No ano 832, numha Escócia assulagada polas trevas da noite medieval, os reis Angus II Mc Fergus de Alba e Eochaidh de Dalriada dirigiam um exército picto contra os anglos comandados por Aethelstan de East Anglia, polo controlo da bisbarra de Lothian. Aos escoceses vinherom-lhes más cartas, e a vitória parecia longe. Mas durante a noite, o rei Angus sonhou com o Apóstolo Santo André, (as relíquias do qual estavam enterradas em Saint Andrews, logo de ser misteriosamente transladadas desde Constantinopla no século IV) e o rei pediu-lhe pola sua sorte. No dia a seguir, os amedrontados pictos olharom como o ceu azul da manhã aparecia cruzado por duas faixas de nuvens, em forma de aspa, a cruz na que o santo fora executado en Pátras, e a moral subiu como a escuma. Os Pictos e Escotos vencerom, o rei anglo Aethelstan morreu no campo de batalha, e os escoceses adoptarom a cruz de Santo André branca como umha nuvem cruzando o azul do ceu como a sua bandeira nacional. Por essa razom, ademais, os escoceses celebram o Santo André , hoje 30 de novembro, como o seu dia nacional.
Desde estas escuras batalhas esquecidas mais de mil anos atrás... que se passou com a Escócia?
Resposta:
Escócia tem o seu próprio governo e parlamento, mas carece de competências em impostos, segurança social, relações internacionais, exército e controlo dos meios de comunicaçom, ademais doutras áreas. Na Escócia governa (en minoría) o SNP ou Scotish National Party, independentistas de salom, frente ao 65% de liberais, conservadores e laboristas, partidarios da uniom com a monarquia inglesa. A acçom do governo escocês limitou-se a proibir o tabaco em espaços públicos, e a liberar de taxas a assistência aos velhos e a educaçom (até a Universidade). Os escoceses podem, isso sim, torcer para sua selecçom nacional quando joga contra a inglesa. Tenhen a sua pópria liga de futebol (desporto de invençom inglesa) e de rugby (desporto, tambén, de invençom inglesa), e participam nos mundiais, caso de classificarem-se. Tambén há desportos de origem escocesa. O mais famoso é o golfe, mas as suas origens bucólico-pastorís estám hoje tam transtornadas polo pijismo que todo o mundo está disposto a acreditar que tambén é inglês. Os desportos escoceses que todo o mundo lembra som o lançamento de pedra (mui gorda), o lançamento de poste de telégrafo e o lançamento de anano. Todos estes eventos (como o festival de Cowal Highland) costumam a aparecer nos noticiários de meio mundo, nas novas de recheio que aparecem antes de dar o tempo para o dia seguinte.
Escócia é tambén conhecida mundialmente polas suas gentes que se vestem de saia, tocam a gaita, e tacanheam os quartos. Há mais destilerias de uísque que em nengum outro pais do mundo. Apesar da chuva, muitos turistas se chegam ao pais a admirar as suas pitorescas paisagens, e os seus lagos, com a esperança de ver neles monstros antediluvianos.
Além disto, nada há que diferencie un inglês dun escocês. O escocês actual vem sendo um inglês que fala cum peculiar sotaque, poda que salferido de expressões do terrunho para dar-lhe sabor local. Botará peito para proclamar a sua escocidade em determinadas datas e eventos, relacionados geralmente com algumha competiçom desportiva, e cumha virulência em relaçom directa com o seu grau de etilismo, mas aginha voltará a someter-se a umha cotidianidade dominada polo modo de vida tipicamente british. As gaitas e o tartám ficam mui bem nas festas dos velhos, mas a mocidade prefere Britney Spears. Do gaélico ficam algo menos de 60.000 falantes reconhecidos, 7.000 menos que no ano 1.991. Apenas som 1’2% da populaçom. Das 900 paróquias da Escócia apenas há 9 nas que os seus falantes sejan mais da metade.
Isso sim, o governo escocês quer promover um referendo sobre a autodeterminaçom da Escócia no ano 2010. Os partidos unionistas, que som maioria, negam-se. Os argumentos som de sobras conhecidos: O que os nacionalistas querem é “rachar com o Reino Unido”. O referendo é “um esbanjamento dos quartos”, que cria “divisom e incerteza”. “A cruzada nacionalista (sic)” conduiciria a “um beco sem saida constitucional”. “O povo escocês nom quer a independência, e nós tampouco”, declara umha lideresa laborista, reconhecendo implicitamente que pensa como o povo escocês, mas nom é o povo escocês.
Mália que segundo os inquéritos “só” 38% estaria a favor da independência, 58% estám a favor de celebrar um referendo para poder decidir o seu futuro. Quiçá os escoceses escolham serem ingleses. Mas polo menos eles terám a oportunidade de ser algo completamente diferente.
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