Meia noite encendi a lâmpada, a minha sombra projetou-se na parede com o ar suspeito de quem sabe mais que um próprio e desconfia de ser perguntada. Comecei pitagórico, platonista, gnoticista, cabalístico, hermético e à inversa a leitura das páginas que deixara - no ronsel do mestre Kardec - o Doutor Alveiros, e li e reli, sob o signo ofiolátrico e dentro do circo da serpe alquímica, até que o sabor a sal e o cheiro difuso a outonia anunciaram no cintilar da luz e o acompanhamento de rumorosos sinos as presenças convocadas pela ciência hermética.
Não é doado não, seguir os passos dos antigos, para além de renunciar ao banho semanal e reter os mais dos fluidos, jejuar 48 ou mais horas e algumas disciplinas... um deve ter conhecimentos de magnetismo, hipnose e autohipnose (médicas), pois não chega com aumentar a dose necessária de café licor ou empregar outros espiritosos de maior perigo (rebaixados estes a fim de assegurar a volta do mundo das sombras) para lograr a distância exata na projeção do corpo e a vontade, entanto deixamos acontecer o milagre musical e entre as pálpebras baixando vemos a sombra se decolar do corpo.
Lograda a projeção um percorre em vista estelar os caminhos fadados intermundo e procura os que já foram; que, como é sabido, em sendo galegos agrupam-se nas paróquias do além segundo o seu natio. Nesta visita à terra da brétema, não isenta de perigo, consignado repórter pela equipa de Seioque, viajei caminhos no tempo e no espaço na procura da Ponte Vedra mística, gnóstica, e retranqueira, ensimismada em tertúlias, pois intuia que o nosso homem, sendo fim de semana seria mais possível de topar no recolo do café beira do Leres que no Rianjo natal.
Da mão da sombra de Vítor Said, Jesus Muruais e Javier Pintos Fonseca, paramos tal e como me indicaram no Castromil astral, antes justo do desvio a Castroforte do Baralha e fomos-nos achegando à porta de cristal esmerilado de uma taberna em que se escutitava o violino que com arco lunático atacava crepuscular Manolo Quiroga, e eis que num recanto estava sentado o objeto da nossa peripécia.
Lá mesmo, rascunhando a lápis na mesa de mármore e algo sentimental, com o ar de quem tem um algo nos olhos: Castelão, o nosso Castelão!! ou melhor dito e para ser verossímeis e ainda verdadeiros: não a múmia que aguardávamos ver, senão a fantasma encantadora e presença carinhosa de Castelão.
Afonso, Daniel para os amigos, Castelão para a gente, não é um vampiro, para isso e como ele diz teria de ter sido cacique em vida, é um fantasma extraordinariamente simpático; alto e fraco, move os braços e as pernas, longuíssimos todo o tempo e para toda parte, como essas árvores humanizadas com que Arturo Rackman nos glossa os contos de bruxos. Ainda tem o rosto barbeado a labrega e nele como faros as rodas vítreas dos lentes com que esculca tudo.
Seco, de preto e laço, camisa branca, com ar de cuáquero ou de sóbrio protestante do que um aguarda uma longa prédica ou uma venda de bíblias, mas quando, após um pouco de dúvida, se solta a sua língua abrolham as gargalhadas entre anedotas e retranqueiras profundidades sobre os caciques, os senhores das vilas, os tempos de antes e as falcatruadas do Centralismo.
A sua voz agasalha e abre mundos de pintura e fantasia, com uma grata cadência de cantiga, antiga, Divinas palavras de velho latim campesino galaico, que falam da Galiza e as suas gentes com doce tristura enquanto as mãos ágeis passam a pequenos papéis, a cadernetas que emergem dos petos imensos, rascunhos de pensamentos.
Sem olhar para os seus desenhos já se entende que este homem está enfermo de um amor incurável e melancólica ironia galaica.
