
A segunda vez que temos notícia da participaçom dumha mulher num acto público tem lugar no conhecido como o Gran Mitin das Arengas, em Julho de 1934, no qual participam dazanove dirigentes nacionalistas, entre os que aparece Emília Docet, a qual intervirá em antepenúltimo lugar, justo antes de Castelao e Outeiro Pedraio. A “nota curiosa” desta intervençom, ou melhor dito a explicaçom plausível desre repentino liderato, achamo-la em que Emília Docet fora a ganhadora do concurso Miss Espanha no ano 1933, sendo a sua participaçom neste acto umha importante imagem publicitária para o PG. A crónica que fai ANT da sua intervençom é bastante significativa e reveladora do conteúdo da mesma:
“ Emilia Docet pronunciou a arenga mais breve, mais singela, mais fermosa... porque soupo comunicarlle a gracia e a fermosura da sua gentilo figura de muller.” (ANT 341, 25/07/1934)
Surpreende que, num comício em que intervinham dezanove pessoas seja relevante e qualificado de positivo que alguém pronuncie umha arenga breve, curiosamente a única mulher. Os qualificativos outorgados à figura em questom, seguem na mesma linha indicada anteriormente, ocultando deliberadamente a mais mínima mençom ao conteúdo político da intervençom. No caso dos oradores masculinos, ANT fará um resumo pormenorizado das suas reivindicaçons políticas.
Assim fala Noa Rios Bergantinhos na sua, aliás interessante, participação no congresso sobre o vulto de Bóveda celebrado em 2,003 e cujas atas foram publicadas em 2,009 (das mesmas tirei a minha citação).
Noa Rios parece crer que Emília Docet era algo assim como um floreiro para o Partido Galeguista e nada mais longe da realidade. Considero que vou esclarecer que o papel de Emília Docet no Partido Galeguista não tinha nada a ver com o de floreiro.
Tanto Noa Rios Bergantinhos como o nosso Conrado Lousada de Lemos equivocam-se ao citarem ANT 341, 25/07/1934; se calhar o seu erro vem condicionado por consultarem a edição fac-similar do jornal nacionalista: está montada de tal jeito que é fácil confundir um número com o seguinte. Contudo resulta estranho que uma historiadora avezada como Noa Rios não se desse conta do erro: mal podia informar A Nosa Terra de 25 de julho dos atos acontecidos esse mesmo dia, trata-se do seguinte número: o 342 datado a 4 de agosto. Aliás, não eram apenas “dirigentes nacionalistas” como diz Noa Rios, não se podem considerar como tais (em 1934) Ramón Piñeiro, Henrique Peinador e muitos outros dos oradores. Além disso, no mesmo jornal informa-se:
Ao rematar Banet Fontenla (1), o irmán Illa Couto (2) anuncia que acaba de chegar Emília Docet , “a primeira muller que soupo sentirse orgulosamente galega fora da súa Terra”
(1) O segundo dos oradores.
(2) Das Mocidades Galeguistas, como Emília Docet.
Vejamos agora quem era Emília Docet: filha de mai peruana, nasceu em Vigo em 1913 e cursou estudos na Escola de Comércio de dita cidade, não eram muitas as mulheres que estudavam naquela altura. Aliás, era uma excelente desportista que praticava remo e natação no Clube Marítimo da Crunha, ali ensinou os seus companheiros a prática do crawl, estilo de natação que então resultava uma novidade.
Emília Docet comprometeu-se, a fundo, com os problemas sociais e políticos da sua Terra; por exemplo apresentou-se perante o ministro de Agricultura da República para lograr que lhes levantassem o embargo a 7,000 camponeses do Porrinho avalistas de um empréstimo estatal para levantarem um matadoiro nessa vila.
Porém, a causa a que mais se entregou Emília Docet e pela qual é mais conhecida foi a da liberdade da Galiza. Pertencia ao Círculo Galeguista de Vigo e uma vez criado o Partido Galeguista formaria parte do mesmo até a criação das Mocidades Galeguistas, onde por razões de idade militaria.
Emília Docet recebeu várias homenagens; a mais conhecida seria o banquete, celebrado em Ourense a 14 de junho de 1934:
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Na imagem estão Vicente Risco (beira esquerda) e Otero Pedrayo, diante da bandeira; também Álvaro Cunqueiro, o poeta Manuel Luís Acuña, Ramiro Illa Couto, Leuter González Salgado , Afonso Vázquez Monxardín, Fita ou Josefa Bustamante (mulher de Otero), Manuel Peña Rei (presidente do PG em Ourense), E. Blanco Amor, José Luís Ramos, José Goyanes, etc. ). Aparecem todos os assistentes identificados no livro que Edicións Xerais lhe dedicou a Manuel Luís Acuña.
