..las zanfoñas de Ortigueira, los kafkianos del Jaján,
la Liga Armada Galega y el pazo de Meirás.
- Siniestro Total

Quem foi, em realidade, o professor mercantil e economista Manuel Pousada Covelo, o que foi sogro de Gloria Lake? Parece haver uma certa polémica no que atinge às suas ideias. Com motivo da sua morte, o Ferrín escreveu uma bela necrológica que não foi do gosto do seu filho José Manuel, segundo de abordo de Galicia Bilingüe.
Resposta:
Abusando da amizade do Méndez, vou-na reproduzir amplamente, tomando-me a liberdade de os normativizar segundo as minhas preferência ortográficas:
Um homem à altura das dificuldades do seu tempo, diria eu de Manuel Pousada Covelo, quem vem de falecer. Tive a honra de me fazer seu amigo nos dias nos que não havia no Sul da província de Ponte-Vedra mais Institutos que os dois primitivos de Vigo, O Santa Irene, célula matriz, recebia daquela massas de alunos livres que se contavam por milhares e que nós, os professores oficiais, tínhamos que julgar por um simples exame escrito em que cada rapaz se jogava o aprovado ou o suspenso a uma carta. Era por volta de 1966 e Fernando Elorrieta, também amigo e defunto, apresentou-me numa daquelas sessões inumanas de (...) Manuel Pousada Covelo. Ele, com Elorrieta, tinha uma academia em que (...) preparavam rapazes para os exames de bacharelato por livre. Elevaram um par de reclamações e eu, lembro-o bem, rendi-me á argumentação de Pousada e subi-lhe a nota aos seus alunos muito a vontade. (...)
Logo, Pousada foi comprometendo a sua vida nas tarefas políticas do anti-franquismo, ás que sempre lhes aplicou os seus dotes intelectuais e a sua ilimitada capacidade de análise crítico. (...)
Quero lembrar muito especialmente a sua escola (...) Tomávamos sempre um copo de vinho, ponho por caso em La Abundancia, e baixamos a fazer-lhe uma visita a Manuel Pousada. Ali estava ele sempre, comunicando-se magistralmente com os alunos, a algum dos quais sabíamos que, por vezes, também ajudava economicamente Naqueles dias da sua academia, eu não sei se Pousada perdia dinheiro; sei que perdeu muito de ganhá-lo (...)
Sem mistura-lo jamais com a docência, Pousada trançava cada dia o (…) seu pensamento teórico marxista e nacionalista galego e aplicou-se à prática com intensidade em diversos momentos da sua vida. A presença de Manuel Pousada Covelo na acção e na vida política da clandestinidade anti-franquista, e não só isso, fez dele uma personalidade ubíqua e imprescindível, muito especialmente nos dias da Reforma Política que ele ajudou muito a clarificar entre aqueles que não se submeterão aos pactos neo-monárquicos ligados fora da Galiza (...)
Agora Manuel Pousada Covelo deixou de existir e nós fazemos memória dele com afecto e com agradecimento.
Até aqui a necrológica de Ferrín. Não deveu ser muito do gosto do filho do homenageado quem, tempo andado escreveria uma carta... em galego!, da qual novamente vou reproduzir partes, normativizada também por mim e, neste caso, sem pedir desculpas nem alegar uma amizade que não existe. Sim existiu, porém, com o seu pai a quem tive o privilegio de conhecer. Observe-se, de passagem, a minha habilidade para escrever aproveitando-me dos demais:
Com motivo do passamento do meu pai, escreveu Ferrín um artigo neste diário no que falava do compromisso do meu pai coa luta pela liberdade e o galego, mas dava a entender que o meu pai, ao longo da sua vida mantivera uma afinidade ideológica com as ideias de Ferrín e outros dirigentes da UPG. Certo é que numa etapa da sua vida meu pai compartiu certos ideais com Ferrín; mas com o tempo decatou-se de que alguns não queriam acabar com uma ditadura para trazer um regime verdadeiramente democrático, de liberdade para todos os galegos, senão substitui-la por um regime totalitário. Em consequência, meu pai afastou-se dos postulados ideológicos que defendia, e ainda defende, Ferrín. Ninguém da minha família quis fazer aclaração alguma ao artigo de Ferrín porque entendíamos que estava feito desde a admiração e a boa intenção, e não seria elegante deixar certos aspectos em evidência. Mas agora Ferrín aproveita esse silencio para fazer unha manobra não muito limpa.