- Eu nasci em Rianjo, sabe, uma pequena vila marinheira entre a Crunha e Pontevedra, num rádio pequeno nasceram arredor Rosalia, Valle-Inclán, Julio Camba, o poeta Cabanilhas e até a bela Otero, e ainda tenho orgulho de não ser paisano de nenhum dos ministros galegos.
Sorri acenando a amarga profundidade destas palavras... e engade como quem dá um traço a caricatura:
- Difícil que algum dos ministros ou políticos galegos seja nunca paisano meu.
Não sabemos se sorrir também ante este sorrir tão fundamente apenado que de tão desmaiado até fere.
Castelão frivoliza, o grande renovador da pintura galega, fala de Goya, do seu Album Nós, de ocres e pretos, dos cegos que pinta, da miséria da Galiza, dos seus eivados e loucos, dos impostos e das matanças policiais de Osseira, Nebra e Sofão, e remacha a cena lembrando anedotas dos comentários da Gente bem ante a sua arte...
- Quando Galiza se espreguiçava dum longo sono. Com aquele meio cento de desenhos tentei desacougar a todos os licenciados da Universidade (amas de cria do caciquismo), a todos os homens que viviam do favor oficial... As intenções eran nobres e o pessimismo aparente. Certo que a tristura destes desenhos queima como a raxeira do sol que pasa por uma lupa; mais eu não queria cantar a ledice das nossas festas, nem a fartura dos casamentos, senão as tremendas angúrias do decotio labrego e marinheiro. Alguns espíritos sensiveis que choram com a melancolia dos tangos e dos fados, atoparam desmedida esta dor das minhas estampas; outros espíritos inertes olharam pouco patriotismo no afã de ser verdadeiro. Com tudo, eu continuo cuidando que o pessimismo pode ser libertador quando desperta carragens e cobiças duma vida mais limpa. Talvez hoje ataca-se as nossas mágoas cum humor menos acedo; mais ninguém pode negar-me que as velhas injustiças andam en pé: velai porque me arrisco a publicar esta obra. Ela foi amostrada em todas as cidades e vilas da Galiza e servem de pretexto para "conferências" que influiriam no atual rexurdimento da galeguidade. E com as chatas que tem eu guardo-lhe lei e quero expô-la de novo ao juizo de todos.
Panteismo, idealismo e sarcasmo. Um humorista que não faz rir senão pensar e ainda pensar entanto se nos fecham os punhos pensando em agir.
Foi médico de vila, Castelão, primeiro estudou medicina entanto aprendia a desenhar e a tocar a guitarra, mas depois a vista começou a falhar-lhe e pensou em se dedicar a pintar almas com a alma, mas para viver um amigo disse-lhe que umas vagas no Corpo de funcionários públicos de estatística davam para viver.
E Castelão, o homem que mais trunfos deu no seu tempo a pintura galega, o popular Castelão a quem muitos queriam ver de comparsa decorativa nalguma das fações dos partidos turnantes, deixou o bisturi, as promessas e as paletas e foi-se a Madrid de opositor. E com 6.000 reais ao ano - que bons que são - e sabendo tudo quanto há que saber de estatísticas e matemáticas, volveu a pintar e a fazer caricatura nos jornais.
E quais os temas da arte de Castelão?
- Galiza, apenas. E ensina as mãos Castelão num aceno desmaiado.
- Nenhuma nação como Galiza tão esquecida... ou tão desprezada ou tão escarnecida. A palavra "Gallego" ainda é insulto nos lábios de muitas gentes idiotas.
A grande Rosalia escreveu estas palavras:
¡Probe Galiza, não deves
chamar-te nunca espanhola
que españa de ti s'olvida,
quando eres tão formosa.
e isto é por desconhecimento. Galiza é totalmente desconhecida. E também não há interesse em a conhecer.
Os que acreditam conhecê-la é por algum político. E os políticos são um produto típico de Galiza? Rotundamente não.
