
Há poucos dias, a imprensa séria do País dava conta de umha notícia bem singular: a Junta patrocina umha exposiçom sobre extraterrestres. Embora patrocinada polo governinho feijoano, será para uso e desfrute do público mais aguerrido, pois esta exposiçom andará pola capital do Império Pequeno.
Segundo informações jornalísticas, este evento intitula-se El Diseñador de Especies, e baseia-se num livro de Herikberto M.Q., a.k.a. Heriberto Muela Quesada, em que se afirma que a evoluçom das espécies no cosmos é muito similar, ideia que exploram o seu trabalho e a amostra, mas também outros sucessos, relata GC:
O propio autor asegura deste libro que “está inspirada en la propia vida del artista, y tiene un transfondo realmente misterioso; puesto que relata extrañas experiencias juveniles que tuvo el autor y su familia con una civilización extraterrestre”.
Nom deixa de ser lamentável curioso que esta nova seja, no tempo, mais ou menos paralela do desmantelamento do sistema de I+D+i galego, com reduçom de bolsas e do orçamento destinado à investigaçom... ou simultânea com as declarações de um exultante Feijóo atribuindo a poderes de outro mundo o suposto êxito do Jacobeu/Xacobeo. Para que investigar podendo crer, para que governar podendo rezar?
Mas se pensam que esta minha reflexom é umha chança (1, e novamente 1), andam bem erradas/os. Eu, mais bem, creio que é apenas o começo do que vai vir, um globo sonda para testar (in)sensibilidades, porque, como alertávamos no verão, caminham entre nós.

Nestes dias de celebraçom solsticial, chegou às caixas de correios dos docentes galegos, bem como ao portal educativo da Conselharia de Educaçom, a tradicional felicitaçom da Administraçom aos seus abnegados empregados.
Esta vez, o postal baseia-se num desenho feito por rapazes de umha escola de educaçom especial: umha árvore de natal algo abstracta em cálidos tons dourados, sobre a qual se sobreimpressiona em letras brancas o retrouso d'Os reis do Caurel, panjolinha argalhada polo poeta courelao Uxio Novoneyra, a quem o Apalpador, seica, nom visitava. Versículos que rezam o seguinte:
Brilan altas as estrelas,
Brilan cunha luz moi clara
Máis brila Xesús meniño
Deitadiño nunhas pallas.
Sobre o alto da árvore e coroando estes versos brila, com efeito, umha estrela de cinco pontas saturada de purpurina dourada, a qual, apesar do seu cintilante fulgor, ficaria completamente eclipsada pola cegadora luz dum Jesus menino dormindo numha maseira.

Até aquí, nada especialmente rechamante, excepto o maquiavélico recurso ao acervo poético dum autor homenageado recentemente pola Real Academia Galega com um Dia das Letras Galegas, para meter pola porta de atrás o imaginário cristao que para muitos (e non todos) os celebrantes do solstício invernal é o verdadeiro leit motiv desta festa neolítica, e que, à vista deste postal, a Conselharia de Educaçom, ramo da administraçom territorial dum Estado aconfessional, assume implicitamente como próprio.
Mas seguimos a ler o postal, e achamos, sob a árvore de purpurina dourada, o resto da felicitaçom:
“Os meus mellores desexos dun feliz nadal e dun esperanzador ano 2011.
Jesús Vázquez Abad. Conselleiro de Educación e Ordenación Universitaria”.
Duas vezes o mesmo nome de Xesús, mas este em letras negras, em formato ostensivelmente maior que as do verso courelao. Será que o nosso pensamento sibilino voa longe demais se considerarmos que esta coincidência onomástica é consciente? Nom é isto un sintoma, um indício, dum alto conceito de si próprio, dumha sobreestima desmesurada, da egolatria patológica deste servidor público, que o leva, mediante a identificaçom por homonimia --ou se se prefere paronimia-- com a personagem da panjolinha, a se considerar mais alto e fulgurante que os astros celestes? Ou aínda mais, a se equiparar, mutatis mutandis, ao próprio filho de Deus nado, vaidade das vaidades, suprema arrogância, pecaminosa soberba?
Um dado a levar em conta: é o conselheiro em pessoa quem felicita, em oraçom unimembre ou carente de verbo, evitando desta maneira decidir entre um tratamento formal em terceira pessoa (respeitoso, mas distante) e o tuteio (familiar, mas vulgar). Em qualquer caso, estabelecendo umha comunicaçom pessoal, paternal, com os seus subalternos, dado que o seu nome figura explícito, como sujeito que envia os "seus" melhores desexos: o conselheiro quer ser conhecido, e apresentase-nos com um postal natalício igual que um parente distante do qual aguardamos notícias. Nada a ver com as felicitaçons de outros anos, em que o cartom de Natal nom era assinado por pessoa física nengumha, mas jurídica (a Conselharia), e se evitava qualquer indício de significaçom católica por parte da Administraçom. Sirva de exemplo o derradeiro cartom da Conselharia do bipartido, de saborosas reminiscências pagás, onde nem sequer figura a palavra Natal, e que, lida com saudade, quase parece presságio destes tempos invernais, desta noite de pedra em que vamos vivendo e morrendo.


