
A República Federal de Alemanha é um Estado democrático de direito.
Em Alemanha, até há uns poucos anos, até o mesmíssimo século XXI, podia-se pagar umha cerveja com moedas nas que saía o adusto perfil de Adolf Hitler. Os marcos com a cara do dictador, rodeada por umha lenda em que se afirmava que era führer do III Reich por direito divino, mantivéram-se em circulaçom até que a chegada do euro obrigou a retirá-los definitivamente. Contudo, Hitler segue presente no nomenclátor de numerosas rúas, avenidas e prazas de muitas vilas e cidades do antigo Reich. NOm é o único nome do nazismo ao que se lhe rendem honras públicas. Algumhas capitais só começárom a mudar nomes como Göering Boulevard ou Adolf Eichmann Strasse em outubro do ano passado, e só por imperativo legal. Mas outros alcaldes negam-se a acatar estas leis de damnatio memoriae, alegando princípios irrenunciaveis, como o “dano que se lhe causa ao comércio”.
Hitler e os seus ministros seguem sendo filhos predilectos de muitos municípios germanos. A retirada destas honras é sempre um tema de discussom agrio, pois amplos sectores políticos alemães som reticentes a este tipo de acções de regeneração democrática. Houve que agardar aos anos 2006 e 2008 para que as antigas e prestigiosas universidades de Gotinga e Friburgo, que mantinham a Hitler no seu quadro de doutores Honoris Causa, lhe retiraran tal honra.
Ainda perduram milheiros de placas conmemorativas e laudatorias, acopladas a muitos monumentos, onde é possivel ver a svástica e toda a parafernalia simbólica do nazismo. A prática totalidade das igrejas alemanas locem cenotafios com o nome dos soldados das SS mortos nos campos de batalha da II Guerra Mundial, encabeçados sempre pelo nome de Horst Ludwig Wessel, autor do hino do Partido Nazista e considerado un mártir trás a súa morte a maõs, presumivelmente, dos comunistas, nos albores da ascensão de Hitler ao poder. A Igreja alemana celebra ainda, e sem rubor, missas pela alma dos hierarcas nazistas, e de Hitler, no aniversário do seu passamento.
Os monumentos máis chamativos estão sendo retirados ainda hoje. Faz-se com nocturnidade e em silêncio, ante a ameaça de protestos por parte dos morrinhentos do regime nacionalsocialista, que consideran o passado do III Reich parte da história de Alemanha que não pode ser apagada com um golpe de vasoira. Entre estes saudosos há que contam com cargos de representação política. A estátua de Himler, fundador das SS, ergueu-se nos jardins da sua cidade natal até princípios deste mesmo ano. O líder conservador desta localidade distinguiu-se na defesa deste monumento: “Heinrich Himler é um muniqués de pro, de toda a vida!”.
Contudo, a tímida criaçom de espaços para a memória e a reivindicaçom das vítimas do nazismo sofre da desidia, o desinterese, cando nom das travas destes mesmos representantes políticos. O campo de concentraçom de Mathausen, centro de tortura, cárcere terrível e cenário de arrepiantes matanças na época nazista, e que albergava um pequeno museu sobre a represom política hitleriana, vai ser convertido num centro cultural, umha escola de artes cénicas.
Muitos alemães ainda procuram os seus familiares, vítimas da atrocidade daquele regime, enterrados en fossas comuns. Quando se decobre umha destas fossas, acham impedimentos burocráticos de todo o tipo para desenterrar os óssos e levá-los a umha sepultura digna. Quase nenhum juiz assiste aos levantamentos dos cadáveres, (quando é o seu dever preceptivo), nem se abre nenhum sumário quando se têm conhecimento destes crímenes terríveis. Os assasinos desfrutam de impunidade, enquanto que as súas vítimas vivem no desamparo. O juiz Geoffrey Lawrence, quem tentou instruir un processo penal en Nuremberg para investigar os crimes do nazismo, enfróntase neste mesmo momento a umha acusação de prevaricação por tentar tal coisa, instigada entre outros pelo próprio Partido Nacional Socialista alemão (ainda legal), que foi admitida a trâmite polo Tribunal Supremo de Alemanha.


, como meu Gran Hermano Alfonso Rueda
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