Essa cousa ambígua e eloquente que é um político galego é um produto de todas as regiões. Ainda as regiões mais novas e escuras enviam a Madrid algum político funesto. Ainda que se nos poderá dizer que Galiza foi quem mais políticos funestos exportou a Madrid, por pensar nuns quantos.
Em Galiza como em todas as partes está bastante estendido este germe, que se ativa ao contato de Madrid, ou melhor dito, do centralismo. Então é quando aparece a enfermidade: o Político.
Se esse homem - quase sempre um advogadinho - não entrara em contato com a política centralista, seria uma boa pessoa e tudo o mais, tudo o mais, provocaria um preito ao seu vizinho ou pronunciaria uma defensa enfática na Audiência provincial.
A esta classe de homens não os envia Galiza, vão eles atraídos pela sugestão da política. Podemos afirmar que esta é a morralha espiritual da Galiza.
E o doloroso é esta gente acreditar que vêm sendo galegos. Eles próprios quando chegam a algo, já se avergonham de sê-lo. Passado algum tempo já esquecem que são. E se têm uma finca, vêm a Galiza tomar os ares, como podiam ir a Pozuelo de veraneantes, mas sem nenhuma emoção filial.
Estes senhores podiam ser perfeitamente de Cuenca. São de qualquer parte, que é nenhuma. Vão ao seu, e avonda. Tudo o mais são do distrito por onde saem deputados, e nem isso.
E Castelão apaixona-se ao falar...
Não, há outra Galiza, uma viva, fecunda, grande... uma Galiza futura. Uma Galiza que ressurge de ela mesma. Uma Galiza que sabe que está tão perto de New York e Londres como de Madrid. Vigo está justo frente a New York.
Há uma Galiza de novas vozes... e quantos artistas passivos e escritores e jornalistas há nela que podiam ajudar nesta redenção!!
Castelão, popular e idolatrado, o reverenciado autor dessas "Cousas da vida" que em ditos ou como retalhos dos jornais pendem nas paredes de lojas, tabernas, boliches, das cabinas dos mercantes, locomotoras e até como soubemos por um amigo num cêntrico bar de Chicago.
- Posso assegurar - diz o grande humorista lembrando quando saiu deputado pela República - que falei desde todos os quiosques e palcos da música da província e com o estatuto da Galiza inteira. Por todas as vilas, aldeas, desde todas as praças falando da Galiza autónoma dentro da República Federal Hespanhola...
E éramos incansáveis e os paisanos aplaudiam a ravear, e sabíamos que se não se lhes fixava a letra, quando menos iam quedando com a música... Daquela aventura, pura contra o velho e o novo cacquismo, ganhei a ata de deputado a Cortes e comigo Ramón Otero, Picalho, Vilar Ponte, e toda aquela gente esperançada.
Anima-se Castelão falando de gentes e de daqueles tempos republicanos, não sabemos como perguntar-lhe pela barbárie genocida... Falamos do momento trágico do 19 de Julho.
- Estava em Madrid, com Picallo e coma minha esposa, viéramos entregar o estatuto e o presidente das cortes nos recebera o 17. Não podíamos remotamente nem imaginar que sucederia o que sucedeu. Algo estranho, ignoto, terrível estava no ambiente, queríamos voltar estar na Galiza, com os nossos. Mas as comunicações se cortaram o 19 com o Norte e já tudo estava nas ruas de Madrid. No primeiro momento tinhamos um consolo, pensávamos que na Galiza não houvera luta, nem crueldade, nem represálias... Por que havia de havê-las?? o galeguismo desprezava a violência. Mas não importou. A luta foi cruenta e as represálias tremendas.
