Ontem, com o galho do 525º aniversário da chegada dos Reis Católicos a Santiago de Compostela, voltamos a encher a Praça do Obradoiro. Pode que não em número de pessoas mas sim de berros, ridiculismo e vergonha histórica.
A pontualidade não é uma virtude muito valorizada nos nossos dias na Galiza e é por isso que a maioria dos assistentes chegaram a partir das 21:00 (GMT+2). No momento de maior afluência de público éramos umhas 30 pessoas, segundo a organização, e uns 50-100 segundo a polícia.
Motivação, leitura de manifesto, luta de bandeiras, 'paseillo', cânticos, queima de pendão e muito mais que poderedes ver em breve em fotos e vídeos.
Porque "Fernando e Isabel a mesma merda é!" e "Com estes réis imos de cu" seguiremos a usar o humor, a paródia, a substituiçom simbólica e o surrealismo político frente ao pequeno-imperialismo espanhol. Aqui ou onde seja. Viva Galiza ceive, cruel e poderosa!

Uau! Sinto-me como a Kathryn Grayson em Anchors Aweigh! (Levando âncoras!) entre Gene Kelly e Frank Sinatra: Acabo de ser a primeira voluntária a preencrer a folha de recrutamento para um “stage” no submarino #Catalàalatac (classe U-1714) por 15 dias prorrogáveis..t. Nom podo descrever agora mesmo todos-too-hots os pensamentos que me venhem à cabeça do que pode acontecer na sala de máquinas, na sala de torpedos, na cantina, no comedor de oficiais, na ponte de comandamento... no despacho d-do capita-a-aaaah!! Ehehem! O que intento dizer é que, num estado de excitaçom similar ao meu, começou umha ofensiva subversivo-esmorgueira em Catalunya da mão dos Catlanders em joint-venture com a Plataforma per la Llengua que causará estupor no Império Pequeno. Por enquanto o palíndromo com o que o Màrius Serra iniciou a particular arenga em favor da imersom perante todas as autoridades na Diada do 11 de Setembro é antológico: “Català-alatac i Visca el submarinisme!” Surrealismo puro. Salvador Dalí nom o teria feito melhor!
Benquerido futuro tripulante/a,
The Catlanders (facebook.com/catlanders) iniciámos a campanha: IMMERSIÓ!
Animamos-vos a alistar-vos à tripulaçom do submarino #Catalaalatac. O comandante Dr. Cat, seu contramestre (p) Màrius Serra, oficiais Pere Gil e Juli Vert e toda a sua tripulaçom vos damos a bem-vinda a bordo.
Fechamos escotilhas, abaixo periscópio e IMMERSIÓ, IMMERSIÓ, IMMERSIÓ!
Cambio e fora!
Comandante Dr. Cat
U-boat 17-14 CatalaalatacSEGUIDE AS CARTAS DE NAVEGAÇOM:
- Hoje, Segunda-feira 12. 19h. Ante todas as câmaras municipais: Concentrações de apoio ao #Catalaalatac, o primeiro submarino capaz de plantar cara aos destruidores do Império Pequeno. Trazede escafandras, t-shirts às riscas azuis e brancas de marinheiro, neoprenos, pés de pato...
- No dia 26 de setembro, às 19h. alistade-vos pessoalmente ao submarino #Catalaalatac no escritório móvel que estará perantea a Universidade de Barcelona.
- Fazede reenvio do mail, retuit ou em código morse com a mensagem em chave seguinte:
O @mariusserra convida-nos a bord do submarino #catalaalatac. Marinheiros: periscópio abaixo, fechem escotilhas e IMMERSIÓ! http://t.co/943EpTw"
--http://twitter.com/catigat/status/113168374158213120- Difunde a imagem do submarino nos vossos avatares de Tw, Fb, email, etc.
- Estade atentos a futuras intruções da sala de comando. Preparade-vos para eventuais novos ataques ao catalám (com minas judiciais ou similar) e às consequentes respostas desde a sala de torpedos.
