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    Arthur Pondal Doylhe
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009
    Assembleantes de Monforte. Diante: Castelao,?, Lousada Dieguez, ?; Segunda: Ramon? e Antón Vilar Ponte, Roberto Blanco Torres, Otero Pedrayo?, Jaime Quintanilla?; terceira Manoel Antonio,? Penha Novo,? [uma esmolinha para completar a listagem]

    Impelidos pola nossa vocação informativa (e um pouco fartos de Glory, Gabi, Rosa e demais amigos) e atacados de novo pola febre da reivindicação histórica Sei-o-que... quer hoje lembrar a mui forte e mui conflituosa Assembleia de Monforte (18, 19 e 20 de Fevereiro de 1922) IV das Irmandades.

    Foto: Araldeira

    Resposta:

    Justo G. Beramendi, rechamante Prêmio Nacional de Ensaio do Império Pequeno (y Olé), dá conta no seu monumental De província a Nación (e tiro porque me toca)... do choque anunciado entre as duas tendências das Irmandades (políticos vs. culturalistas, republicanos vs. galeguistas fetêm ou da Crunha contra os demais) que terminou com a cisão do movimento em dous: Irmandades da Fala vs. Irmandade Nazonalista Galega.

    Mas dado que Justo é tradicional supporter do Chefe Risco e da sua fabulosa equipa de cracks quase Galáticos da I.N.G. (Otero, Castelao, os Vilar Ponte, Diaz Valinho, Lousada Diéguez, Quintanilha, Cebreiro, Blanco Torres, Noguerol, Manoel Antonio...) nós, aplicando a sabedoria popular para contar das feiras achamos oportuno torcer melhor polo popular team da Crunha formado polos veteranos (Lugrís, Vaamonde, Carré) e os moços da canteira local chefiados na altura pelo nosso Penha Novo de olho de carbunclo e polo "filósofo" Viqueira (Vitor Casas, Casal, Zamora, os irmãos Carré, as irmãs Meléndrez, Benito Ferreiro, María Miramontes, Mosquera, Taracido, Elvira Bao, Bernardino Varela, Abelaira...).

    Há além outros motivos para torcer polos da Crunha:

    1º foram grandes precursores do ridiculismo: em pitas célebres em Maria Pita e em destacados artigos em A Nosa terra, El Momento, La Draga, Claridad e Ser,

    2º. Adoravam os disfarces, as cantigas satíricas e as encenações teatrais,

    3º Eram dandys, reintegratas de tradição e estavam pelos centros sociais,

    4º Queriam brincar com outras equipas de esquerda ou republicanas, e

    5º A IF da Crunha era a única na que as mulheres também estavam associadas...

    Os feitos:

    Após a III Assembleia de Vigo (1921) e alentado por um Lousada Diéguez (farto do republicanismo gamberro dos da Crunha) Vicente Risco fora-se atraindo subtil e astutamente o setor inteletual, à vez que tratava de controlar o Conselho permanente. Que vinha tomar na prática o papel do Diretório (reunião das diretivas das Irmandades).

    E, casualmente, no Conselho Permanente estavam: Antón e Ramón Vilar Ponte, Banet Fontenla, Risco e o 1º Conselheiro da "Irmandade" da Crunha (estes da Crunha tão democratas).

    Como resultado das atitudes obstrucionistas de Ramón e Antón Vilar Ponte como membros do Conselho Permanente, em Janeiro de 1922 a maioria da Irmandade obriga, em forte briga, a demitir a A. Vilar Ponte como diretor de ANT.

    As reações não se farão aguardar. Manuel Antonio escreverá aquelas cartas famosas a Vilar Ponte e depois recebe novas de Cebreiro e do mesmo Vilar Ponte, na altura íntimos de Risco, nas que está a origem e motivo dos sarcasmos críticos de máis alá!.

    Visto o enfrontamento, a Irmandade de Ferrol, chefiada por Ramon Vilar Ponte e Jaime Quintanilha, também achegados de Risco, propõem ao Conselho Permanente a convocatória envolvente da IV Assembleia Nacionalista. (ANT, 155, 15-1-22).

    É a escusa perfeita: o Conselho Permanente, sob as pautas de Risco, acorda organizar a Assembleia. Não embargantes, a convocatória é, desde a perspectiva dos crunheses, ilegal. Pois, o Diretório, segundo o regulamente vigente, era o único capacitado para convocar Assembleias.

    Destarte o Conselho Permanente das Irmandades decidiu celebrar a IV Assembleia em Monforte os dias 18, 19 e 20 de Fevereiro. A assembleia vinha além marcada por um regulamento interno de 6 pontos, estabelecido polo Consello á medida de Risco. Neste regulamento limitava-se a voz e o voto a 3 “persoeiros” por delegação for qual for o número de associados que tiver:

    Artigo 1º A esta Asamblea somentes poderán concurrir con voz e voto:
    1º Os membros do Consello Permanente do Directorio das Irmandades da Fala.
    2º Os persoeiros das Irmandades.
    3º Os irmáns que residan onde non haxa Irmandade e que concurriron as Asambleas anteriores e firmaron as actas das mesmas.
    Artigo 2º Cada Irmandade poderá mandar á Asamblea hasta tres persoeiros con voz e voto e terá tres votos calquera que sexa o número de persoeiros que mande [...] Non se permitirá a entrada ao que non sexa membro d'unha Irmandade ou firmantes das Asambleas anteriores.

