
No passado 24 de Dezembro, à tarde, cheguei-me a Vigo para, no Restaurante-Cafetaria Mirador del Castro, ter com o amigo Jorge Rodrigues Gomes.
Formado em Filologia Galego-Portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Rodrígues Gomes é professor de língua galega, membro da Comissom Lingüística da Associaçom Galega da Língua (AGAL), e autor dumha recentemente e magnífica monografia intitulada Falas Secretas. Estudo das Gírias Gremiais Galego-Portuguesas e Ibéricas.
No breve espaço de tempo que duram um fino e umha meia de leite o Jorge e mais eu falamos dum monte de cousas: do Latim dos Canteiros ou Verbo dos Arghinas, evidentemente, do Lunfardo, do Tango argentino e do Quizomba, do Pandigueiro, Apalpa-barrigas ou Apalpador, do feia que é a sereia do escudo de Galiza desenhado por Castelao (nada a ver com Daryl Hannah, com certeza), do Marechal Pardo de Cela, de Sei O Que Nos Figestes... Nos Últimos 525 Anos e dos 525 anos, propriamente digamos, de Doma e Castraçom.
O Jorge comentou-me que tinha feito umha "cronologia da guerra de ocupaçom de Castela, com os factos significativos que denunciam a premeditaçom e a intençom de conquista e colonizaçom". Pedim-lhe que, porfa, ma enviasse com licença para a sua publicaçom, cousa que o amigo Jorge fijo logo no dia a seguir, 25 de Dezembro, Dia de Natal.
Assim que, por gentileza do amigo Jorge Rodrigues Gomes eis a cronologia da...
GUERRA COM CASTELA (1475-1486) E SUBMETIMENTO DE GALIZA.
1475
À morte de Herinque III de Galiza e IV de Castela (1474) é proclamado rei de Galiza dom Afonso V de Portugal em Tui, Baiona, Vigo, Redondela e Ponte Vedra, apoiado por Pedro Madruga.1476
Tira-se-lhe ao reino de Galiza o direito de votar nas Cortes. No seu lugar votara Samora.1479
Tratado de paz entre Portugal e Castela. Isabel a Católica, irmá de Henrique III é aceite por Portugal como rainha de Galiza, em prejuízo da filha do rei, dona Joana, casada com Afonso V de Portugal. Os galegos ficam sós contra Castela.1480
Galiza é ocupada militarmente pola “Santa Hermandad”, corpo dependente da rainha de Castela.
O Real Conselho (de Castela) atribui-se o poder para nomear os escrivaos na Galiza. Isto provocará que para ser escrivao haja que saber castelhano.
A rainha de Castela nomeia um governador, Fernando de Acunha, e um corregedor (justiça maior), Garcia López de Chinchilla, ambos castelhanos, com poderes absolutos sobre a Galiza.1482
O sistema de medidas castelhano é imposto em Galiza: a libra de Ávila e a medida de Toledo.1483
Cai o Marechal Pardo de Cela na sua fortaleza da Frouxeira.1485
Cai Saavedra no seu castelo de Cal da Loba em Cospeito.1486
Cai a última praça galega que resistia a Castela: Ponferrada, defendida por Rodrigo de Castro, conde de Lemos.
Morre em Castela em estranhas circunstáncias Pedro Madruga.
A rainha de Castela visita Galiza em outono.
Os concelhos som “vendidos” a regedores perpétuos.
Os nobres galegos som obrigados a ir à guerra de Granada ou ao exílio, incluídos os que se venderam a Castela.
Santiago deixa de ser patrom de Galiza.1480-1486
Galiza é dividida em cinco províncias por Castela.1493
Som proibidas as reunions de muitos indivíduos e as que fossem de mais de um dia, com o fim de evitar conspiraçons contra Castela.1500
Som proibidas as ligas, confederaçons e bandos, e acudir ao chamamento dos nobres.1483-1540
A igreja galega com todos os seus mosteiros perde a autonomia e passa a depender das ordens religiosas castelhanas. Isto terá duas consequências principais: a evasom de capitais e a imposiçom do espanhol como língua litúrgica.1562
A Inquisiçom Castelhana é introduzida em Galiza.
Igual que fazia a Via Anti-Colonial Activa (VA-CA), o professor Jorge Rodrigues Gomes concorda com o professor Aselmo López Carreira "em que a data simbólica da conquista da Galiza por parte de Castela é 1486, ano em que cai a derradeira fortaleza resistente, e em que Isabel a Porca visita a Galiza". Sei O Que Nos Figestes... também. Assim que, como dizemos no nosso Manifesto Cruel e Poderoso, "se nom nos dá antes a Frouxeira", em 2011 voltaremos a comemorar (e bebemorar) 525 anos de Doma e Castraçom ![]()
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