Como informava o nosso companheiro Conrado Lousada de Lemos em janeiro de 2,009; a Milinha, como era conhecida pelos amigos e camaradas do PG, decidiu que havia que chamar a atenção em Madrid quando se celebrar o concurso (14 de fevereiro de 1933). Assim o conta o caro Conrado:
A ideia fora da própria Emília. Quando lhe falamos de chamarmos a atenção sobre a nossa secular dependência, foi ela quem diz: "Não mais voltas, berrarei Viva Galiza Ceive! E já vereis como entendem. Já vereis esses do ABC, hó!".
Como se vê Emília era uma mulher moderna, culta, desportista, preocupada pela realidade social e política do seu tempo, com um certo aquele de “dandismo”. Os tempos mudam e podemos estar seguros que hoje Emília Docet não se teria apresentado a nenhum concurso de beleza como fez em 1933, seguramente pressionada por parentes e amizades.
Conrado Lousada de Lemos acabava assim a sua exclusiva de janeiro de 2,009:
Nós hoje, como ela naquela altura, berramos também: Viva Galiza Ceive (e socialista)! Decerto que, se a Milinha nos pudesse ouvir, responderia forte com as mesmas palavras que pronunciara para genreira castelhana.
Hoje, no aniversário de Emília Docet finada em Vigo a 2 de fevereiro de 1,995: quero render-lhe a minha homenagem a esta patriota / matriota que sempre ficará na nossa memória.
Honra eterna a Emília Docet, matriota galega!!!

Mas como o feito de aguardarmos na taberna próxima à igreja, que chovia para dar ambiente e vinte anos de distância achegam; e os ribeiros fizeram (tenho que dizer para ser sincero) o seu trabalho, a conversa decorria por espaços de muita normalidade.
Até tal ponto que depois de algo de rir e mais rirmos falando de gentes e falcatruadas de patacão da política dos diferentes coletivos nos que nos andamos nestes anos cada um pelo seu rego e caminhos separados e ainda na distância coincidindo com outra gente comum mas não “dos nossos” segundo o momento e o espaço, metemo-nos num jogo que lhe recomendo e recomento ao curioso leitor.
Colocamos numa tabela, ao jeito do Excel, colunas de Coletivos, Associações, Grupos, Sindicatos, Partidos, germolos de Partidos, projetos, germolos de projetos, publicações, germolos de publicações... nos que tínhamos participado ou andado por aí... e nas filas os nomes de umas 100 pessoas que tínhamos mais ou menos em comum e procedemos a ver onde se repetiam os nomes; ou o mais interessante, e que procurávamos: de quantas pessoas formavam em realidade as bases ativas dos diversos coletivos quais eram comuns – e portanto básicas - a todos?
Os resultados... recomendo aos nossos leitores repetir o experimento... foram fascinantes porquanto não conseguimos nem achar o número salvador de 10 homens (nem mulheres) justos que percorreram como elementos de união e símbolo todos os principais coletivos.
Isto deu para mais rirmos, porque evidentemente e quitando casamentos ou enterros, como bons celtas seica esqecéramos que um Cameron nunca se sentará acarão de um MacLean por alguma cousa indefinida, mas muito ofensiva acontecida, há 1200 anos, 4 meses, 6 dias e 3 horas. E obviamente uma cousa ofensiva mas indefinida que possa ter acontecido há 3 horas será perfeitamente recordada e debatida ad eternitam e impossibilitará a qualquer um membro de clã que se considere para se sentar dentro de 1200 anos (4 meses e 6 dias) à beira de um descendente do clã ofensor.
É por isso que chegamos à conclusão que hoje exponho de ser absurdo tratar de elaborar espaços e programas comuns. "Os outros" são "os outros" e logo malignos e por isto e como é sabido, na Galiza quando alguém propõe qualquer coletivo ou projeto concilia (seguindo aquele ditado que Groucho Marx apanhou de Samuel Goldwin: "Include me out") mais críticas e opiniões à contra de gente indignada e apocalíptica quanto a previsões em caso do projeto encetar do que gente disposta a colaborar ainda que seja deixando fazer (que não é pouco) ou ainda dando ânimos (o que já é muito) desde a barreira.
E em conclusão achamos que, ou talvez foi o ribeiro o que deu o voto concordante, já que deve estar encravado no ADN, que o único projeto possível exitoso e maciçamente apoiado, seria fundar, seguindo também a Groucho, esse coletivo que nunca admitisse sócios que quisessem ser admitidos em nenhum clube senão apenas todos aqueles que concordarem uma e outra vez com o princípio INCLUDE ME OUT... Lista aberta.
Devemos ao amigo Antom Santos, presente entre o público da tertúlia dandy celebrada n'A Cova da Terra, Lugo, em 21 de novembro de 2009 a referência ao texto programático que serve de título e recordatório para hoje, 6 de maio, lembrarmos um dos grandes do galeguismo: o dandy, ironista, céptico, modernista, ridiculista e ativista, Arturo Noguerol Bujam, quem de não o ter impedido as balas selvagens dos feixistas em setembro de 1936, celebraria hoje – não duvidamos- com nós os seus bons 118 anos.
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