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    A estátua no meio dia

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    seioque
    Sexta, 29 de Outubro de 2010

    Título original: A estátua no meio dia (PTG) Noon High...

    Galiza 2010 • branco e preto • 84 min
    Produção: Fundação Meendinho
    Direção: Alexandre Banhos
    Roteiro: Alexandre Banhos
    Género: faroeste
    Idioma original:Português da Galiza
    Projeto Cinema • Portal Cinema

    A estátua no meio dia ou Noon High é uma produção galega de 2010, do gênero faroeste, dirigida, produzida e cimentada por Alexandre Banhos.

    O roteiro é de Alexandre Banhos com produção da Fundação Meendinho baseado numa pequena estória popular, “A lenda da estátua de Carvalho Calero”.

    O filme conta a peripécia de um delegado do velho Oeste Galaico, trapalheiro e arroutado, mas muito teimudo que é forçado a duelar sozinho com uma troupalha de oficialistas, oficinistas metidos a vice-reitores, caciques, e políticos corriqueiros quando trata de erigir a estátua para reabilitar a memória de um homem condenado injustamente a ostracismo.

    O filme é considerado um western do gênero "psicológico", há também quem o defina como "existencial" e tem sido considerado uma alegoria em réplica, do seu diretor aos processos e purgas conhecidas como “macartismo” (pinheirismo e upegalhismo) que sofreram os reintegracionistas nas décadas de 80 e 90.

    Sinopse
    Alexandre Banhos, o presidente da Fundaçom Mendinho, tem a ideia de levantar um monumento emblemático à memória do saudoso professor, polígrafo e intelectual Ricardo Carvalho Calero no centenário do seu nascimento. E convoca um concurso que ganha o escultor José Molares.

    O projeto vira-se épico quando as proporções colossais da estátua em bronze e a colocação original começam a ser percebidas pelas autoridades como um desafio e começam, um a um, sem que em nenhum momento no filme se saibam as causas da genreira contra Carvalho Calero, e desde as Instituições, negar o apoio económico prometido e ainda a travar dificuldades com a localização original ou dizendo que distorce o conjunto-patrimônio histórico-artístico.

    E daquela que, Banhos, estressado, contra relógio e com a obra encarregada começa a bater em todas as portas na procura de ajuda, logrando apenas pequenas ajudas da malta reintegrata e popular.

    Enquanto Banhos e a gente da Meendinho, ajudados desde o Associacionismo, tentam arrecadar ajuda desesperadamente, o tempo vai passando... (o filme sucede-se em tempo real, com a edição colocando vários relógios que marcam a passagem do tempo, intercalados com as cenas de tensão).

    As cenas, com as várias respostas por mail, telefone e em pessoa, que vai recebendo o protagonista intercalam sem maniqueísmo o contraste entre umas instituições pilotadas por umas personagens que semelham tiradas dos "50 homes por 10 reás" e as respostas e diversos pedidos da gente do comum que achega os seus escassos recursos.

    É muito em destaque a magistral interpretação dos despiedados Vice-reitores da Crunha e Vigo nas várias cenas em que diversas pessoas vão falar com eles do assunto "carvalho" e de antologia o retrato psicológico das hesitantes personagens do mundo político e académico compostelano.

    Destacam aliás, os monólogos, em vários momentos do filme, normalmente com protagonista contra um fundo preto e como quem fala contra o vento:

    - "Mas há gente que nom quer esse monumento, que teme o formosíssimo bronze do busto de Carvalho Calero, como a Junta da Galiza, que através da Conselharia da Cultura negou qualquer apoio ou ajuda ao projeto.