Quando cheguei à Catalunha vinculei-me logo ao movimento de libertaçom catalám. Naqueles círculos congeniei com o Francesc Titot Ribera, dos Brams. Umha das suas cançons, sempre de letra subversivo-esmorgueira, falava do trabalho de nós as jornalistas. A cançom ironizava sobre os artigos da imprensa onde se dizia que "uns desaprensivos a golpes de pança, costas e olho se atiram violentamente às porras duns pobres policiais que passavam por lá". Lembrei-me da letra da cançom ao ver que a imprensa futeboleira madrilena hoje trazia na capa um cartaz que mencionava "o golpe de olho que lhe deu o Tito Vilanova do Barça ao pobre dedo do inefável Mourinho do Madri que passava por lá no dia da tangana na final da Súper-Taça do Império Pequeno". Para fazer saber a verdade nom é suficiente que a imprensa culé a diga. Cumpre também que amigos americanos e de fora a espalhem. Isso é o que figeram os meus colegas e compatriotas do Hufftington Post. Dizê-lo alto e claro e fazendo umha segunda leitura do caso Mou, aplicável à nossa luita anticolonial. Os altifalantes do Col.lectiu Emma e hoje "Sei O Que Nos Figestes..." figérom o resto.

A Guerra Civil Espanhola do Futebol
Posted: 23 Aug 2011 07:21 AM PDT
(Publicado no Huffington Post, umha das webs de notícias e opiniom mais prestigiosas dos EUA)
A Guerra Civil Espanhola do Futebol, por Alan Black
Quando um homem que se considera justo se obsessiona com um poderoso inimigo, as chamas estám quase asseguradas. O treinador do Real Madrid, José Mourinho, que se descreve a si próprio como "the special one", está a atear fogo no futebol espanhol com perigosos fogos de artifício que alguns temem que podam botar chispas numha conflagraçom maior: na resseca esca daquela entidade fraturada chamada Espanha.
Nesta guerra civil espanhola do futebol, o insurreto Mourinho, que nem sequer é espanhol mas portugués, transformou-se no Generalissimo Madridista batalhando contra as rivais aspirações da Catalunha, insubmisssa província oriental da Espanha, simbolicamente estampada no espírito e instituiçom do FC Barcelona, a maior equipa de futebol do mundo, orgulho da naçom catalá. O jogo mais recente entre os clubes terminou em pancadaria, com jogadores e treinadores à bulha. Mourinho foi fotografado a atirar o seu dedo no olho dum assistente do Barcelona durante a 'melee'. A três jogadores fôrom-lhes mostrados cartões vermelhos. Após o jogo, Mourinho botou gasolina nas chamas por desprezar o Barcelona, um carro de fogo que ele tem conduzido desde que foi nomeado treinador do Real em 2010. A diplomacia semelha estar morta. A paz, impossível. Como se a ferida da história nunca tivesse curado, sete décadas depois de que o último tiro da Guerra Civil espanhola fosse disparado.
O treinador do Barcelona, Josep Guardiola, um alvo frequente do abuso de Mourinho, teme que a raiva simbólica da competiçom futebolística poda ultrapassar o estádio e pegar nas ruas. A volatilidade nom está só a ser vomitada desde o vento do futebol. A naçom está em crise: dívida externa enorme, desemprego massivo, as pessoas a empobrecerem-se e a enfrentarem sinistros pacotes de austeridade. Quando a agulha que mede a pressom do futebol atinja o ponto de explossom, será o aviso de que Espanha mesma pode romper?
Certamente em Catalunha, os movimentos para a autodeterminaçom fôrom medrando em anos recentes. O FC Barcelona é umha vara de foguete na rota para a autonomia de Espanha. No passado, o clube patrocinou programas para expandir o uso da língua catalá. Dos seus jogadores estrangeiros espera-se que conheçam a cultura local; os símbolos e a bandeira da naçom catalana som visíveis no Nou Camp, o estádio do clube. O conservador Madri e os nacionalistas espanhóis forom molestados. Com o Barça a dominar, o Real no campo, e os jogadores do Barça a serem o núcleo da equipa nacional espanhola (campeá do mundo), a Catalunha agora está a levar mais do que nunca as rédeas do destino de Espanha.
Muitos estarám a esperar que cabeças mais sábias prevaleçam nesta batalha polo domínio no futebol espanhol. O "special one" precisa de transformar-se no "cooler one"." Barcelona pode ter de procurar a paz pola sua própria mao, o que é duro para um clube que foi atacado e suprimido polas tropas fascistas do Generalíssimo Franco durante a Guerra Civil, e mais duro ainda quando o Real Madrid era ostensivelmente a equipa de Franco. A memória é longa em Espanha. E o ressentimento continua a ser cozinhado.
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