Está a ser a sensaçom na rede galega nas últimas horas: Um vídeo de 8 minutos no que Marta López, concursante da versom espanhola da criaçom mais senlheira da produtora neerlandesa Endemol, o Grande Irmão, disserta sobre a sua experiência com a língua da Galiza. Se estivestes desligados do mundo e nom o vísseis cá o tendes:
No quartel-general de Sei o que nos Figestes... nós últimos 525 anos assistimos com a boca e os olhos mui abertos, guardando um silêncio monacal só interrompido com breves expressons de vergonha alheia ou de total recolhimento perturbador. Sofremos por minutos umha caste de síndrome de Stendhal inverso no que nom nos atrevíamos nem a pestanejar para nom perder um segundo de galegofobia. O êxtase perdurou por minutos após o vídeo ter rematado. Num lapso de mente-colméia reproduzimos mais umha vez a peça audiovisual, afrontando o risco certo de morrermos por sobredose, só protegidos pola nossa longa experiência nas entranhas mais escuras do mundo galegofóbico. Depois de repetir os momentos mais memoráveis começamos, ainda atordoados e assombrados, um labor de exegese que tinha como objetivo redigir umha entrada no blogue para analisarmos cada segundo do argumentário da criatura.
Foi imersos nesse labor quando reparamos em algo surpreendente. Percebemos que todos e cada um dos argumentos da galegofobia supremacista espanhola estavam presentes no vídeo. Fiados sob umha capa de "y tal" y "¿Vale?" e de gagejos da expressom oral própria dos infraseres que participam nesses programas, estavam todos os pontos de referência da dialéctica de Galicia Bilingüe, Feijóo, Jesús Vázquez e Anxo Lorenzo. Lá estavam as dificultades dumha rapariga "bien" de Lacoru para ler e estudar livros em galego, acompanhados da picaresca de os comprar em espanhol; a "consciência" dos preconceitos de "épocas anteriores" mas que agora estavam refrendados polo facto do galego ser de "nacionalistas" e só bonito quando é falado "nom mui bruto". Também estava o respeito à lingua, tal como entendem a palavra eles: nom o falar por "nom estropiar". Ou o argumento eterno de que entre a gente nova a nossa língua é património de "nacionalistas exaltados" que falam realmente espanhol e passam para o galego por... cojones. E todo requintado com ponto redondo de as raparigas "normais" -que participam ou vêem Gran Hermano, falam espanhol, vam de pubs, engatam com raparigos jeitosos e levam umha vida normal, aliás umha vida espanhola- perceberem o galego como um traço "dá bajón".
Repassamos mais umha vez o vídeo, polo miúdo, de vagar e aflorou a dúvida sob e sobre os nossos chapeus: A concursante, a pesar de demonstrar todos os indícios dum analfabetismo funcional -em galego ou em castelhano- passava por todos e cada um dos tópicos do discurso supremacista com um verbo pouco florido porém fluido, compondo umha peça de exposiçom auto-coerente. Até parecia que seguisse um roteiro detalhado. De começo duvidamos das nossas próprias suspeitas, sabemos bem que umha parte da populaçom -e mais a gente nova- está tam alienada por esses argumentos repetidos desde as instituiçons que era possível que todos calharam à vez nessa conversa informal. Podia acontecer, era arrepiante mas era totalmente possível. E quando os nossos coraçons estavam a piques de se abandonar de vez à desesperaçom e nom sabíamos se escrever um post para o blogue ou um fado, um correio entrou, com som agudo de aviso, na caixa de correio secreta da nossa organizaçom.
Era umha missiva dum dos nossos muitos agentes secretos esparegidos pola Galeguia e parte do estrangeiro. Criptoridiculistas que com valor, e num número que nom revelaremos, perfundem todas as capas da nossa sociedade e da alheia. Ocultos entre as linhas dos inimigos, dos amigos e até das nossas próprias linhas. Sombras às que devemos muitas das nossas exclusivas de rachar. E como numha pingueira de verdades fluíra até nos uns documentos que esclareciam -para tranquilidade das nossas almas- a origem do vídeo. Era, como suspeitáramos, umha fabricaçom. Umha cuidada e profissional montagem que procura atuar como revulsivo da dormente consciência da nossa juventude, empregando umha das ícones da anti-cultura espanhola. Um construto com intençons virais para ativar as defesas do nosso corpo contra os germes putrefactantes do auto-ódio e o racismo importado polo Império Pequeno. Embora for umha estratégia genial e moderna nas nossas mentes sensíveis causou umha caída momentânea no desespero ao perceber que essa hipérbole cómica interpretada pola Marta López podia ser perfeitamente real. Nós, que coabitamos com o humor e os duplos sensos na nossa luta anti-colonial diária, sofremos o engano. E como o sofremos! Admitimos cá o nosso erro.
Fique o parágrafo anterior como desculpa antecipada para qualquer que considere que a publicaçom destes documentos pode resultar num aborto de toda a campanha. Nom é para nada a nossa intençom, pois confiamos em que a meirande parte dos nossos leitores chegaram, como nós, até estas mesmas conclusons polos seus próprios médios. Entenda-se pois a inclusom de parte desse documento que chegou até as nossas mãos como umha homenagem a quem imaginou e deu forma à idéia. Procuramos, isso sim, nom publicarmos mais do que umha pequeníssima parte, duas páginas, dum extenso roteiro que inclui também futuros capítulos que gorentamos por assistir.


Pampa quedei ao me inteirar por certo jornal de que a Deputaçom de Ponte Vedra exige o castelhano para aceder a umhas subvenções. E digo bem exigência, nada de recomendaçom, por muito que a legislaçom vigorada na Galiza seja clara a respeito.
Poderia ser que eu tivesse más entendedeiras, mas é que as instruções emanadas polo organismo amigo de Galicia B. som claras como a água e indicam, textualmente, que «La solicitud tiene que venir redactada en castellano». Este é um dos requisitos que cumpre ter «muy presente dada la estricta rigidez de las normas reguladoras», sob perigo de «pérdida de la subvención correspondiente».
E, de supetom, retrocedim muitos anos.
É necessário que se depurem responsabilidades a respeito desta atrocidade. Nom, nom me refiro à galegofobia, que já nom é novo. Refiro-me ao uso da tipografia Comic Sans para um fax institucional... a quem reclamo eu agora os (espero que só passageiros) danos visuais que me provocou?
Os nossos contactos no interior de Sam Caetano filtraram informaçom sobre as próximas linhas de acçom da Xunta Feijooana: Depois da histórica manifestaçom do 21 de Janeiro, com 60.000 pessoas reunidas na Praça do Workshop-Obradoiro-Taller, que consideravam sob controle após a infiltraçom de três ou quatro agentes da divisom de bombeiros-toureiros pirómanos do aquartelamento de Soto del Real, Feijóo e os seus minions vem perigar parte da sua imagem pública. Por isso encarregaram uns rascunhos para umha campanha de publicidade institucional que translade os piares básicos do governo à mente da populaçom.
Mas umha vez o que escreve estas linhas infiltrou-se no boca do lobo, desta vez só com um disfarce de tonadillera e um garfo de prata do enxoval da boda do Conde de Lemos, para obter algumhas das provas de impressom desta campanha de alienaçom mental. Cá os resultados:
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