- Tenho 125 anos, e mais de 60 de fantasma - diz. Quase um neno sonhava nas ruas santiaguesas numa Galiza ceive, capaz de levantar a sua voz e exprimir o seu espírito por ela própria; onde não existisse caciquismo nem forçosa emigração, sem tanta miséria material e espiritual. Com outros moços, pobres tolos, pensávamos que nos tocaria a lotaria para dedicar a esta missão a nossa fortuna. A fortuna não chegou. Então dedicamos-lhe algo de ainda mais valor: a vida. Quanto havia em nós de mau, de cruel, batalhamos por o domenhar, por arrincá-lo, para ser dignos da tarefa... E logo... logo quando a tarefa parecia feita, era tudo isso o que nos teria feito mais falta para o que aconteceu.
- Sempre com fé na Galiza mártir... convertim-me num narrador do seu martírio e ainda tratei de organizar com as suas ruínas a sua voz no exílio.
Deixamos muita cousa, a infância no Pampa, o seu pai, Martelo Paumán, a política e a vida do Rianjo, natal, as anedotas de Compostela e como aprendeu a desenhar com carvão duma lareira apagada, as Irmandades, da sua obra narrativa, da política, dos Cegos na arte, da emigração... o seu segundo enterro (porque Castelão foi enterrado duas vezes, como ele diz por ver se o esqueciam) mas a entrevista se prolonga e temos de partir com o as primeiras luzadas mas não sem antes folgo para uma última pergunta:
E finalmente, Castelão, que lhes dirias aos políticos galegos de hoje?
- O mesmo que aos de ontem e trasantontem, são cagadinhos os seus antergos, o único desejar-lhes que venham o antes possível se reunir com estes, que por cá se andam caciqueando.
Até mais ver e parabéns para você, Doutor Castelão...

Recentemente, o presidente da Real Academia Galega, Xosé Luís Méndez Ferrín, concedeu umha alargada entrevista para a revista Tempos Novos. A transcriçom da conversa oferece-nos um Méndez Ferrín em estado puro, um completo retrato do carácter e pensamento ferrinianos. Tanto, que a análise dará-nos para várias entregas. Eis a primeira.
Para começar The X(osé)L(uís) Files, centraremo-nos numha das declarações mais impactantes chegou quando foi perguntado acerca da sua opiniom sobre o reintegracionismo, o presidente da RAG respondeu:
O mesmo que con Galicia Bilingüe. É xente que está en contra do idioma. Que fagan o que queiran. Teñen a rúa, os foros sociais, os medios de comunicación, os sindicatos. Que vaian predicar á porta de Citroën.
Ainda que me doia, desde o carinho e o respeito devo corrigir o bom de Dom Xosé Luís, pois cuido que essa comparaçom é bastante ousada... porque cuido que entre as pessoas reintegracionistas e as pessoas que alinham com as teses de GB deve haver, polo geral, poucas coincidências. E mesmo que as houver, se com isso se pudesse estabelecer umha relaçom de concordâncias, há outras instituições teoricamente nacionais que também poderiam sair mal paradas.
Pensemos, por exemplo, na hipotética diferença entre as reacções da presidenta de GB, Gloria Lago, e o secretário do Conselho da Cultura Galega, Henrique Monteagudo, ante a última versom conhecida do decreto galegófobo da Junta:
- Gloria: «Esto ya pinta bastante mejor»
- Henrique: «é menos insatisfatório»
Passem e julguem! ![]()
De outra parte, fiquei também surpresa com a frase destacada na manchete da entrevista: «Os inimigos do galego apresúranse a evitar que a lingua sexa útil». Ignorando ao que se podia referir Dom Xosé Luís, procedim a ler tanto a pergunta do entrevistador como a resposta na íntegra. Por razões de espaço vou resumir um bocadinho:
- [...] Como se conseguen escenarios de uso [da língua] para poñer en práctica a competencia adquirida?
Facendo a lingua necesaria. [...]- E aquí como se fai útil?