    (BERAMENDI, Justo G., Vicente Risco no Nacionalismo Galego. 2. Escisión-unidade-escisión, Edicións do Cerne, Santiago, 1981 p.10.)

    Este sistema de votos, ademais de eliminar o caráter democrático estabelecido desde as origens, faculta à organização (= Consello Permanente) para designar como votantes, a maiores, figuras que decida o mesmo conselho arbitrariamente que eram “persoeiros”.

    À Assembleia assistiram os seguintes delegados:

    - pola Crunha: Balboa, Antón Vilar Ponte, Antón Martínez e Peña Novo (os tres delegados da Irmandade da Cruña e Villar Ponte como “persoeiro”)

    - por Ferrol, Quintanilla, Charlón e Ramón Vilar Ponte

    - por Ponte-Vedra, Calviño, Losada e Castelao

    - por Vigo, Lustres Rivas

    - por Mondariz, E. Peinador

    - por Argentina, César Quiroga

    - por Ourense, Risco, Otero, Noguerol, Monjardín, Villot, Antón Sánchez e Montes (oito em total com Blanco Torres que também vá como delegado da imprensa ou de uma Mocidade galeguista de Ourense. Se três são delegados, logo cinco são “persoeiros”.)

    - por Rianjo, Manuel Antonio.

    Citam-se adesões mas nenhuma da Crunha.

    ("Organización Nacionalista", A Nosa Terra, 158, 1-3-1922.)

    No início da Assembleia, Francisco Balboa, o Conselheiro 1º da Crunha, propõe como questão previa, a ratificação do regulamento primitivo e da sua obrigatoriedade para todas as organizações.

    Isto significaria a anulação dos poderes do Conselho Permanente e a anulação do sistema de votos da assembleia que seria proporcional ao número de afiliados de cada irmandade (na altura os mais de 300 afiliados da Crunha supunham mais da metade do Movimento).

    Pola contra, após votação aceitou-se a obrigatoriedade de um só regulamento para todas as associações, mas não o de 1918. Os acordos a seguir mudarão o projeto desenhado por Porteiro:

    Acorda-se, para facilitar a gestão nomear por unanimidade (dos “persoeiros” e delegados presentes) a Risco Conselheiro Supremo do Partido Nacionalista.

    Aprova-se também que as Irmandades passavam a constituir um organismo único denominado "Irmandade Nacionalista Galega” e que as I. de F. E que os outros organismos existentes cambiariam o seu nome, e passariam a ser delegações da ING.

    Teriam um regulamento único, a aprovar pola assembleia, onde residiria a autoridade suprema mas delegando num Conselheiro Supremo (Risco) cada ano, com direito a re-eleição, com plenas faculdades executivas e de mando.

    Os da Crunha sairão da Assembleia cantando aquela letra de Siniestro total e passarão das decisões tomadas, dedicando-se aos seus projetos (A Nosa Terra, Concelho, escolas do Ensinho Galego, Lar, Teatro...) entanto Risco enceta uma febril tarefa de liderado e política de enfronatmento de todos contra os da Crunha (na altura os únicos com organização, militantes, recursos e um concelheiro).

    Enfrontamento que terminará por botar ao tacho (em ano e meio) o Boletim Rexurdimento, vozeiro da ING o Boletim Nós, a editora Céltiga e a mesma ING que terminará num organigrama de delegações apenas comunicadas a través dos Correios de Risco; e de se desintegrar com a aceitação por parte dos apolíticos Risco, Lousada e Noguerol de fazer parte das Deputações designadas pela Ditadura que inaugura Primo de Rivera em setembro de 1923...

    Cousas estas que para alguns da Crunha ainda contavam em 1930...


    Vicente Risco de "Chefe Supremo", Caricatura Por Lamas para Céltiga, 1923


    A Carta de Vicente Risco a J. V. Viqueira, nomeado Primeiro Conselheiro da Irmandade da Crunha, não tem perda a respeito da concepção política e pensamento democrático do Autor da Teoria do Nacionalismo Galego (1920):

    O darlle a miña embora, e alegrarme por isa determinación da Irmandade da Cruña, quero chamar á atención de Vde en col da autitude a qu’isa entidade se pon por frente dos acordos tomados pola IV Asambreia Nazonalista, tida derradeiramente na vila de Monforte de Lemos. [...]

    O Direitorio escolleu o criterio de representación corporativa [...] por varias razós:
    Pirmeiramentes, porque nas modernas teorías sociais o criterio individual do voto persoal, representativo ó mais d’unha opinión, vai perdendo cada día máis o creto, sendo en realidade as entidades as que teñen valor e as qu’están chamadas a contar na Sociedade futura, que ha ser corporativa e ha opór ô criterio individualista, o principio da función.