A elegância deste filho tem os seus limites e quando Ferrín ataca Galicia Bilingüe, lamentando a presença do filho do seu querido amigo, este não pode resistir e passa ao ataque (já antes o considerava totalitário, mas não o fazia público):
Podo-lhe assegurar a Ferrín que o meu pai, se vivesse, apoiaria sem fissuras as propostas de Galicia Bilingüe, e suponho que Ferrín não pretenderá saber melhor do que eu, meu irmão ou minha mãe o que pensava meu pai.
Não quero resultar maçador com a prosa deste indivíduo e vou eliminar uma serie de “provas” que dá para verificar a sua afirmação e passo directamente à conclusão do artigo:
Meu pai adoptou, com os seus erros, um compromisso com a liberdade e chegou à conclusão de que são os cidadãos quem livremente devem determinar o seu projecto de vida, incluída a sua identidade linguística e cultural, sempre e quando não impedirem a outros fazer o mesmo. Que os poderes públicos deveriam de se abster de determinar coactivamente tais aspectos da vida das pessoas e limitar-se a pôr os meios necessários para que ninguém deixasse de levar a cabo esse projecto de vida. É dizer, que as pessoas não estamos ao serviço de nenhum estado, pátria, “construção nacional” ou poder político, senão ao revés.
Como se vê, as informações de Ferrín e de Pousada (filho) não coincidem grande cousa. Onde está a verdade? Com a ajuda que me deu o próprio Ferrín vou tentar de esclarecer o assunto: Méndez, na sua necrológica, pecou de discreto e não quis entrar em determinados pormenores. Pousada (pai) começou a sua vida política no PCE, mas asinha considerou que esse partido não era o seu e fez parte da cisão que deu lugar à Organización Obreira que tão importante papel jogou nas greves viguesas de 1972; ao revés que muitos dos seus companheiros, Pousada (pai) não passou à OMLG que acabaria por dar lugar ao PCE (r) e aos GRAPO ainda que conservou bons amigos nestas organizações.
Parece mentira a ignorância que manifesta Pousada (filho) sobre a militância de seu pai, ou é discrição? Ou foi discrição do pai? Este nunca formou parte da UPG, a não ser que falemos da UPG (linha proletária). Pousada (pai) militou na AN-PG e foi expulso da mesma junto a outros companheiros, entre eles Ferrín, que depois criariam a UPG (lp).
Em 1978 nasce o Partido Galego do Proletariado. O alter ego de Manuel Morrinha ainda residia em Paris, mas foi convidado ao congresso onde se criou e integrou-se nele. Ali conheceu Pousada (pai) que foi eleito membro do Comité Central do novo partido.
Algum tempo depois, o Pousada (pai) abandonou o PGP de forma amigável. Se calhar, diz Ferrín, estava farto de lutar pelos demais e queria lutar algo para si e para a sua família: ganhar algum dinheiro, vamos.
Este abandono não impediu que Pousada (pai), junto com Ferrín, Árias Curto e treze mais, fosse detido em setembro de 1980 por uns factos com os que não tinha nada a ver. A Pousada (pai) aplicarão-lhe, como aos outros a “Lei” anti-terrorista: dez dias de isolamento no cárcere da Corunha com os sabidos interrogatórios e torturas. O seu comportamento foi admirável, tanto mais admirável porque se não o fosse talvez as suas moléstias seriam menores. Por se não chegar com o cárcere da Corunha, ainda botaria Pousada (pai) um par de meses em prisão preventiva em cárceres espanhois, como o de Carabanchel, para depois no juízo o seu caso ser sobressido.
Deixo que os caros seguidores de Sei o que nos figestes... tirem as suas própria conclusões.
[...] supoño que Ferrín non pretenderá saber mellor ca min, meu irmán ou miña nai o que pensaba meu pai.


"imagino que o facto de partilhar estadia no cárcere deve unir (e sincerar) muito as pessoas" [Gennara del Bruzzo]
Será como conta o dito: "Na minha Pousada mando eu... desque morreu o meu pai" [Arthur Pondal Doylhe]
“Os galegos nom somos tam parvos” (Gloria Lago)
“Tal pai, tal filho” (povérbio popular)
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