Mizaru, Kikazaru, Iwazaru são três figurinhas profundadoras que ilustram a porta do Nikkō Tōshō-gū, um templo sintoista do século XVII, na cidade de Nikko, Japão.
Sua origem é baseada num trocadilho japonês, pois a palavra saru, em japonês, significa macaco e tem o mesmo som da terminação verbal zaru, que está ligado à negação. Sendo miru=olhar, kiku=ouvir, iu=falar e zaru=negar são mizaru (o que cobre os olhos), kikazaru (o que tapa os ouvidos) e iwazaru (o que tapa a boca) e que tradicionalmente se explicam como significando os conselhos: "não ouça o mal", "não fale o mal" e "não veja o mal".
São muitas as variantes na ordem e podem topar-se estas figuras em todos os materiais e formas:

A versão galega destes três macacos conselheiros:
Lowzaru (o que cobre os olhos), vilhazaru (o que tapa a boca) e kikazaru (o que tapa os ouvidos), que traduzido em galego cerrado quer dizer: "o que olha para outro lado", "o que dissimula aprofundando" e "o que não escuta ou só a ele escuta".

24 dias de abril de 1846 floresceram como esperança, disse Murguia, e nós, mais um ano na luta, pa!, celebramos no nosso estilo manifesto essa primavera cruel e poderosa que abrolhava o 2 de abril de 1846 quando ao sonoroso - e atual - grito de:
Abajo el sistema tributario!
sublevava-se em Lugo Miguel Solís y Cuetos e dava início à Revolução Galega de 1846. Movimento que teve sucesso, cansas as gentes dessa movimentação de marcos do provincialismo e de se sentirem como se Galiza fosse "verdadeira colónia da corte".
24 dias em que a Junta Revolucionária, fazendo-se eco das fulgurantes ideias de Faraldo, Romero Ortiz, Neira de Mosquera ou Pío Rodríguez Terrazo, propugnava uma independência legislativa, administrativa e tributária para Galiza e deixava para a história uma proposta possível soberana com as principais linhas reivindicativas do galeguismo moderno.
Tal e como já temos contado; três dias depois da batalha de Cacheiras (23 de abril) e da rendição em Santiago de Solís, um julgamento sumaríssimo condenou a morte os capitães.
Julgamento que não foi celebrado em Santiago ou na Crunha por medo à torcida soberanista contra a que poucos dias depois começaria uma forte repressão policial que levaria os principais líderes ao exílio (muitos deles como Francisco Anhom refugiados em Portugal dariam em se fazer lusistas e iniciando à volta a restauração da Língua Galega).
O 27, com noturnidade o protomártir (frito) Solís foi levado ao adro da igreja da freguesia de Paleo (Carral) e foi fuzilado. Vítor Velasco, Chinto Dabán e mais outros dez oficiais foram também passados de maneira ilegal pelas armas na Fraga de Rim e foram enterrados no dia seguinte no cemitério de Paleo. O pároco, testemunha obrigada, na ata de morte acrescentou:
"Espetáculo horroroso. Triste Memória"...
Quase dez anos depois, em dezembro de 1855, e já durante o Biénio Progressista, o governo declararia "Beneméritos da Pátria" os doze fuzilados. As Cortes concederam-lhes a "Cruz do Valor e a Constância" e decretaram a ereção de um monumento, cousa que porém não tomaram mui a sério e o Governo de Leopoldo O'Donnell principiado em julho de 1856 esqueceu.
Pouco antes da chegada dos Conservadores de O'Donnell e dado que os Progressistas não faziam nada a respeito dos "beneméritos" uns ridiculistas precursores chefiados por Eduardo Pondal, Aurelio Aguirre e Luís Rodríguez Seoane também celebrando a primavera dos povos e a fraternidade entre estudantes e obreiros organizaram em Conjo um banquete comemorativo e beborativo, e vestidos de fraque cantaram e recitaram poemas, entanto iam servindo como camareiros os obreiros com que desde aquela se irmanavam. Feitos que foram considerado pelo arcebispado de Santiago um subversivo panegírico da luita de classes e pelas autoridades governativas um ato do independentismo com a conseguinte intervenção da Ordem pública e abertura de causa.
Murguia, que no 1866 e 76, ainda lembrava aquilo do Monumento, ficou para sempre com aquilo que dissera Pondal no ato de "ya brilla nuestra aurora y centellea" (em galego cerrado e céltico "os tempos são chegados") mas a Pondal, Aguirre e Seoane, de serem desterrados às Carolinas daquela parte do Império Pequeno, tal e como queria o fiscal, apenas os livrou, e por pouco, o advogado e a mocidade.
E o monumento, foi esquecido até que depois dos Sucessos de 1894-95 e coincidindo 1896 com o cinqüenta aniversário a Liga Gallega na Crunha organiza a subscrição popular e projeto, que tal como hoje ("Sempre em Carral..." como diz o outro) por problemas "burocráticos" que obrigaram a mudar o projeto Original e alguma que outra pressão por causa do rótulo não foi possível inaugurar até 1904.
De feito há um antes e um depois do informe (1900) da Comissão de Monumentos da Províncial, passo prévio do Ditame da mesmíssima Academia de Bellas Artes de San Fernando. Por resultar o obelisco um bocadinho "antinacional":
observa esta Real Academia que desgraciadamente éste no está inspirado en las buenas épocas del arte sino que por el contrario, recuerda las pocas obras hechas entre el período de la Invasión Napoleónica y la primera guerra civil, en que las artes estaban tan lejos de tener en sus formas el buen gusto de los períodos prósperos de nuestra Nación.

