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    Caminho a_Teu

    Foi-se em abril: Documentos ridiculistas para a História de Espanha

    Um exclusivo de...
    Arthur Pondal Doylhe
    Quinta, 14 de Abril de 2011

    ¡Se fue!… ¡Por la carretera
    marcha un rey a la frontera!…
    ¡Un día de primavera
    brinda el aire aromas mil!…
    ¡Se fue, entre finos olores
    de los almendros en flores!…
    ¡Que gran castigo, lectores!…
    ¡Dejar España en Abril!…

    Luis de Tápia

    Ainda que somos mais de celebrar estoutro dia, não queremos deixar de passar a ocasião de celebrar a queda de um rei e a proclamação de uma república e começamos a comemoração e beberação do 14 de abril com estes versos famosos do humorista, coplista e ridiculista precursor Luis de Tapia publicados em "La Libertad", de Madrid, o dia 15 de Abril de 1931, na popular seção "COPLAS DEL DIA".

    Mas como das eleições, da renuncia e fugida do rei (com o seu tesouro em joias, bonos e aforrinhos em contas inglesas, francesas e suíças) já se tem escrito, imos hoje recuperar um episódio fabuloso e carregado de simbolismo, que bem podia fazer capítulo do livro España es sobrenatural, que nos recomendava o amigo Sechu Sende.

    A noite do 13 ao 14 de abril, no meio das celebrações pela vitória municipal republicana e ante o desconcerto do governo, o entusiasta povo de Madrid, empenhado como estava em derrubar um rei sem mais tardar tomou-na com a estátua de Isabel II, sita na sua praça, e com a equestre de Filipe III na Praça Maior.

    A de Isabel foi logo substituída no seu pedestal por um busto da república mais os retratos dos capitães mártires Fermim Galán e García Hernández (AKA os heróis de Jaca) e que documentamos a encabeçar este texto.

    Mas o assalto à famosa estátua, realizada em Florência por Pietro Tacca e Jean Boulogne, galano de Cosme II de Médici, para simbolizar a potência da monarquia espanhola nos tempos em que o Império pequeno era o Império mais Grande, envolveu um feito ridiculista que os nossos leitores devem conhecer.


    Historia ilustrada de la Revolución Española, T. II, Madrid, 1931, p.791

    Em posse velazquenha a estátua fora antes ubicada em vários espaços palacianos para deleite das reais pessoas, e ainda o seu peso de 5 toneladas andou nômade até que o 22 de março de 1848, reinando Isabel II na sua Corte de los Milagros, o pelotilhas de Ramón Mesonero Romanos (por aquele então vereador da Vila) teve a ideia de a transladar à Praça Maior de Madrid, pois deixara de ser daquela usada como praça de touros e habitual local para os Autos de fé ao ar livre. Pretendia-se dar outra feição mais européia à Praça da capital, colocando a estátua equestre e algo de jardim arredor.

    E a gente que se assanhava com a estátua aquela noite, sabia o que derrubava, que a estátua já fora retirada (sem lei de memória histórica nem nada) após a proclamação da 1ª República permanecendo em um armazém até a subida ao trono do rei Alfonso XII no final do ano 1874.

    Nessa noite, quentes os ânimos e com vontade de festas (que durariam vários dias depois da proclamação republicana e que a muitos fizeram pensar numa revolução à Soviética) alguns decidiram tomar-se a memória histórica e a justiça pela mão e começaram a golpear e abalar a estátua que caiu espetacularmente como adoita acontecer - com as estátuas monumentais dos tiranos no momento de serem derrubadas pelas massas - nestes casos.

    Com ela no chão, um dos presentes, decidiu lhe meter um "petardo" (spanish-old-style-home-made-bomb) de certa potência pela boca. O resultado foi que o cu (como documenta a foto e não o ventre como indicam os mais dos cronistas que repetem esta lenda urbana) do cavalo rebentou e para surpresa de todos, começaram a chover pequenos restos ósseos e múmias de pássaro, desvendando assim o profundo segredo da monarquia. Passando a estátua a ser - entre as chanças da gente - conhecida como "Cemitério de pardais".

