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    Um exclusivo de...
    Ano Rosso Quintana
    Segunda, 26 de Abril de 2010

    A República Federal de Alemanha é um Estado democrático de direito.

    Em Alemanha, até há uns poucos anos, até o mesmíssimo século XXI, podia-se pagar umha cerveja com moedas nas que saía o adusto perfil de Adolf Hitler. Os marcos com a cara do dictador, rodeada por umha lenda em que se afirmava que era führer do III Reich por direito divino, mantivéram-se em circulaçom até que a chegada do euro obrigou a retirá-los definitivamente. Contudo, Hitler segue presente no nomenclátor de numerosas rúas, avenidas e prazas de muitas vilas e cidades do antigo Reich. NOm é o único nome do nazismo ao que se lhe rendem honras públicas. Algumhas capitais só começárom a mudar nomes como Göering Boulevard ou Adolf Eichmann Strasse em outubro do ano passado, e só por imperativo legal. Mas outros alcaldes negam-se a acatar estas leis de damnatio memoriae, alegando princípios irrenunciaveis, como o “dano que se lhe causa ao comércio”.

    Hitler e os seus ministros seguem sendo filhos predilectos de muitos municípios germanos. A retirada destas honras é sempre um tema de discussom agrio, pois amplos sectores políticos alemães som reticentes a este tipo de acções de regeneração democrática. Houve que agardar aos anos 2006 e 2008 para que as antigas e prestigiosas universidades de Gotinga e Friburgo, que mantinham a Hitler no seu quadro de doutores Honoris Causa, lhe retiraran tal honra.

    Ainda perduram milheiros de placas conmemorativas e laudatorias, acopladas a muitos monumentos, onde é possivel ver a svástica e toda a parafernalia simbólica do nazismo. A prática totalidade das igrejas alemanas locem cenotafios com o nome dos soldados das SS mortos nos campos de batalha da II Guerra Mundial, encabeçados sempre pelo nome de Horst Ludwig Wessel, autor do hino do Partido Nazista e considerado un mártir trás a súa morte a maõs, presumivelmente, dos comunistas, nos albores da ascensão de Hitler ao poder. A Igreja alemana celebra ainda, e sem rubor, missas pela alma dos hierarcas nazistas, e de Hitler, no aniversário do seu passamento.

    Os monumentos máis chamativos estão sendo retirados ainda hoje. Faz-se com nocturnidade e em silêncio, ante a ameaça de protestos por parte dos morrinhentos do regime nacionalsocialista, que consideran o passado do III Reich parte da história de Alemanha que não pode ser apagada com um golpe de vasoira. Entre estes saudosos há que contam com cargos de representação política. A estátua de Himler, fundador das SS, ergueu-se nos jardins da sua cidade natal até princípios deste mesmo ano. O líder conservador desta localidade distinguiu-se na defesa deste monumento: “Heinrich Himler é um muniqués de pro, de toda a vida!”.

    Contudo, a tímida criaçom de espaços para a memória e a reivindicaçom das vítimas do nazismo sofre da desidia, o desinterese, cando nom das travas destes mesmos representantes políticos. O campo de concentraçom de Mathausen, centro de tortura, cárcere terrível e cenário de arrepiantes matanças na época nazista, e que albergava um pequeno museu sobre a represom política hitleriana, vai ser convertido num centro cultural, umha escola de artes cénicas.

    Muitos alemães ainda procuram os seus familiares, vítimas da atrocidade daquele regime, enterrados en fossas comuns. Quando se decobre umha destas fossas, acham impedimentos burocráticos de todo o tipo para desenterrar os óssos e levá-los a umha sepultura digna. Quase nenhum juiz assiste aos levantamentos dos cadáveres, (quando é o seu dever preceptivo), nem se abre nenhum sumário quando se têm conhecimento destes crímenes terríveis. Os assasinos desfrutam de impunidade, enquanto que as súas vítimas vivem no desamparo. O juiz Geoffrey Lawrence, quem tentou instruir un processo penal en Nuremberg para investigar os crimes do nazismo, enfróntase neste mesmo momento a umha acusação de prevaricação por tentar tal coisa, instigada entre outros pelo próprio Partido Nacional Socialista alemão (ainda legal), que foi admitida a trâmite polo Tribunal Supremo de Alemanha.

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    17 comentários

    Comentário de: Breogám [Visitante]

    88|

    Parabéns por isto... É caralhudo.
    Segunda, 26 de Abril de 2010 @ 15:03
    Comentário de: Giadasinho [Visitante]
    *****

    88|


    Chapeau!! un trabalho caralhudo
    esto é ironía da fina

    esto ano algo sobor dos Martires de Carral??
    Segunda, 26 de Abril de 2010 @ 15:36
    Comentário de: caralladas [Visitante] · http://nosquedaportugal.blogspot.com

    a explicación é ben simple: a historia a escreben os vencedores. Se Hitler houbese gañado, tede por seguro que a 'transición á democracia' en Alemaña sería tal e como a contades.

    o mundo éche asi.
    Segunda, 26 de Abril de 2010 @ 22:23
    Comentário de: Vixía [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com

    Noraboa por tan clara explicación! Tan só quero apuntar, como anterior amante da numismática, que pagar unha cervexa con moedas nas que saía o adusto perfil de Adolf Hitler foi posible ata 1997, ano no que tamén foron retiradas as conmemorativas da Olimpíada de 1936. http://es.wikipedia.org/wiki/Peseta#Historia_de_las_monedas_de_peseta
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 03:19
    Comentário de: Galeguzo [Visitante]

    O Vixía adiantou-se à observação que ia fazer eu sobre as moedas.