Mas ainda converter o obelisco em cruzeiro, em 1902 ainda demoravam com "problemas" com o texto do letreiro:
El proyecto presentado […] resulta aceptable. Esta Real academia cree sin embargo que debe aconsejar el perfeccionamiento del despiezo y perfiles; que la inscripción de no redactarse en castellano; se haga en el dialecto provincial más correcto sin mezcla de portugués
Enterrados como profecias de sementes os cadáveres a homenagem do nacionalismo tornou-se um lugar comum de reivindicação contra a colonização do Império pequeno e pela liberdade, sendo para além de 1904, muito importantes os Atos de 26 de abril de 1931, em que o escritor e militante nacionalista galego Manuel Lugrís Freire discursou aos congregados, num momento em que se acreditava na Possibilidade de uma república galega dentro de um Estado Federal.

E também o 1º ato de massas protagonizado pelas Mocidades Galeguistas em 1934.

com aquelas palavras hiper-enxebristas e patrióticas do grande X. Mª Álvarez Blázquez:
Irmáns:
Eu vos invito pra a loita. De hoxe en diante prométovos deixar no oco de un albre o meu bagaxe inútel de poeta e ire con vosco a onde vos queirades. E non hemos loitar coma o coello que fuxe da raposa, non; eu sei ben que se o coello fincara os dentes nos fuciños do seu nemigo, tiña xá moito camiño andado pra gañar. Nos temos de dal-o peito, e se en derradeiro termo a raposa nos pilla, morramos co-a ideia de que cando nos xanta a carne hemos tere bo celme.Deitemos a pedra da nosa indiñazón na mansedume eistúpida dos illós e acendamos fachas nos osos dos bos de Carral. Eu sei de certo que os seus espritos andarán con nosco, latexarán a nosa veira e daránnos o bafo lene e balsamado do seu inmorredoiro amor a Galiza.
Eu ben sei que o esprito dos mártires de Carral está con nosco. Por iso non vos prego o minuto de silenzo que pol-os mortos se prega. Eu prégovos coma aos vivos, pois iles vivos están en vos, que vos poñades en pé.
E ainda com o Obelisco convertido em pouco mais que lugar de referencia para aguardar pelo bus, continua a ser objeto de homenagem anual concorrente do Nacionalismo e das forças militares aliadas do Império pequeno, que seguindo os protocolos instaurados pelo Governo progressista ano após ano acompanham os atos. Veja-se a bela foto da homenagem do ano passado com o nosso amigo Ugio-Breogam, conversando com outros simpáticos amigos:
Porém o que os nossos amigos do Império pequeno desconhecem é que na Galiza chove sobre molhado e nada nela tem o seu acaso sem antes haver um porque: Carral tem uma força simbólica que mete medo, porque se é verdade que não se enterram cadavres, senão semente, nesse lugar de passagem entre a Crunha, Lugo e Compostela, respeitado e de grande simbolismo existe desde a Antiguidade como espaço ritual suspeitosamente perto da área da "Grande massacre na batalha" (Avegondo-Mavegondo-Cullergondo-Guísamo-Betanços)como nos tem explicado recentemente o super-amigo Heitor Rodal, segundo as teses do prof. Higino Martins ("As batalhas míticas" em MITOLOGIA e RELIGIÃO Célticas na Galiza).