    E eis que o cavalo de Felipe III, oco por dentro, tinha a boca como única abertura ao exterior e em todas as suas ubicações esteve a engolir às incautas passarinhas que curiosas se introduziam, sem depois poder voltar a sair, pela sua boca. Dada a forma da armadilha que lhes impedia tanto o voo como rubir pelo colo do cavalo para a sua salvação. Durante centos de anos desconheceu-se a existência de semelhante armadilha mortal para pardais.

    O escultor Juan Cristóbal que foi o encarregado da sua restauração, depois da Guerra Civil Espanhola, parece que se ocupou de lhe fechar a boca entanto ele fechava a sua.

    E deste jeito tão creepy-ridiculista caiu a representação da monarquia espanhola tal dia como hoje há LXXX anos ... com centos de cadáveres de pardais na consciência e outros tantos menos documentados de párias, mestres da escola moderna, anarquistas, labregos antiforeiros e obreiros.

    Enfim, despedimo-nos com uma advertência para os passaros ceivos terem olho com as estátuas monárquicas, um brinde à memória do capitão Jack Sparrow, e com o tradicional saúde e república [galega]!

    ANEXO(pendente de versão galega para cantar)

    ¡SE FUE!

    ¡Se fue!… ¡Por la carretera
    marcha un rey a la frontera!…
    ¡Un día de primavera
    brinda el aire aromas mil!…
    ¡Se fue, entre finos olores
    de los almendros en flores!…
    ¡Que gran castigo, lectores!…
    ¡Dejar España en Abril!…

    ¡Se fue!… ¡Las lindes floridas
    le daban sus despedidas
    con su floración triunfal! …
    ¡Se fue llevando a ambos lados
    de su coche a los soldados
    esqueléticos de Annual!…

    ¡Se fue!… ¡No es duro el castigo:
    del pueblo se hizo enemigo
    y le abandonó la grey!…
    ¡No habrá Historia que le absuelva!
    ¡Que se vaya!… ¡Que no vuelva!…
    ¡Viva la España sin rey!

    ¡Se fue!… ¡Sobra toda saña!
    ¡Ya es triste cruzar la España
    cuando es flor todo el país!…
    ¡Cuando en fecundos olores
    florecen todas las flores
    menos las flores de lis!

    LUIS DE TAPIA

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    Tempos, Maria e GzVídeos

    Um exclusivo de...
    Jenaro Jesus Marinhas
    Terça, 14 de Abril de 2009

    [Maria Lado, 'Galician Psyco', Tempos Novos Nº 142 (Março 2009), pág. 3.
    Fazer click em cima da página para alargá-la].

    Graças à Galipedia (a Wikipédia em galego zómbico) ficamos sabendo que hoje, 14 de Abril de 2009, LXXVIII aniversário da proclamaçom da II República Espanhola, a poeta Maria Lado fai trinta aninhos. Parabéns para ela, pois, nesta data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida! :)

    Parabéns e muitíssimo obrigado à nossa amiga Maria, que no último número da revista Tempos fala demoradamente de nós.

    E fai-no, como podedes ver na imagem, na Obertura da revista descrevendo o vídeo do Sunday Pottery Sunday que por gentileza de GzVídeos publicáramos aqui, em seioque.com.

    Muitíssimo obrigado, pois, e muitíssimos parabéns à nossa amiga Maria com o desejo de que continue sempre tam riquinha como sai nessa foto em papel couché. Ai, omá, que rica! Oink! ;)

    Saúde e República (Galega, evidentemente) para todos e todas!!!

    Jenaro Jesus Marinhas (do Vale)

    No mesmo número da revista Tempos Leo F. Campos intitula Bilingüismo, Mr. Marshall a sua habitual coluna na secçom todo é peixe. Embora hoje nom seja o seu aniversário, muitíssimo obrigado ao amigo Leo também! Ai, omá que rico!

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