    Aproveito para comentar que o juiz Lawrence não quis investigar e julgar os crimes do nazismo, apenas pediu as certidões de defunção de diferentes dirigentes e cargos militares para resolver que a sua responsabilidade estava extinta.
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 07:55
    Comentário de: A. P. Doylhe [Visitante]
    *****


    Genial, simplesmente genial...

    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 08:01
    Comentário de: Lôstrego [Visitante]

    Parabems! :)
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 10:43
    Comentário de: Costadamorte [Visitante] · http://acostadamorte.blogspot.com/

    Bastante ben, pero haberá que lembrar a "amizade" do Barón de Oaksey, (o xuiz Geoffrey Lawrence), co influinte banqueiro Richard S. Fuld, Jr., o cal financiu as actividades académicas do xuiz que axudaron a darlle sona internacional, e a súa vez foi o instructor dunha causa pola presunta creba fraudulenta do banco do que é presidente e causa que foi sobreseida de inmediato polo xuiz.
    Tamén dito xuiz foi un dos instructores do proceso que na República Federal de Alemaña, levou ao KPD (o Partido Comunista de Alemania), a súa ilegalización pola Corte Constitucional Federal, como parte dunha ofensiva xeral no contexto da Guerra ao terrorismo contra as organizacións comunistas.
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 11:20
    Comentário de: Afonso Roda Pés [Visitante]
    ****-

    Reflexo ou miragem ?

    Há umha diferenza fundamental:

    "O nosso" foi "entre irmãos" 88|
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 11:32
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    Repito e reitero (como colaborador de SOQNF já tivem o privilégio de lê-lo em primícia na semana passada): Im-pressionante! Muitos parabéns, Ano Rosso Quintana!

    Porém, à ilustraçom, tenho de pôr-lhe um pequeno "senom". Se nom me engano essa foto é da compostelana Rua Nova. Nom havia daquela nengumha foto da Rua do "Franco" ;)
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 12:25
    Comentário de: Ano Rosso Quintana [Visitante] · http://www.seioque.com

    Obrigadom, meus caros.
    Vixia, Galeguzo, que as moedas de Franco fosen retiradas en 1997 non lle quita gravidade ao asunto. Levaba sen respirar xa 22 anos. Ademais, foi ao ano seguinte que a peseta deixou de cotizar no mercado de divisas en favor do euro. Pero obrigado pola aclaración. El libro gordo te enseñaaaa, el libro gordo entretieneeee...
    Roda Pés... o dos alemáns foi entre irmáns. As primeiras vítimas dos campos de concentración foron os alemáns, e millóns de xudeos sacrificados tamén. Eran os nazis os que negaban que un individuo puidera ser alemán e xudeo a un tempo. Decir que os alemáns mataron xudeos é cair na súa peculiar maneira de referirse á xente. Os alemáns nazis mataron alemáns xudeos.
    Costadamorte: como moitos, non estamos necesariamente co xuíz Lawrence, mais si coa causa das vitimas do xenocidio franquista.
    Amigo Jenaro: busquei unha foto do "Franco", pero esta valía igual.
    Saúdos a tódolos e tódalas!
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 14:11
    Comentário de: Hermerico Pinheira [Membro] Email
    *****

    Por sorte todo o que conta o artigo é ficçom! Algo assim nom poderia acontecer em nengúm país democrático, membro da Uniom Europeia... :roll:
    Terça, 27 de Abril de 2010 @ 19:46
    Comentário de: Afonso Roda Pés [Visitante]

    Sim...tens ração:oops:. O que se passou é que tinham um sentido muito extenso da família;:)), como meu Gran Hermano Alfonso Rueda:lalala:
    Quarta, 28 de Abril de 2010 @ 11:42
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email

    Todas as guerras som é entre irmãos porque som entre seres humanos. As que tivemos com o país vizinho (por Portugal) forom entre irmãos a nom ser que acreditemos que "os da banda d'alá" som "máis estranxeiros que os de Madrí". As únicas que nom seriam entre irmãos seriam aquelas que eventualmente pudéssemos ter com o Principado das Astúrias, que seriam entre primos-irmãos ;)
    Quarta, 28 de Abril de 2010 @ 12:15
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    E A Guerra dos Mundos também seria entre irmãos porque seria contra os marcianos e os marcianos, como dizia a cançom, "também che som galegos" ;-)
    Quarta, 28 de Abril de 2010 @ 12:18
    Comentário de: Hermerico Pinheira [Membro] Email
    *****

    Senhor Marinhas, nom estará você pensando em entrar na seita raeliana, nom? Que com tanta apostasia e tanta irmandade das estrelas...:crazy:
    Quarta, 28 de Abril de 2010 @ 12:52
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    "Pensando em entrar na seita raeliana" fundada polo Rael nom, mas de tanto pensar acabei por entrar, como o autor d'A Irmandade das Estrelas, na seita dos do cabelo ralo [4] ;)
    Quinta, 29 de Abril de 2010 @ 12:43

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