
Seguramente muitos dos nossos leitores estám enganchados à derradeira temporada de Lost (Perdidos) a série estrela da FOX estes últimos dez anos e que mistura sobrevivência, mistério, fantasia, retrofuturismo, misticismo e amor numha complexa trama que liga todos os personagens. E nom som os únicos viciados com as aranheiras narrativas: Desde os seareiros de Tolkien que podem dizer porque maos passou o Silmaril desde Fëanor ate Eärendil, os adictos aos ruge-ruge de The Gossip Girl ou os que gorentam pola a saída do prelo do seguinte romance-rio de George R.R. Martin. Algumha dessas pessoas ficariam surpreendidas de saberem que todas essas histórias tenhem os seus antecedentes nos mitos e na História real.
Sim, porque The Gossip Girl nom fai mais que recuperar a tradiçom literária de Jean Austen -que ela mesma exportara desde o século XVIII-, Tolkien beber dos mitos nórdicos e saxons ou "Cançom de Gelo e Fogo" da Guerra das Rosas entre as Casas de York e Lancaster na Inglaterra do século XV. Vemos claramente que a complexidade e a épica do passado podem adaptar-se com grande sucesso aos media modernos para que novas geraçons gozem com eles. E senhores, na história antiga da Galiza temos umha fonte inesgotável de ideias: Os reinados, desventuras, guerras, namoriscas, traiçons, assassinatos, tonsuras e vidas dos reis suevos. Para mostra vejam este pequeno esquema que resume, mui resumidamente, as relaçons entre os principais actores de só 14 anos de história sueva. Todo segundo a imaginaçom de Benito Vicetto:

E isto só resume os enfrentamentos entre o Príncipe Negro e o Príncipe Branco! E dá para várias temporadas! Estarreço-me só com pensar que umha produtora com quartinhos tomasse a ideia, contratasse uns bons roteiristas e actores decentes -melhor "decentes" nom, mirem o bom resultado que tem The Tudor, apostando pola nom-decência mas sim pola qualidade das actuaçons- e desde o ecram do nosso televisor observássemos como os sacerdotes de Odim coroam a cabeça do traidor Genserico (Brais Abad? Martinho Rivas?) da mao da pobre viuva Hildemira (Rosa Puga) mentres o seu conselheiro e amigo Heurico (Luís Tosar) prepara a vingança pola morte anos atrás do seu pai, o Conde Elfe, a maos da casa reinante? Nom bem a Maria Castro fazendo da intrigante Oaria e a vez traída, filha do Conde Deça (Gonzalo Uriarte) quem matara o único amor da filha para a casar co rei? Quem faria do Príncipe Negro, Hermengário, valente e heróico mas profundamente namorado da filha do homem que figera ajustiçar anos atrás, Alira irmá dum dos seus maiores inimigos!?
As possibilidades som enormes! Mágoa que nengumha produtora queira arriscar, ao nom existir umha televisom na Galiza interessada em dar um pouco de brilho no passado do nosso país, ou de emitir produtos de qualidade. Nom falamos já da TVG, as da TDT nem as mirem.

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