O terrorismo linguístico é algo que vem de velho, mesmo se não é até há relativamente pouco tempo que os democratas, como Galicia Pilingue, Tan gallego como el gallego, Tan gallego como el gazpacho, Mesa por la libertad lingüística, AGLI (a mais veterana e a que antes viu o problema) ou a Mesa contra el libertinaje lingüístico, começam a se darem de conta. Mas é que alguém esqueceu como o defensor da liberdade linguística, o nosso caro Jiménes Losantos, recebeu um disparo no joelho por ousar denunciar a tirania linguística do catalão?
O terrorismo linguístico começou na Galiza sob uma forma que poderíamos chamar branda: lixando os cartazes indicadores das estradas para os pôr em galego; isto ocasionaria graves problemas aos nossos visitantes que não tinham porque conhecerem uma das línguas (a não comum) dos Galegos.
Esta feroz atividade não acabou nem com a tristemente célebre lei de nornalização linguística: os “nossos” terroristas continuaram a mudar os indicadores para adequá-los à normativa lusista: a mesma que utilizava o EGPGC, tería este grupo algo a ver com esta atividade?
Mas o terrorismo linguístico não se limitou a esta “inocente” atividade.

Na capa do excelente e sempre bem documentado jornal “La voz de Galicia” de 29 de Setembro de 1995, sexta-feira, aparece uma terrível foto de um acidente em que um veículo fora literalmente esmagado por dois caminhões, na vigésimo sétima página do jornal figura a notícia desenvolvida.

Porém já na capa se nos informa da morte de Manuel Jardón Pérez, a sua senhora Josefa Pericón, e uma amiga dos mesmos que morreram véspera, quinta-feira, dia 28.
“La voz de Galicia” não informa de quem era Manuel Jardón Pérez; porém, era um frequente colaborador do jornal. Porém esse mesmo dia “La voz de Galicia” publica uma esquela do casal pagado polos seus amigos da AGLI.

Resulta-me estranho de parte de “La voz de Galicia” não informar mais algo do seu colaborador habitual, o presidente da AGLI que tantas vezes defendera as justas reividicações da associação que dirigia nas páginas do jornal crunhês. Ocorre-se-me que, quiçá, havia qualquer tipo de investigação e o jornal não queria dar pistas.
Sábado 30, em página 28, o jornal publica uma fotografia do motorista do camião e fornece um complemento de informação. As explicações são contraditórias: parece como se se tratar de “repartir culpas” entre o motorista do carro, único supervivente, e o do camião que o incrustou contra o outro; o turismo não teria respeitado as regras mas o camião não estaria em regra. Problema de regras, como se vê.

Não há notícias posteriores, que eu saiba. A única explicação que acho é que “La voz de Galicia” recebeu consignas policiais para não seguir adiante com a sua investigação e, muito ao seu pesar, o jornal deu terra ao tema. Sem dúvida a polícia tinha em marcha a sua própria investigação para dar cabo do terrorismo linguístico e não queria levantar as suspeitas dos implicados. Um mistério envolve a morte de Manuel Jardón Pérez, mistério que aguardo esclarecer para os leitores de seioque.com num próximo trabalho que, desde já, me comprometo a fazer.
Manuel Jardón Pérez não era apenas directivo de AGLI, era também o seu mais grande ideólogo, publicou o livro La "normalización lingüística", una anormalidad democrática: el caso gallego editado pola prestigiada casa editora Siglo XXI, profundo estudo onde se davam, já, pormenores a sujeito da perseguição dos hispanófonos na Galiza.
Lembremos a memória de Jardón, nestes dias em que a luta pola liberdade linguística na Galiza está tão de atualidade.
Camarada Manuel Jardón Pérez, presente!!!
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