
Há poucos dias, a imprensa séria do País dava conta de umha notícia bem singular: a Junta patrocina umha exposiçom sobre extraterrestres. Embora patrocinada polo governinho feijoano, será para uso e desfrute do público mais aguerrido, pois esta exposiçom andará pola capital do Império Pequeno.
Segundo informações jornalísticas, este evento intitula-se El Diseñador de Especies, e baseia-se num livro de Herikberto M.Q., a.k.a. Heriberto Muela Quesada, em que se afirma que a evoluçom das espécies no cosmos é muito similar, ideia que exploram o seu trabalho e a amostra, mas também outros sucessos, relata GC:
O propio autor asegura deste libro que “está inspirada en la propia vida del artista, y tiene un transfondo realmente misterioso; puesto que relata extrañas experiencias juveniles que tuvo el autor y su familia con una civilización extraterrestre”.
Nom deixa de ser lamentável curioso que esta nova seja, no tempo, mais ou menos paralela do desmantelamento do sistema de I+D+i galego, com reduçom de bolsas e do orçamento destinado à investigaçom... ou simultânea com as declarações de um exultante Feijóo atribuindo a poderes de outro mundo o suposto êxito do Jacobeu/Xacobeo. Para que investigar podendo crer, para que governar podendo rezar?
Mas se pensam que esta minha reflexom é umha chança (1, e novamente 1), andam bem erradas/os. Eu, mais bem, creio que é apenas o começo do que vai vir, um globo sonda para testar (in)sensibilidades, porque, como alertávamos no verão, caminham entre nós.

O conselheiro de Fomento del Cosmopolitismo y Erradicación del Polvo de la Dehesa, Roberto Varela, anunciou há algumhas datas que viajaria ao Festival de Veneza para apoiar a participaçom de um filme “galego”, Celda 211, na secçom (nom competitiva) das Jornadas dos autores. A agenda do conselheiro deixa muitos ocos a força de limitar umha cultura já limitada, sem Culturgal que organizar, com o Centro Dramático Galego decapitado e sem rumo, e com os jogos de fúmbol politizados dependendo de Presidência. E Veneza está preciosa nesta época do ano.
Celda 211 passa por ser um filme galego porque umha das suas produtoras, Vaca films, tem o seu endereço social na Corunha, porque está financiada pola Agência Galega das Indústrias Culturais (AGADIC) e porque o prota do reparto é o lucense Luís Tosar.
Mas... galega? Celda 211 é umha história de presidiários, inspirada num romance de um sevilhano, que custou 4 milhons de euros dos quais a AGADIC só achegou 200.000 (5%). Vaca films é mais umha productora entre cinco, e duas delas som francesas. De facto, além dos Perineus o filme “Cellule 211” publicita-se como umha produçom francesa. O director é o maiorquino Daniel Monzón, e entre os 10 actores principais do elenco só figuram dous galegos: Tosar e Luis Zahera. O filme foi rodado no antigo penal de Samora, com diálogos originais em castelhano. Mais que um filme galego, parece um filme cosmopolita. O conselleiro está que bate palmas (de ouro).
Assim que, atendendo-se à definiçom imperante hoje do cinema galego como “qualquer naco de celuloide que fosse dirigido, montado, revelado, manipulado, ou patrocinado sequer parcialmente por algum/ha natural de Galiza e/ou no qual, em todos ou parte dos seus fotogramas, se retrate algum dos seus paisanos, ou as formosas paisagens desta verde esquina de Espanha”, passamos a fazer este pequeno trinque com as melhores produçons do cinema galego de todos os tempos. Mui ajeitada para esta etapa feixista. Aceitamos sugestons:
1º. “Raza”, dirigida em 1941 por Saenz de Heredia, mostra o espírito de abnegaçom heroica e de valor guerreiro inerente da raça espanhola, segundo a visom de Jaime de Andrade, alter ego de um general superlativo nado em El Ferrol de Como su Propio Nombre Indica.
2º. “Suspiros de España”, de 1938. Veículo de lucimento para Estrellita Castro, rodada na Alemanha nazi em plena Cruzada Nacional. O famoso pasodoble de Antonio Álvarez Alonso veste-se aqui com os morrinhentos versos de José Antonio Álvarez, nos quais Deus e Espanha aparecem indisoluvelmente unidos. Estrellita Castro -com o seu inconfundível caracol crecho- era filha de um peixeiro galego.3º. “Los últimos de Filipinas”, de 1945. Meio cento de bravos espanhois resistem o assédio dos separatistas filipinos dentro dumha igreja, e nom cedem no seu heroico empenho nem que a guerra remate. Dirigida polo ourensao Antonio Román, o corunhês Fernando Rey tem os seus momentos estelares.
4º. “Locura de Amor”, de Juan de Orduña, de 1948. Dramom ambientado nos desvaríos ciumentos da raínha Joana a Louca, metáfora de umha Espanha doente e manipulada por agentes extrangeiros. Filipe o Formoso era interpretado por Fernando Rey, e sai também Eduardo Fajardo, que era natural de Mosteiro.
5º. “Botón de Ancla”, de 1948. Três mosqueteiros-guardamarinas descobrem que a camaradagem forjada na milícia une mais que o loctite. Dirigida polo corunhês Ramón Torrado, e interpretada entre outros polo compostelano Antonio Casal e o corunhês Xan das Bolas, foi ademais rodada na Escola Naval de Marim, e meia vila sai de figurante.
6º. “Alba de América”, de 1951, mais umha superproduçom de capa e espada de Juan de Orduña. A participaçom do almirante Carrero Blanco na confecçom do roteiro confere a esta revisom do mito colombino umha patriótica pátina. A personagem de Colombo (que como muitos sabem era galego) é interpretado polo (galego)portugués António Vilar, mas também sai Eduardo Fajardo.
7º. “Las chicas de la Cruz Roja”, de 1958, conta as peripécias de um quarteto de mulheres que dedicam o seu tempo ao voluntariado entanto aguardam um providencial casamento. Conta com a participaçom de Antonio Casal, e de Erasmo Pascual, filho preclaro de Ribadávia.
8º. “Franco: ese hombre”, filme documentário de Saenz de Heredia de 1966, a vida e milagres do ferrolano Paco Medalhas, interpretada por ele mesmo.9º. “La ciudad no es para mí”, de 1966, umha das obras mestras do inefável Paco Martínez Soria. Un pailaroco bonachom luita sem pausa contra o vício e a promiscuidade urbana. Aqui sai também o mosteirense Eduardo Fajardo.
10º. “El último cuplé”, de 1957, a obra mestra de Sarita Montiel. A célebre cupletista, embarcada para umha digressom americana num trasatlântico, escuita arrebolada os emigrantes galegos entoar a coro “Eu de Marim ausentei-me” e une-se ao seu saudoso canto. Em galego! Mais do que de “Celda 211” se poderia aguardar. 1>
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