Nada de raro, pois e como dizia mais cruel e poderoso Lorenzo Varela:
A Rui Xordo
Aramos sobre os mortos nesta terra
i o noso pan ten un sabor de ósos
familiares, irmáns. O monte berra
baixo do arado, e chámannos os nosos,
desde a morte con voces conocidas:«Nin marqueses, nin cregos, nin doutores
fixeron as ribeiras verdecidas,
nin o guerreiro coiro dos tambores.
Os condados do polvo son dos mortos
e quen queira ser dono desta terra
que veña navegando aos nosos portos.
Os que pidan o fruto sin labores,
si non morren de seu, morran de guerra,
e desta terra, así, serán señores».Lorenzo Varela, Catro poemas pra catro grabados, 1944 com Gravuras de LUÍS SEOANE.
A Associaçom Cultural e Teatral "Abril de Lume e Ferro" de Carral e a Causa Galiza tenhem programados atos comemorativos (e bebemorativos) para amanhã sábado, 30 de abril, em Carral e Lugo, respetivamente. Eis os programas de atos de ambos os dous eventos:
Homenagem aos "Mártires de Carral" em Lugo
O 30 abril de 2011, Causa Galiza organiza um ato nacional em lembrança da Revoluçom galega de 1846, a celebrar na cidade de Lugo por ser ali onde trunfou a revolta. O ato vai realizar-se baixo o lema "Semente da Galiza Soberana. A revoluçom galega de 1846" e vai ter o seguinte programa:
18:00h Passa-ruas. Saida do Parque de Sam Roque
Explicaçons históricas a cargo de Bernardo Máiz e Bernardo Penabade.
Actuaçons de música e dança tradicional com a associaçom A Volta do Agro.
Recital poetico na Praça do Campo com Darío Xohán Cabana, Xiana Arias, Daniel Salgado, Jose Manuel Nunes, Alba Méndez, Alberte Momán e outros/as poetas por confirmar.
Ato político na Praça Maior a cargo da Portavocía da Causa Galiza.
20:00h Foliada no CS Mádia Leva! (Rua Amor Meilán).
21:00h Cea no CS Mádia Leva! (Rua Amor Meilán).
Haverá opçom vegana. Preço: 10 euros (12 euros com o concerto)
23:30h Concerto na Sala 982 (Ronda da Muralha):
Ondas Martenot (homenagem a Lois Pereiro)
Das Kapital
Sacha na horta
Os tres trebóns
Lugo sen descansoPreço: 6 euros (12 euros com a ceia)
Para assistir ao ato vam disponibilizar-se autocarros desde Vigo, Ponte Vedra e Compostela, com regresso ao rematarem os atos. Ademais, habilitará-se um espaço para dormir no Centro Social Mádia Leva! (Rua Amor Meilán).
O ano passado Causa Galiza já organizou um ato nacional em Carral comemorativo da Revolta galega de 1846, podes olhar no nosso web o programa do ano 2010 clicando aquí e o manifesto aquí.
Notícias sobre a Revolução Galega de 1846 publicadas há dous anos atrás em Seioque.com:
- Lugo, 2 de Abril de 1846: Aqui há tomates! (QUI, 02-ABR-09)
- Compostela, 15 de Abril de 1846: Que pendons hasteavam! (QUA, 15-ABR-09)
- A batalha de Cacheiras: abril foi o mês mais cruel (QUI, 23-ABR-09)
- A revoluçom de 1846: Tal qual a contamos (SEX, 24-ABR-09)
- Terra e tempo (DOM, 26-ABR-09)
- Vemo-nos HOJE na Livraria Couceiro!(SEG, 27-ABR-09)
- Temidos e respeitados (TER, 28-ABR-09)
- 26 de Abril: véspera em Carral (QUA, 29-ABR-09)
- Keanu & Antolim (QUA, 02-SET-09)
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