    Há pessoas de certo peso na Galiza que estám a tentar travar ajudas, e levando aos ouvidos de alguma gente umha imagem distorcida de Dom Ricardo, como se fosse uma espécie de demo com cornos. Infelizmente, gente ligada à filologia galega —muito escassa essa gente, confrontada com a maioria da filologia—, alguma até aluna do professor, primeiro catedrático da matéria na Universidade de Santiago, que nom gosta do projeto. Que problemas achárom com o busto? Eu, pessoalmente, nom alcanço a entendê-lo.
    Todo isto influi, e desde o Concelho propõem um lugar alternativo perto da própria Alameda, que é excelente também, mas nom da qualidade do inicialmente proposto, nom é lugar para o busto ser tocado e sovado tal como exprime uma obra que nom vai deixar indiferente com a sua beleza. Da Fundaçom Meendinho estamos seguros de que o Concelho de Compostela, que apoia firmemente o projeto, entenderá a importância do monumento no lugar inicialmente previsto, e a sua projeçom cívica.
    A Meendinho, quando começa o projeto é porque lhe saem todas as contas. Com o que nom contava era que compromissos firmes de instituições —que, aliás, elas próprias deveriam ser o motor deste tipo de iniciativas—, agora se convertam em águas de bacalhau, faltem à palavra ou ponham escusas de mau pagador. Porém, aguardamos contornar esse problemas com o entusiasmo de muitos e muitas e de outros que sabem do valor exemplar do projeto, que nom é da Meendinho, mas de todos e todas. Prefiro nom dar uma cifra se nom é completamente exata, mas ainda falta umha quantidade bem por cima dos dez mil euros."

    No clímax da história, Banhos, após pedir orçamentos a empresas que por estas obras pequenas cobram muito, faz um último chamado nas listas da AGAL e Pro-AGLP e parte no solpor com uma pá, sacolas, grava, areia, cimento, ferro, alga da fonte da Alameda e umas quantas ferramentas construir a base de betão ele próprio... Felizmente tem a ajuda de José Regueira que chega desde a Ponte d'Eume com duas pás, e de José Alvaredo, engenheiro de caminhos, que mora na própria cidade de Compostela.

    Finalmente, no melhor estilo Capra, a estátua inaugura-se ante o estuporamento das autoridades, as Reticências do mundo académico anti-reintegrata e com a festa social do Reintegracionismo que tem o seu dia histórico ao tempo que Carvalho Carvalho Calero a sua homenagem de centenário.

    Elenco
    - Alexandre Banhos, como o Presidente da F. Meendinho
    - Maria Vitória Carvalho-Calero, como a Catedrática de Arte e filha do insurrecto.
    - Isaac Alonso Estraviz, como vice-presidente da Meendinho, também marginado e autor do Super e-dicionário.
    - Manuela Ribeiro Cascudo, como secretária da Meendinho
    - Ana Maria Cabanas Gomes, tesoureira da Meendinho
    - Margarida Martins Vilanova, vogal da Meendinho
    - José Paz Rodrigues, como vogal da Meendinho Professor e moralista leitor de Tagore que escreve nos jornais locais.
    - Valentim Fagim, Como Presidente da AGAL
    - Joaquim Pinto da Silva, da Orfeu
    - José Molares, Desenhador e escultor
    - José Regueira & José Alvaredo, como os operários na cena da construção da base
    - Luigi Capatore, Vice-reitor da UdC
    - Mike Costas, Vice Reitor da UVI

    Toda a malta que colaborou no projeto... especialmente os extras e figurantes dos diversos coletivos e associações reintegrantes que colaboraram desinteresseiramente e sem que o filme não seria possível.

    Premiações

    Recebeu uma estátua nas categorias de melhor ator (A. Banhos) e foi Indicado nas categorias de: melhor imagem (José Molares), melhor ideia original (fundação meendinho) pior direção (A. Banhos), pior organização (A. Banhos) e melhor ator de reparto (Mike Costas).


    Curiosidades

    - O título original Nuun Haig... (pronunciado Nuun Haig) parece ser em alusão à resposta "Non Hai..."[dinheiros para Carvalho] que os antagonistas repetem uma e outra vez no filme) ainda que alguns querem ver uma obscura e cifrada homenagem ao reintegracionismo NH e que mesmo veste algum dos atores de reparto.

    - Méndez Ferrín disse achar que a estátua era uma alegoria ao lusismo e numa entrevista a “A Nossa Merda” de 2010 disse que era "the most un-galician thing I've ever seen in my whole life" (A cousa mais antigalega que eu alguma vez vi em toda a minha vida).