    Segundasmentes: porque o noso movimento é realmente un movemento d’élite, d’escolleitos, e n-il, pol-o tanto, a calidade debe contar tanto ou mais do que a cantidade... Vde non me poderá negar o valor escepcional que ten que ter o voto d’un Castelao, ou d’un Cabanillas, por frente ô voto d’unha masa calquera.

    Terceiramentes: hai que ter en conta que unha Irmandade pouco numerosa, que eisí e todo sabe soster en outo a bandeira da redención da Terra n-unha vila calquera, ten tanto mérito nazonalista, como unha Irmandade numerosa na que cada un se sinte sostido polo agarimo y-a forza de todol-os outros polo cual, eu penso que o mérito nazonalista d’unha entidade débese medir polas dificultades que ten que vencer, e pol-o tanto mais tería unha entidade de poucos membros que non unha de moitos.

    Por fin, a atribución feita dos votos, non se pode dubidar de que facilita as cousas grandementes, e dónanos unha comodidade de movementos, unha rapideza que é o que nos convén pra unha aución mais espedita.

    Non me foi posibel convencer ô irman Balboa d’istes estremos. Non sei se terei a sorte de que Vde. me dea mais tino.[…]

    A Irmandade da Cruña non se pon abertamente fora da Irmandade Nazonalista Galega; somentes pide unha nova Asambreia que se faga percisamente nas condiciós que ela indica…

    E isto pídemo a min, como Cons. Sup. da I.N.G. Ben. Mais eu, que toda autoridade saco dos acordos da Asambreia de Monforte, non podo de ningún xeito convocar isa Asambreia que me piden, 1º Porque eu somentes podo ademitir na I.N.G. a unha Irmandade que aceute termiñantemente todos e cada un dos acordos de Monforte. Esto está taxativamentes na fonte d’onde dimana a miña autoridade. Dend’o o instante qu’eu faltare a ela, a miña autoridade ficaría nula. 2º Non tendo a Irmandade da Cruña principiado por aceutar aquelo, nin eu teño autoridade sobre d’ela, nin ela ten persoalidade pra pidir unha Asambreia da I.N.G.… 3º No caso de qu’eu poidera acceder â convocación da nova Asambreia, fíxese, meu querido amigo, en que, na forma que a Irmandade da Cruña quer que se vote, eu poría a todal-as entidades nazonalistas n-unhas condiciós d’inferioridade respeuto da da Cruña, qu’elas non poderían aceutar de ningún xeito, porque, tendo a da Cruña 300 socios corresponderianlle 30 votos, e todal-as outras xuntas, cos irmáns isolados e todo, somentes darían as duas terceiras partes dos votos da Cruña (20 votos) coque a Irmandade da Cruña sempre tería unha maioría segura de 10 votos, cos que poder impór pol-a forza do númaro o seu criterio á todal-as demais. Se isto é democracia non é xusticia.

    (Ourense 6 d’Abril 1922. “O Conselleiro Supremo da Irmandade Nazonalista Galega”. Reproduzida por BERAMENDI, Justo G., Vicente Risco no nacionalismo galego. 2. Escisión-unidade-escisión, Edicións do Cerne, Santiago, 1981, p.139, n. 5 e por TORRES REGUEIRO, Xesús, Xoán Vicente Viqueira e o Nacionalismo Galego. Ediciós do Castro/ Documentos, 36, Sada A Coruña, 1987, pp. 118-119.)

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    6 comentários

    Comentário de: Hermerico Pinheira [Membro] Email

    Quanto conhecimento absorvemos com o amigo Arthur Pondal Doylhe!
    Porem, com aleitura da história dos movimentos nacionais do nosso país sempre agroma em mim um sentimento de déjà vu permanente.
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009 @ 09:42
    Comentário de: Franco Vicetto [Membro] Email
    *****

    Cisom, unidade, cisom e tiro porque me toca. Im-presionante artigo, Arthur, já o comentaremos com mais pachorra na próxima reuniom do Reform Club.
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009 @ 10:18
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    Im-presionante artigo, com efeito (concordo com o Franco Vicetto) sobre umha Assembleia Nacionalista, a de Monforte, celebrada na capital da Terra de Lemos tais dias como hoje (20), ontem (19) e anteontem (18 de fevereiro) há 87 anos. Parabéns, querido Arthur! :)
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009 @ 10:43
    Comentário de: Gennara del Bruzzo [Membro] Email

    Concordo, Hermerico! Para mim também foi muito déjà vu! Por certo, esta gente era dandysta até para escrever... "segundasmentes", "terceirasmentes"... 88|88|88|
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009 @ 11:34
    Comentário de: tomze-adito [Visitante]

    Eu torço pola IF da Crunha SEMPRE, impressionante artigo, y tu quique?
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009 @ 11:54
    Comentário de: Vixía [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com
    *****

    Xa están de volta os asombrosos artigos de seioqué, verdadeiros fascículos de divulgación da historia galega máis esquecida... e máis necesaria. O dandismo espállase con seioqué. :!:
    Sexta, 20 de Fevereiro de 2009 @ 12:53

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