enviamos a Veloi umha unidade móvel (telemóvel) com umha encomenda mui clara: regressar aos nossos estúdios com umha foto da famosa placa.

Mas a nossa reporteira Leonor de Bourbon, jornalista de raça, nom se conformou com fazer a encomenda e “já tá”, nom. A Leonor foi a Veloi e regressou cumha completa reportagem fotográfica da casa natal de Ramom Soares Picalho e com declarações exclussivas de Ramom Tenreiro Soares, Monchinho, o seu sobrinho-neto:

“Moncho, sobrinho de Soares Picalho, um senhor mui atento, convidou-me a entrar na sua casa (mora em frente) e estivo a mostrar-me livros e os cans que nela tem.

Segundo me explicou Moncho, a placa feita no 64 estivo onze anos sem se poder pôr na casa porque Dom Manuel, ministro de Informaçom, Turismo e Chapuzóns (nos 2 sentidos), nom o permitiu porque nela rezava a palavra "político”. Depois, "quentarom-se-lhe os ghuevos" e pugerom-na porque sim, porque lhes petava. E assim o figermom mesmo antes de que morrera o tio Paco.”

Muitíssimo obrigado e parabéns à Leonor de Bourbon polo magnífico trabalho realizado e muitíssimo obrigado também ao Moncho Tenreiro Soares pola amabilidade com que a nossa enviada especial a Veloi foi tratada.

E a Manuel Fraga Iribarne (a.k.a. El Tirantes, o mesmo que durante o franquismo se dedicava a censurar brônzeas placas em homenagem a “políticos” que como Ramom Soares Picalho dedicaram toda a sua vida a trabalharem por um governo galego) umha humilde petiçom: que vaia pro inferno e que nom esqueça levar consigo todas as placas de bronze que se referem a ele como “Presidente da Junta de Galiza”, placas com as que durante os dezasseis longos anos de fraguismo se dedicou a sepultar o país.

Há pessoas que merecem serem recordadas, como hoje no CXIV aniversário do seu nascimento recordamos Ramom Soares Picalho, e outras que mais valia esquecer.

Jenaro Jesus Marinhas (do Vale)
Escrito às 0:00 nas castegorias: Jenaro Jesus Marinhas, Back to the Future
Email , 1653 palavras • Chuza!

6 comentários

Comentário de: Don Alfonso Armada y Comyn [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com
*****

Simplemente brillante. Bravo!
Terça, 04 de Novembro de 2008 @ 01:53
Comentário de: Don Alfonso Armada y Comyn [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com
*****

Nunha das miñas pacíficas visitas ao fermoso barrio de Fontán, aproveitarei para me achegar ao lugar de Veloi, pois rexeito tentar de novo a invasión (con nocturnidade e alevosía) do Pazo da Vergoña.
Terça, 04 de Novembro de 2008 @ 02:11
Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas (do Vale) [Membro] Email

Muitíssimo obrigado, Dom Alfonso! (no meu nome e no de Leonor de Bourbon). E fai bem o senhor em desistir de aventuras noctâmbulas que nom levam a ningures (a nom ser a Alcalá-Meco). Haga como yo, no se meta en política ;)
Terça, 04 de Novembro de 2008 @ 11:54
Comentário de: Alexande Abóbora [Visitante]

Parabéns pola merecida rememoração do Sr. Picalho.
Haveria que ir quentando uns ghuevos, ou?
Terça, 04 de Novembro de 2008 @ 18:45
Comentário de: Galeguzo [Visitante] · http://madeiradeuz.org
*****

Excelente artigo para uma excelente secção (Back to the future). Não há futuro sem passado, assim que é de agradecer que Sei o que nos Figestes também excite e suscite cousas nos nossos neurónios devolvendo-nos este cachinho da nossa história.
Terça, 04 de Novembro de 2008 @ 19:32
Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas (do Vale) [Membro] Email

Muitíssimo obrigado, Alexande Abóbora! Haveria, haveria... :))

Muitíssimo obrigado a ti também, Galeguzo! Polo teu gabancioso comentário... e pola chuçada! :D
Quarta, 05 de Novembro de 2008 @ 12:29

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