    - Méndez Ferrín teria filmado ILGa-RAG como uma resposta a Carvalho. Neste filme, o xerife (Constantino Garcia) é ajudado por um pistoleiro enfermo e jogador profissional de baralho (Ramón Piñeiro), um velho médico instalado no poder (Garcia Sabell) e um mocinho (Antón Santamarina) para enfrentar uma situação igualmente difícil.

    - O cenário foi pensado para a Alameda de Santiago, mas diversos problemas com o concelho e o difícil de assumir o legado de Carvalho Calero para as autoridades (PSOE e BNG) fizeram com que finalmente o cenário tivesse que se levar para outra localização.

    - É um remake livre do filme histórico de 1904, “Os mártires de Carral” com Ugio Carré Aldao, no papel do xerife da Liga Gallega.

    - Tem também partes concorrentes com a obra teatral : “Uma estátua para Curros: a polêmica”, nos cenários ininterrompidamente de 1909-1934...

    - Há um rascunho de roteiro e projeto da autoria de Francisco Asorey, “O Menhir d'Antón Vilar Ponte”, de 1936 que ainda já com os dinheiros da subscrição popular, não se fez por causas de Guerra civil e genocídio.

    Ligações externas

    -High Noon

    -Entrevista a Alexandre Banhos

    -Fundaçom Meendinho organiza um leilão para juntar fundos para a escultura de Carvalho Calero [PGL, 21/09/2010]

    -Fundaçom Meendinho solicita colaboraçom económica para a construçom da estátua a Carvalho Calero [PGL, 09/09/2010]

    -Seleccionada a escultura de Carvalho Calero promovida pola Fundaçom Meendinho [PGL, 23/02/2010]

    -Fundaçom Meendinho promove a construçom de um monumento dedicado a Carvalho Calero [PGL, 29/10/2009]

    -Web do Ano Carvalho Calero

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    Julio Iglesias: Bamboleio, bamboleia, porque a minha língua a quero escrever assim

    Um exclusivo de...
    Gennara del Bruzzo
    Quarta, 01 de Setembro de 2010

    Um atento leitor que responde por Miro contatou-nos durante as férias para nos informar da pouco conhecida faceta reintegracionista do famoso cantor espanhol de origem galega Julio Iglesias (a.k.a. o sogro da Kournikova).

    Conta-nos Miro que o filho do doutor Julio Iglesias Puga, Papuchi, publicou na íntegra em espanhol o primeiro disco, Yo Canto (1969). Porém, no segundo (Gwendolyne, 1970), já tem umha faixa reintegrata, em concreto a n.º 5, com a peça Sentado à beira do caminho.

    A presença de canções na nossa língua repete-se em 1972 no disco Por una mujer, neste caso com Un canto a Galicia (peça que aparecerá noutros discos), embora em versom isolacionista. No entanto, em 1975 publica o primeiro disco na íntegra na norma comum internacional do galego, Manuela. Para o nosso Miro, «este disco poderia bem ser o primeiro disco reintegracionista da história (se Martim Codax & Co não gravaram nenhum) e sem dúvida um dos de mais êxito», assinala.

    Este atento leitor acompanha-nos também uma ligaçom para vermos com mais detalhe as peças desse disco, sendo mesmo possível escuitar alguns fragmentos deste madrigallego defendendo-se na língua de Camões, Rosalía e Cañita Brava. Eis os tracks dessa joia:

    1. Às vezes chegam cartas
    2. Dezesseis anos
    3. Manuela
    4. Por esse amor
    5. Joguei teu lencinho ao rio
    6. Pelo amor de uma mulher [1st version]
    7. Minueto
    8. Um canto à Galicia
    9. Assim nascemos
    10. Não sou daqui, nem sou de lá

    Com certeza, umha análise mais detalhada da trajetória deste artista poderá-nos trazer mais surpresas!

