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    Ano Rosso Quintana
    Sexta, 20 de Novembro de 2009

    Gloria Lago já pode morrer tranquila. Nom o dizemos por mal, é que segundo dixo no seu dia José Martí, poeta e heroi da independência cubana, há que fazer três cousas na vida: plantar umha árvore, ter um filho, e escrever un livro. Gloria Lago já botou da tripa un vástago, e suponhemos que a falta de árvore, vale toda a cizânia que leva sementado. Agora completa esta tríada da realizaçom humana escrevendo um livro, a sua contribuiçom altruista à desflorestaçom do planeta.

    O tocho chama-se El reloj de Cuco, e foi apresentado ontem, 19 de novembro, no restaurante do El Corte Inglés de Vigo. Gloria apareceu radiante, como ela é, con esse ar próximo e familiar. De feito, todo o mundo ali se tratava de maneira mui próxima e familiar. Entre eles, e com Gloria. Porque Gloria é assim, umha mulher que sabe atrair os afetos de todos os fantasmas espectros sociais. Porque de espectros familiares vai a sua novela. A história dumha saga de industriais viguesa que depois de tocar o olimpo dos deuses, ve-se arrastada ao lodo da iniquidade (sempre quigen dizer isto) pola desgraça e o infortúnio, materializado em forma dumha cruel sentença judicial dictada por un aparelho político repressor que nom tivo em conta afectos nem quereres.

    Por que agora tira à luz esta história? Porque Gloria é a nosa seguidora! Assim o reconhece ela na sua nota de imprensa:

    “La obsesión por minar la imagen de Lago llevó a algunos adalides y cómplices del nacionalismo gallego a abrazar sin duda una cuestionable resolución de la Justicia franquista que afectó directamente al padre y al abuelo de la ahora escritora. Ella decidió entonces hacer público este relato basado en entrevistas personales y mucha documentación, sobre todo en las actas de un sobrecogedor juicio”.

    O textículo tem algumha imprecisom: Nós nom estamos obsesionados com Gloria Lago nem com minar a sua imagem. É algo que ela sabe fazer sozinha ferpeitamente. Tampouco somos adalides, nem cúmplices do nacionalismo. Somos nacionalistas directamente, se quer, e a nossa maior arela é deixar de sê-lo. Preferimos inclusive que nos denomine “esbirros”. Mola mais. E também está trabucada porque nós nom queremos botar merda sobre ela usando a sua família. A sua família emerdou-se sozinha intoxicando, e Gloria emerda-se sozinha intoxicando. Nós só informamos, porque somos dessa imprensa que "fai de tripas coraçâo". Mas nom podemos deixar de reconhecer-nos na sua descriçom, pois foi neste libelinho nosso e humilde que ligamos o apelido de Gloria com aquela saga de assassinos vigueses. Umha indústria que envenenou milhares de pessoas na década de sessenta do século passado, mandou mais de mil à tumba e deixou cega a centenares de víctimas, porque os seus amados progenitores adulterarom com álcool metílico a metade de preço o licor e a aguardente com o que os pobres daquela quentaban a gorxa.

    Asim que ali fomos, estar presentes na apresentaçom ante a alta suciedade sociedade viguesa do seu livro, que é o mesmo que a nossa apresentaçom. Porque Gloria non seria escritora de nom ser por nós. E tem que no-lo agradecer. Como nós lhe agradecemos tantas e tantas horas de diversom.

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    Escrito às 0:04 nas categorias: Sempre nos meios, Ano Rosso Quintana