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    Um exclusivo de...
    Joaquim Reboiras
    Quinta, 15 de Julho de 2010

    Há hoje 125 anos morria em Padrom Rosalia de Castro, protagonista das melhores histórias do coraçom que deu a cultura galega. E para comemorar tam assinalada ocasiom, este humilde blogue actualiza a sua estética patenteando que existe umha outra forma de olhar para nós, da mesma maneira que existem formas mais brilhantes de entender a figura de quem ainda hoje passa por ser a primeira Emo da história da Galiza.

    Sempre existírom demasiados espaços em branco na biografia conhecida deste símbolo pátrio. E isto tem dado lugar às mais variadas (e desvairadas) interpretaçons a nível psicológico e autobiográfico da sua obra. Ainda por cima, aquilo que se conhece da sua vida parece-se perigosamente com um folhetim romântico, que é, como é sabido, o correspondente simbólico da época com a nossa (é um dizer) imprensa do coraçom.

    Filha de umha solteira com um sacerdote, a sua biografia parece começar de propósito como a de umha heroína da literatura romántica. E de facto, a sua relaçom com a mae, o pai, o marido, os filhos e filhas, bem como a morte dalgum destes e a dela própria, parece às vezes ter interessado mais ao galeguismo que lhe seguiu do que a própria obra literária rosaliana. E isto foi criando uma visom de Rosalia como umha vítima, coitada, sofridora e chorona, que simbolizava no seu padecer todo o povo galego.

    Mas Rosalia, cimeira das nossas letras, mulher brilhante num mundo e sociedade dominados por homens, foi umha mulher livre numha Galiza e numha Espanha escuras que lutavam ainda por poder chamar-se democráticas. E foi-no, ainda por cima, numha época em que no mundo mal se começava a organizar o primeiro feminismo, em lugares longínquos com sociedades mais igualitárias e justas que aquela que a ela lhe tocou viver.

    Foi livre até onde lhe deixárom, é claro, como todo o mundo, que nom foi demasiado. Mas nom podemos negar-lhe o epíteto de livre a quem se apresentou perante aquela sociedade sem esconder-se como mulher nem como galega. Como entender, senom, aqueles brilhantes Cantares Gallegos e a dedicatória desse livro a Fernán Caballero?

    Eis umha teoria. E se no fundo toda aquela imagem vitimista nom passasse de umha campanha viral bem sucedida do galeguismo? E se Rosalia nunca foi umha chorona, nem umha santa, nem mártir de nenhum tipo? E se fosse umha imagem cuidadosamente lavrada para melhor chegar a umha sociedade conservadora que desejava histórias românticas?

    Entom talvez Rosalia ocupasse o lugar que lhe corresponde entre as precursoras do feminismo hispânico, e resultaria que o galeguismo histórico tinha estrategas frios e calculadores. Entom teríamos outra forma de nos ver como galegos e galegas. Entom o galeguismo sempre teria sido cruel e poderoso.

    É umha ideia, é claro, e talvez seja mentira. Mas nós preferimos ver-nos assim. E se nom acreditardes nela, tomai-no a risa, que como dixo Luis Pimentel "ela já chorou por todos". :>>



    A Academia Galega da Língua Portuguesa editou recentemente, em colaboraçom com Edições da Galiza, umha versão dos Cantares Galegos seguindo a ortografia internacional da nossa língua.

    Apesar que ainda nom tivemos oportunidade de deitar mao ao livro, o facto de a ediçom crítica ter corrido a cargo do Professor Higínio Martins merece-nos, em princípio, a maior das confianças.

    Por isso, se dalgumha maneira conseguimos acordar em alguém a vontade de se debruçar na obra rosaliana, recomendamos vivamente esta ediçom.

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    Escrito às 0:00 nas categorias: Vários, Joaquim Reboiras

    13 comentários

    Comentário de: Gennara del Bruzzo [Membro] Email

    Estou emocionada com este texto, e impatada pola belíssima imagem deste nosso humilde blogue :D
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 08:36
    Comentário de: Hermerico Pinheira [Membro] Email
    *****

    Umha outra olhada de Rosalia existe! Já chega de termos essa imagem de rapsoda nacional emo!

    E o novo desenho da página... gosto muitíssimo!
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 10:09
    Comentário de: Vixía [Visitante] · http://torrevixia.blogspot.com
    *****

    I agree.
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 12:07
    Comentário de: Joaquim Reboiras [Membro] Email

    Obrigado, Gennara, Hermerico e Vixia. :oops:

    O blogue precisava um novo visual, e Rosalia ainda está à espera de que se dignifique a sua figura, e ser estudada seriamente quanto que fenómeno de massas e ícone pop.