Facéndoo útil na nosa casa. Que para ser funcionario ou facer unha oposición haxa que saber galego [...]. Hai empresas [...] que demostran como pode ser útil [...]. Por iso os inimigos do galego se apresuran a evitar que sexa útil. Cómpre pensar que a defensa do galego non se lle pode deixar ao dominio público, á Xunta ou ao Estado. Aquí hai unha loita, e unha guerra, na que nós imos desaprecer ou sobrevivir. Así que, conciencia e orgullo nacional. Se iso non se consegue, é un suicidio colectivo.
Desta fecunda resposta tiro como liçom principal o seguinte: que para evitar a desapariçom do galego, cumpre fazer necessária a língua, lograr que seja útil. E aqui introduzo umha questomzinha: o que será mais útil, um galego extenso ('reintegrado') ou um galego reduzido ('isolado')?
Para Dom Xosé Luís, à vista do mencionado uns parágrafos mais acima, imaginamos que a versom reduzida, talvez por aquilo da «consciência e orgulho nacional». Para orgulho, o dos habitantes do monte Medúlio, que optaram pola morte antes que se renderem aos romanos. Talvez o primeiro suicídio colectivo documentado na Gallaecia?
Mas nom fagamos atençom a umha profana como eu. Deixemos que falem os mestres:
«O galego é um idioma extenso e útil, porque -com pequenas variantes- fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas.»
(Castelão. Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º, pág. 41-42)
Acaso a RAG pretende fazer do galego todo o contrário que Castelão propugnava? Será, talvez, que a mesmíssima Academia é um desses inimigos do galego? Seja como for, isto parece umha luita de titãs. Ferrín contra Castelao, Castelao contra Ferrín. Quem pode sair vitorioso??

Coincidindo com o sexagésimo aniversário da sua morte (Buenos Aires, 7 de janeiro de 1950) em Sei O Que Nos Figestes... Nos Últimos 525 Anos publicamos hoje umha rareça sobre Afonso Rodrigues Castelao que o Camarada 64, da Lliga Anticolonial dos Països Polacs, encontrou, digitalizou, converteu a texto e teve a bem enviar-nos para a sua publicaçom.
Trata-se da difamatória semblança biográfica do pai da pátria galega, saída da pena dum tal José María García Rodríguez, publicada originalmente em Solidaridad Obrera Solidaridad Nacional (20-VII-1939) e resgatada para o livro Fantasmones rojos: La venjança falangista contra Catalunya (1939-1940).
Segundo este livro, José María García Rodríguez é:
Poeta, narrador i crític d’art. L’any 1942 publica No éramos así a l'editorial Caralt. Militant falangista, participa activament en tasques de propaganda i d’adoctrinament programades pels Serveis de Propaganda de Falange arreu del territori, fomentant conferències en associacions com La Hermandad de ex-cautivos. Posteriorment, l’any 1944, el trobem com a dirigent de La obra Sindical del Hogar y de Arquitectura encarregada de la construcció de vivendes socials a la Barceloneta i a Ciutat Meridiana.
Porém segundo o nosso amigo e informante, o Camarada 64:
Un bon vivant. El típic pijo fatxa de la part alta, vamus!, que com tots, a la seva darrera etapa es va folrar cobrant comissions per l'edificació de cases barates i amb aluminosi a la Barcelona més deprimida: La Barceloneta, el barri de pescadors humils i Ciutat Meridiana, un township de gitanos i andalusos pobres amb clavegueres a cel obert fins als anys 80.
Sei o que digestes (de NÓS) nos últimos 525 anos! Muitíssimo obrigado, Camarada 64! E já, sem mais dilaçom... DENTRO LIVRO!!!
RODRÍGUEZ CASTELAO
Por José María García RodríguezNacido en Galicia, era conocido como político de izquierdas, como dibujante y como artista. ¿Artista? En realidad, no sé yo, si podría decirlo. He tenido verdaderos líos con el Arte. Pero no con un arte cualquiera, sino con el Arte. Con ese señor endomingado y presumido que se escribe con A mayúscula, y que tiene la prestancia de los premios finales de curso que se dan a los niños aplicados y sosotes.
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