
Equipados com a levita azul cobalto de Faraldo, sentindo-nos plenamente dandistas, temidos e respeitados logo de escutar os nossos cracks, achávamo-nos com vontade irresistível de nos perguntar pelo sono em que se debruça Galiza... um passo adiante e outro atrás...
Sei o que nos figestes... nos últimos 525 anos continua a comemorar a revoluçom galega de 1846 com um programa digno de Cristina Lasvignes:
Prudencio Viveiro Mogo
Especialista em História ContemporâneaUgio-Breogám Diéguez Cequiel
Especialista em História ContemporâneaLuis Gonçales Blasco "Foz"
Crack em geral
A tertúlia terá lugar a próxima segunda-feira, dia 27 de abril, às 20h00 (hora pequeno-imperial) em pleno campo de batalha: a livraria Couceiro (praça do Pam / Cervantes, 6) de Santiago de Compostela.
A nom perder!
Hoje cumprem-se 163 anos da batalha de Cacheiras, um lugar actualmente conhecido polas suas tortilhas servidas num misterioso estado da matéria entre o sólido e o líquido. Mas em 1846, nas abas de Montouto batérom-se algo mais do que ovos.
Aquele abril revolucionário começara o dia 2 na praça maior de Lugo, com o levantamento do comandante Solís contra o governo pequeno-imperial do general conservador Narváez, alias El Espadón de Loja. A rebeliom comandada polos militares liberais e os intelectuais galeguistas estendeu-se como um regueiro de pólvora a todo o país salvo as praças da Crunha, Ferrol e Ourense que permanecem, porém, cercadas polos sublevados. O 15 de abril constituía-se a Junta Superior do Governo de Galiza, com Pío Rodríguez Terrazo como presidente e Antolín Faraldo de secretário. O braço militar da insurreiçom estava presidido por dous marechais de campo: o próprio Solís, comandante, e Rubim de Celis, brigadeiro.
Estes acontecimentos provocárom a queda de Narváez, mas a primeira medida do novo governo foi mandar o marechal de campo Juan de la Concha à frente dum exército para sufocar a revoluçom galega.

O comandante Solís, fino estratega andaluz versado nos mais modernos tratados de guerra, decidiu esperar o inimigo na Pena Escorredia, entre as casas da Ribeira e o cume de Montouto, para lançar um ataque surpresa ao amanhecer. Porém, nom contava com a fúria espanhola de Concha, que devia vir recém comulgado da missa de campanha e lançou uma brutal ofensiva baseada no «patapum p’arriba» que anos mais tarde faria popular o treinador Javier Clemente. Entre isto e que o exército galego do Sul, comandado por Rubim de Celis, nom chegou a tempo, o resultado estava cantado.
As tropas insurreitas tivérom de se retirar à cidade de Santiago de Compostela, onde se consumou a derrota. Luitárom casa por casa e corpo a corpo, mas afinal pedírom papas no mosteiro de Sam Martinho Pinário, após conseguirem que se deixasse saír a tropa, a cámbio de os oficiais se constituírem em prisioneiros. Também lhes prometem um juízo justo e que seria a jovem rainha Isabel II quem tomaria a decisom final sobre a sua sorte.
Esta última promessa foi incumprida, nom por culpa de Concha senom de Villalonga, na altura capitám-general de Galiza: o dia 26 de abril de 1846, o protomártir (frito) Solís e onze dos seus oficiais fôrom fusilados no adro da igreja de Santo Estevo de Paleo, em Carral. Na acta de defunçom, o pároco escreveu: "Espectáculo horroroso. Triste Memoria". Porém, dez anos mais tarde, uns chavalitos chamados Eduardo Pondal, Aurelio Aguirre e Luís Rodríguez Seoane organizavam em Conjo um banquete comemorativo, que foi considerado polo arcebispado de Santiago um panegírico da luita dos pobres contra os ricos. Solís estava na pataqueira, mas aqui seguia havendo tomates.
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