Quando se fala do marechal Pêro Pardo de Cela (mais familiarmente alcunhado de O Cabeçom, ao menos desde 2008 ;-)), costuma falar-se também da Frouxeira, a sua principal fortaleza, situada em terras da Marinha.
Porém, pouco ou nada se fala de outras das suas fortalezas, e parte da culpa também a temos nós com tanta Frouxeira por aqui, frouxeira por alô...
Para compensar um pouco este desequilíbrio histórico, vamos falar agora de Cal da Loba [1].
A Torre de Cal da Loba[2] está situada na freguesia do Pinho (Cospeito), no coraçom da Terra Chã. A torre da homenagem é o único que se conserva da fortaleza medieval do século XV. Está assentada no alto de um outeirinho (que por sua vez se ergue acima de um outeiro como é devido) e originariamente estava defendida por quatro profundos fojos que ainda hoje se conservam, se bem nom com o esplendor que devêrom ter na época (mais bem parecem hoje bucólicos e floridos passeios).
A torre, de granito e lousa, tem 10,2 metros de lado, umha altura de mais de 30 metros e um grosso nos muros de 2,65 metros.
Segundo as fontes historiográficas, o castelo de Cal da Loba / Vila Joám recebeu-no Pardo de Cela em herança polo casamento com Isabel de Castro, se bem quem habitualmente moravam nele fôrom a filha, Constança de Castro, mais o genro do marechal, Fernão Ares de Saavedra.
Como curiosidade, nas imediações do castelo (cujos acessos estám pessimamente sinalizados, por certo) há um indicador que conta um bocadinho a história da construçom e as suas características arquitectónicas. Pouco nos interessa debulhar nos detalhes (alguns dos quais colhemos para este relato), mas sim o parágrafo final, no qual parece alviscar-se umha certa épica (nacional?) galega contra o centralismo:
Durante o levantamento popular dos Irmandinhos, na fortaleza ressistírom Constança e Fernão Ares de Saavedra, filha e genro respectivamente do último reduto da nobreza galega que ofereceu resistência à centralizadora política de Castela, estabelecida polos Reis Católicos.
Consta-nos que ainda há mais história (e histórias) vinculadas com a Torre de Cal da Loba, assim que esperamos ter a oportunidade de vos oferecermos no futuro um novo artigo a respeito.
NOTAS
[1] Popularmente (e nem só) também é conhecida como Castelo de Vila Joám.
[2] Segundo a toponímia oficial é Caldaloba, mas já sabemos a mania no galego da Junta de escrever tudo todojunto (exemplos: Toxosoutos, Penacorveira, Pontevedra, Pontesampaio, Niñodaguia...).
Cal 1 s. f. Quím. Óxido de cálcio (CaO) que se combina com o ácido carbónico, e forma a pedra e o mármore ou com o ácido sulfúrico, e forma o gesso. Cal apagada: hidróxido de cálcio, em oposiçom a cal viva, o óxido de cálcio. Água de cal: água na que se dissolveu hidróxido de cálcio. De pedra e cal: muito resistente [lat. calce].
Cal 2 s. f. (1) Canal estreito por onde se precipita a água desde a presa ao rodízio do moinho. Sinón. Bucil. A cal da fonte: pedra ou tábua acanalada para recolher a água da fonte. (2) Parte mais profunda do sulco. (3) Espaço de terra formado pola parte baixa de duas montanhas ou alturas pouco distantes entre si. (4) Peça do tear onde encaixam os pentes [lat. canale].
Cal 3 s. f. Fardel em que se dá a cevada ao animal.
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