
Triste andava eu aí atrás no aniversário da Assembleia de Lugo. E a minha tristura tinha mais de um motivo: o primeiro, desde logo, pensar em tudo o que pudo ser e nom foi, as resoluçons assumidas em Lugo nem som reivindicadas polos nacionalistos de hoje.
Mas também estava triste pola morte de Luís Porteiro, em Outubro de 1918, um mês antes da celebraçom da assembleia à qual já nom pudo assistir.
Resposta:
Porteiro, fundador da Irmandade de Santiago era um dos primeiros vultos do nacionalismo irmandinho, por nom dizer o mais grande; era também um firme defensor de ideais democráticos e de esquerda. Poderíamos fazer um triunvirato com Porteiro, Viqueira e Quintanilha e teríamos o núcleo duro do nacionalismo democrático de esquerdas: Viqueira morreu prematuramente o mesmo que Porteiro e Quintanilha iria-se afastando de um movimento onde Risco começava a triunfar e que se cindiria na assembleia de Monforte: de um lado ficava a irmandade da Corunha e os seus seguidores, do outro a Irmandade Nazonalista Galega da que chega com dizer que estava dirigida por um conselheiro supremo, este supremo era naturalmente Risco. Com Porteiro, Viqueira e Quintanilha seria difícil o triunfo da reacçom nas Irmandades.
Voltando à assembleia de Lugo, esta foi adiada por um terrível andaço que assolava o país: a gripe asiática que provocou montes de mortos na Galiza, um deles foi o nosso Porteiro. Agora bem, a gripe asiática era conhecida na França e outros países da Europa com o nome de grippe espagnole e eu pergunto-me: estava a mao de Espanha na origem da morte de Porteiro? Nom som amigo das teses conspirativas mas isto dá-me muito que pensar.
Quero falar algo sobre Porteiro mas para quem quiser mais recomendo a obra de Ernesto Vázquez Souza As eleições do "ano da grippe" em ediçom electrónica de GZ-editora. Porteiro, nado em Lugo em 1889), estudou Direito e chegou a ser catedrático da universidade de Santiago; em 1915 dita na mesma umha conferência intitulada A tansformación do Direito pola Grande Guerra, tanto o lugar como o tema som algo bem invulgar para 1915, já está o nosso homem normalizando. Foi vereador do concelho de Santiago numha lista dos agrários. Em 1918 apresenta-se a deputado por Cela Nova como regionalista (nacionalista em realidade), fijo umha magnífica campanha ainda que foi derrotado polas trampas do caciquismo. Menos de um mês antes de se celebrar a assembleia de Lugo morre, como já dixem, vítima da grippe espanhola. O último escrito que se conserva da sua autoria é umha carta (em galego desde logo) com instruçons para a assembleia ao seu caro amigo Luís Peña Rey (outro vulto do nacionalismo democrático de esquerdas). Morreu o mestre sem cumprir os quarenta anos.
Quero salientar também a qualidade de dandy (bem visível nas fotos) do nosso Porteiro, ao tempo devo reivindicar esta atitude de dandismo, menosprezada por alguns, perante a vida que distinguiu a gente como Óscar Wilde e, dentro do galeguismo, a Castelao, Otero e Blanco Amor.
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