Existe um consenso social bastante amplo em que, sobretudo em matéria de política lingüística, o governo feixista de Feijóo dá vergonha alheia:
O sentir vergoña allea é un dos sentimentos máis estraños. Dalgún xeito, un sofre ou fica perturbado por aquilo que outro fai. Por un actuar que desagrada, que coida impropio de quen o fai, e que non podemos evitar [...] Iso foi o que eu sentín esta semana cando oín, na emisora episcopal, a entrevista que lle fixo ao señor Núñez Feijóo o principal voceiro da España do Último Día, Federico Jiménez Losantos.
[Manuel Rivas, Da vergoña allea ao orgullo universal, El País, 01/05/2009].
"Sinto vergoña, como cidadán deste país, que un presidente como Núñez Feijóo teña tan escasa consideración co esforzo colectivo que viñemos facendo todos no consenso do galego" [Manolo Bragado].
["Como galego sinto vergoña", Galicia Hoxe, 11.07.2009].
A vós non vos dá vergoña allea?
Dá vergoña allea ouvir algunhas cousas, máis se vemos quen é o executor gobernamental desta política de destrución da nosa cultura.[O blog do Carlos Callón, 24/06/2009].

Nas últimas festas do Sam Froilam o sem-vergonha do Feijóo nom tivo receio em posar para o fotógrafo do El Progreso embutido numha camisola com o lema I'm Shame not being from Lugo & I don't deny it.
Las camisetas que regala El Progreso arrasan
Las camisetas promocionales de Lugo que regala El Progreso en su stand de la Rúa da Raíña siguen siendo uno de los grandes atractivos de las fiestas de San Froilán de este año.
[...]
La camiseta tiene dos versiones. Para los lucenses es de color negro y con el lema ‘Son de Lugo e non o nego’, ‘I’m from Lugo and don’t deny it’.
Los foráneos tienen su camiseta blanca y, en su caso, el lema es ‘Pena non ser de Lugo e non o nego’, también en inglés.
[...]
El Progreso publicará el día 12 un nuevo especial con fotografías de conocidos lucenses y ciudadanos de a pie que posan orgullosos con sus camisetas y de foráneos que lucen la prenda diseñada para ellos, entre los que se encuentra el presidente de la Xunta.
[El Progreso, SÁB, 10-OUT-09, pág. 11].
A palavra inglesa shame pode ter em galego-português dous significados, vergonha ou pena:
shame [] n. 1 vergonha; to put to ~ envergonhar; ~ on you! devias ter vergonha! 2 pena; what a ~! que pena! v. 1 envergonhar 2 humilhar; desonrar
[Dicionário inglês-português, Porto Editora].
Dos quais nós hoje tomamos o primeiro para dizer (alto e claro e até cantando a coro com a Andrea Corr, se for preciso) ao presidente Feijóo, ao conselheiro Vázquez e ao secretário geral Lorenzo: Alberto, Anxo, Jesús: Shame on you!
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