
Em Terrorismo Linguístico [I], artigo publicado vinte dias atrás, lembrávamos com dor a morte de Manuel Jardón Pérez mas não era ele a primeira vítima mortal do terrorismo linguístico galego. Quase dous anos antes morria Segundo Durán Casais em acidente de tránsito, as coincidências são espeluznantes.
Resposta:

Novamente vai ser La voz de Galicia a nossa veraz informadora: assim dizia a 17 de Outubro de 1993, domingo:
"Segundo Durán Casais [...] falleció en la madrugada de ayer víctima de un accidente de tráfico. Los hechos ocurrieron en torno a las 1,30 horas [...]"
Assim que, tenicamente, não sei se dizer se Durán Casais foi vítima da febre de sábado-noite (jornada de reflexão e, pelas vistas, de ingestão etílica maciça) ou que morreu o Dia d'El Senhor. Isto impediu que Durán Casais votasse pelo seu partido, nessa altura o PP, ainda que também lhe poupou o desgostos de ver o grande avanço dos seus inimigos do BNG nessas eleições; não lhe impediu, porém, suponho que por alguma graça especial ser confortado com os últimos sacramentos, segundo se dizia na página e pico de esquelas que se publicaram em La voz de Galicia. Todas estavam em espanhol, a nossa língua comum, e em muitas, todas nas que figurava o nome da vila cuja câmara municipal presidiu e amou durante anos, com o nome de que ele gostava: La Puebla del Caramiñal.


Depois desta pequena entrada vamos fazer uma pequena história de Durán Casais, democrata pouco conhecido na actualidade mas que teve os seus dias de glória e não é justo que permaneça no esquecimento.

Nado em Rianjo en 1934, Segundo Manuel Durán Casais foi home consagrado à política e à indústria sempre dedicado a defender os interesses dos seus vizinhos da parte norte da ria de Arousa e, nomeadamente, os da Póvoa do Caraminhal cuja câmara municipal presidiu desde 1972 a 1977 e desde 1979 até 1990; as inquietudes políticas do nosso home fizeram que desde 1972 a 1977 estivesse na Unión de Centro Democrático igual que desde 1979 até 1983; porém, desde o ano 1983 até 1990 faria sob as siglas de Coalición Progresista Galega (CPG).
Durán Casais não se limitou à política municipal, foi deputado provincial por UCD, entre 1979 e 1983, e por CPG, no período que vá de 1979 a 1983.
Finalmente Durán foi parlamentar galego pelo Partido Popular, responsabilidade que ocupou desde 1989 até 1993, ano do seu passamento.
Se alguém pensar em Durán Casais como oportunista político está muito equivocado. As suas mudanças de partido devem-se, apenas, a sua ánsia de melhor servir os seus patrícios e, não podia ser de outro modo, às suas inquedanças políticas e ideológicas, sempre à procura do melhor jeito de servir as boas gentes que uma e outra volta lhe outorgavam o seu sufrágio.
Como Manuel Jardón Pérez foi Durán Casais um abandeirado da liberdade linguística. A sua atividade mais salientável neste campo foi a convocatória desde a presidência da câmara municipal de um referendo, como se vê o atual conselheiro de educação não está a inventar nada, para que os cidadãos decidissem qual devia ser o nome da sua vila.

A Póvoa do Caraminhal é o resultado da fusão de duas localidades pré-existentes: a Póvoa do Deã, bem conhecida dos leitores de Valle, e o Caraminhal. O nome fora traduzido para o espanhol e oficializado como La Puebla del Caramiñal. Neste estupendo exercício de liberdade linguística os cidadãos podiam escolher entre várias opções: Puebla, Pobla, Poboa, Proba, Pobra e outros. Isto sim que seria levar a liberdade linguística ao seu ponto culminante: cada quem que lhe chamasse à vila como lhe petar.
Celebrou-se o referendo desde o 17 ao 27 de Novembro de 1984 com grande indignação de todos os talibães linguísticos. Até Carvalho Calero tomara parte no debate sugerindo, com ironia, a Durán Casais o nome de La Puebla del Cambronal, tradução do nome galego. Não vamos negar, longe de nós, a auctoritas científica de Ricardo Carvalho Calero, mas uma coisa é a ciência linguística e outra, bem diferente, a liberdade linguística. Por muito que respeitemos a primeira, sempre ficará por cima a segunda para um verdadeiro democrata.
Os resultados do referendo foram os seguintes: de um censo de 7,264 pessoas exerceram o sufrágio 4,568 havendo 110 votos em branco e 116 nulos. Dos votos válidos 4,115 preferiam Puebla; 13, Pobra; 82, Pobla; 11, Proba; 114, Poboa; em quanto 11 inclinavam-se por outros nomes, entre eles um escolhera o lindo topónimo de Trufa do Caramiñal.
Depois de tudo isto voltemos ao começo: como morreu Segundo Durán Casais. Atropelado por um gigantesco caminhão. Na caixa do mesmo um grande rótulo dizia Naturalmente Galego. Desta volta os terroristas assinaram o seu monstruoso crime.
Quando dous anos mais tarde escolham como vítima o ideólogo da AGLI, não se atreverão a tanto. Porém, a identidade do modus operandi não me deixa dúvidas de que se tratou de dous atos criminosos em contra da liberdade linguística.
Camarada Segundo Durán Casais: Presente!!
Muito boa, Sr. Anónimo! Com essa desculpa final recordou-me o senhor ao Tio Reveriano (Mofa & Befa)! 
Desculpe você, Sr. Amónimo! Se lhe mudei o nome nom foi com intençom de menosprezá-lo, de anonimizá-lo, é que lim mal! Tchiu-tchiú!"[Gregorio]Salvador [vice-diretor da RAE] señaló que Lodares le había llamado hace tres días y casualmente le comentó que acababa de evitar un choque con un camión que se le echó encima. 'El andaba mucho por carretera, iba a la Universidad Autónoma.. estoy impresionadísimo, es una pérdida inmensa', añadió entrecortado por la emoción."
[Murió el lingüista Juan Ramón Lodares en accidente de tráfico,
Terra Notícias, 05-04-2005].
"Primeiro Franco; Segundo Durán... esa pintada vina eu máis dunha vez"
[Comentário dum tal Danielo a esta mesma noticia, em Chuza.Org]
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