    E depois... ainda haveria que estudar as origens do seu apelido. Mas, enfim, isso já é outra histéria... ;)
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 13:05
    Comentário de: Borja de Hérnia [Membro] Email
    *****

    Parabéns! Após a nossa vitoria no tema do Mundial bem que nos merecíamos este lavado de cara! Limpeza e claridade na presentação e um novo visual cheio de força!

    Quem melhor que Rosalía para inaugurar este festival de cor? ;)
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 13:53
    Comentário de: Artur Pondal Doylhe [Visitante]
    *****

    Estrategas, eram, e astutos mesmo.

    E por acaso, para celebrarmos os 125: Rosalia em Acordo:

    http://www.imperdivel.net/133-cantares-galegos.html

    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 15:20
    Comentário de: Jenaro Jesus Marinhas [Membro] Email
    *****

    Caríssimo Joaquim Reboiras, reitero (agora publicamente) o meu agradecimento e os meus parabéns tanto polo magnífico artigo quanto polo espetacular "lifting" que nos figeches coindidindo com o 125º aniversário da morte da Rosalia de Castro e quando faltam apenas dez dias para o segundo aniversário da saída do armário, em 25 de julho de 2008, deste cruel e poderoso site :>>
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 17:38
    Comentário de: Giadasinho [Visitante]

    Gosto muito do novo desenho do blogue
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 18:38
    Comentário de: Joaquim Reboiras [Membro] Email

    Obrigado a todos, mais umha vez, e especialmente a Artur Pondal Doylhe. Realmente é um esquecimento imperdoável por minha parte nom ter colocado antes umha ligaçom à ediçom dos Cantares da Academia.

    De facto, tinha pensado colocá-la mas, ao ir tecendo o texto, acabei por esquecer. Vou incluir agora umha nota no fim. E daqui a minha desculpa à AGLP pelo esquecimento, por se houvesse algum académico ou académica a ler-nos.:oops:
    Quinta, 15 de Julho de 2010 @ 22:36
    Comentário de: Isabel [Visitante]
    *****

    Ótima notícia. Ótimo momento para a mudança de blogue. E ótima nova cara de SOQNF.

    A publicação da Academia também é ótima. O seu principal responsável é Higino Martins, mas também a editora Polífona e o académico rei Artur, que canta a Pondal quando lhe dói.

    O exemplar é obrigado para os jovens reintegracionistas, que agora com a esta nova edição (antes havia outras, hoje esgotadas ou inencontráveis) podemos deixar de ler Rosalia com as letras do ILG. Deixo aqui um exemplo:


    Passa, rio; passa, rio,
    co teu maino rebulir;
    passa, passa entre as florinhas
    de cor de ouro e de marfim,
    a quem cos teus doces lábios
    tão doces cousas lhes dis.
    Passa, passa, mas não vejam
    que te vais ao mar sem fim,
    porque entonces, ai pobrinhas!,
    quanto choraram por ti!
    Se soubesses que estranheza,
    se soubesses que carpir
    dês que del vivo apartada
    o meu coração sentiu!
    Tal me acodem as soidades,
    tal me querem afligir,
    que inda mais feras me afogam,
    se as quero botar de mim.
    E, ai, que fora das florinhas
    vendo-te longe de si
    ir pela verde ribeira,
    da ribeira do Carril!

    Passa, passa caladinho,
    co teu manso rebulir,
    caminho do mar salgado,
    caminho do mar sem fim;
    e leva estas lagriminhas,
    se hás de chegar por ali,
    pertinho dos meus amores,
    pertinho o meu existir,
    Ai, quem lagriminha fora
    pra ir, meu bem, junto a ti!...
    Quem fizera um caminhinho
    para passar, ai de mim!

    Se o mar tivera varandas,
    fora-te ver ao Brasil;
    mas o mar não tem varandas,
    meu amor, por onde hei de ir?


    Rosalia de Castro, Cantares Galegos, Vigo 1863/ Barcelona 2010.
    Sexta, 16 de Julho de 2010 @ 11:20
    Comentário de: Isabel [Visitante]

    Desculpai, é

    Barcelona 2009

    Sexta, 16 de Julho de 2010 @ 11:24
    Comentário de: Isabel [Visitante]

    Vai haver uma apresentação deste livro o dia 24 de julho no Festigal, às 13h.

    http://www.festigal.com/
    Sexta, 16 de Julho de 2010 @ 15:52
    Comentário de: Afonso Roda Pés [Visitante]
    *****



    Still, while the nineteenth century in Spain was a complicated time for both women and speakers of languages other than Spanish to find success in literary ventures, it was the beginning of some. (March 1996:1)



    It is my hope that in this way we will come a few steps closer to providing both the specific and the universal context for an accurate appaisal of this Galician woman who was anything but a "provincial" writer. (March 1995:xi)



    Kathleen March á traductora de Rosalía ao inglés e professora de "Introduction to Women's Studies" em The University of Maine

    Sexta, 16 de Julho de 2010 @ 22:25

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