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    Ferrín contra Castelão, Castelão contra Ferrín

    Um exclusivo de...
    Gennara del Bruzzo
    Segunda, 22 de Março de 2010

    Recentemente, o presidente da Real Academia Galega, Xosé Luís Méndez Ferrín, concedeu umha alargada entrevista para a revista Tempos Novos. A transcriçom da conversa oferece-nos um Méndez Ferrín em estado puro, um completo retrato do carácter e pensamento ferrinianos. Tanto, que a análise dará-nos para várias entregas. Eis a primeira.

    Para começar The X(osé)L(uís) Files, centraremo-nos numha das declarações mais impactantes chegou quando foi perguntado acerca da sua opiniom sobre o reintegracionismo, o presidente da RAG respondeu:

    O mesmo que con Galicia Bilingüe. É xente que está en contra do idioma. Que fagan o que queiran. Teñen a rúa, os foros sociais, os medios de comunicación, os sindicatos. Que vaian predicar á porta de Citroën.

    Ainda que me doia, desde o carinho e o respeito devo corrigir o bom de Dom Xosé Luís, pois cuido que essa comparaçom é bastante ousada... porque cuido que entre as pessoas reintegracionistas e as pessoas que alinham com as teses de GB deve haver, polo geral, poucas coincidências. E mesmo que as houver, se com isso se pudesse estabelecer umha relaçom de concordâncias, há outras instituições teoricamente nacionais que também poderiam sair mal paradas.

    Pensemos, por exemplo, na hipotética diferença entre as reacções da presidenta de GB, Gloria Lago, e o secretário do Conselho da Cultura Galega, Henrique Monteagudo, ante a última versom conhecida do decreto galegófobo da Junta:

    - Gloria: «Esto ya pinta bastante mejor»
    - Henrique: «é menos insatisfatório»

    Passem e julguem! :)

    De outra parte, fiquei também surpresa com a frase destacada na manchete da entrevista: «Os inimigos do galego apresúranse a evitar que a lingua sexa útil». Ignorando ao que se podia referir Dom Xosé Luís, procedim a ler tanto a pergunta do entrevistador como a resposta na íntegra. Por razões de espaço vou resumir um bocadinho:

    - [...] Como se conseguen escenarios de uso [da língua] para poñer en práctica a competencia adquirida?
    Facendo a lingua necesaria. [...]

    - E aquí como se fai útil?
    Facéndoo útil na nosa casa. Que para ser funcionario ou facer unha oposición haxa que saber galego [...]. Hai empresas [...] que demostran como pode ser útil [...]. Por iso os inimigos do galego se apresuran a evitar que sexa útil. Cómpre pensar que a defensa do galego non se lle pode deixar ao dominio público, á Xunta ou ao Estado. Aquí hai unha loita, e unha guerra, na que nós imos desaprecer ou sobrevivir. Así que, conciencia e orgullo nacional. Se iso non se consegue, é un suicidio colectivo.

    Desta fecunda resposta tiro como liçom principal o seguinte: que para evitar a desapariçom do galego, cumpre fazer necessária a língua, lograr que seja útil. E aqui introduzo umha questomzinha: o que será mais útil, um galego extenso ('reintegrado') ou um galego reduzido ('isolado')?

    Para Dom Xosé Luís, à vista do mencionado uns parágrafos mais acima, imaginamos que a versom reduzida, talvez por aquilo da «consciência e orgulho nacional». Para orgulho, o dos habitantes do monte Medúlio, que optaram pola morte antes que se renderem aos romanos. Talvez o primeiro suicídio colectivo documentado na Gallaecia?

    Mas nom fagamos atençom a umha profana como eu. Deixemos que falem os mestres:

    «O galego é um idioma extenso e útil, porque -com pequenas variantes- fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas.»

    (Castelão. Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º, pág. 41-42)

    Acaso a RAG pretende fazer do galego todo o contrário que Castelão propugnava? Será, talvez, que a mesmíssima Academia é um desses inimigos do galego? Seja como for, isto parece umha luita de titãs. Ferrín contra Castelao, Castelao contra Ferrín. Quem pode sair vitorioso??

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