
No passado domingo, 8 de novembro de 2009, o Xornal de Galícia publicava na sua contra-capa umha notícia, intitulada Nove meses de “Bilingüismo Míster Marshall”, em que a jornalista Cris Moss (outro para ti, preciosa!) se fazia eco das denúncias recebidas por um toureiro e um guarda civil ridiculistas na sequência dos acontecimentos do 8-F.
Na foto de Tamara de la Fuente que ilustrava a notícia apareciam o picoleto, de frente, e um spaniard, de costas viradas, que eram erroneamente qualificados de “Contramanifestantes” no pé da imagem.
Nom duvidamos das boas intenções d@s noss@s amig@s do Xornal, como tampouco duvidamos das dos noss@s amig@s de GzVídeos que no próprio 8-F nos colocaram o rótulo (“Contramanifestaçom ridiculista”, 00:48-00:53) na vídeo-crônica de emergência que publicaram poucas horas depois de produzidos os fatos.
Mas visto que este é um erro que se repite com certa frequência (e no que até @s nossos super-amig@s caem), ainda que a nós nos pareça que está mais que explicado (em Bilingüismo, Mr. Marshall! (O Cartaz) e 'Macário' demissom!!!, por exemplo), se é necessário voltamos a explicá-lo umha vez mais.
Follow up:
“Contramanifestaçom ridiculista”, “contradictio in terminis”
“Contramanifestaçom ridiculista” é umha contradictio in terminis. As/Os ridiculistas nom se contra-manifestam. Nunca jamais. Manifestam-se super-a-favor (super-identificaçom). Sempre.
Bilingüismo Mr Marshall foi o título escolhido polo movimento ridiculista galego para, no fim-de-semana do 8 de fevereiro, celebrar seus respetivos atos de apoio (“inequívoco apoyo”) à convocatória de manifestaçom que, sob o lema Galicia es bilingüe. Quiero libertad para elegir, realizou em Compostela a associaçom viguesa Galicia Bilingüe: Recebimento Nacional a Gloria & Gabi no Centro Social O Pichel (sábado 7 à noite) e assistência com faixa própria à devandita manifestaçom (domingo 8 de manhã).
Nem polos objectivos nem polo modus operandi pode dizer-se que Bilingüismo Mr Marshall tivesse nada a ver com as diferentes contra-manifestações (ilegais) convocadas nesse mesmo dia, hora e lugar: a ameaçadora convocatória, sob o lema Que se vaiam....preparando!!, de Briga (“la misma palabra te lo está diciendo”) e a convocatória de Manifestaçom/ción Nacional Contra a Desapariçom/ción do Galego (The Phantom Menace).
À atençom de Galicia Bilingüe: as provocaçons pagam-se
NOM VAMOS A [sic] PERMITI-LO.
Assim de claro. Este ataque da direita fascista e neofascista aos nossos direitos legítimos como povo som inassumíveis pola esquerda revolucionária. A juventude nom pode ficar à margem desta tentativa da reacçom de tomar o NOSSO espaço, as NOSSAS ruas, para esigir a seu direito a destruír-nos. É umha provocaçom que aceitamos sem reservas.
O Domingo dia 8 de Fevereiro de 2009, na Alameda de Compostela, Galicia Bilingüe pode contar oficialmente com a nossa assistência.
Dacordo com que a convocatória dessa manif em plena campanha eleitoral foi umha "provocaçom" como umha Catedral. Mas, se se me permitir o símil taurino, acho que o que o último que havia que fazer era "entrar-lhes ao trapo" dessa maneira.
Direito de manifestaçom e direito de admissom
O objetivo do movimento ridiculista galego era participar, com faixa e lema próprios (Bilingüismo Mr Marshall) “y con todas las de la ley”, na manifestaçom convocada por Galicia Bilingüe. Nem na Constituiçom Espanhola de 1978 (que no seu artigo 21 reconhece o “direito de reuniom pacífica e sem armas”) nem na Lei Orgânica 9/1983, de 15 de julho, reguladora do Direito de Reuniom (parcialmente modificada polas Leis Orgânicas 4/1997, de 4 de agosto, e 9/1999, de 21 de abril) di por nengures que a organizaçom convocante poda reservar-se o "direito de admissom".
Por isso no 12 de fevereiro, quatro dias depois do dia de autos e com indissimulado desgosto, dizíamos o seguinte:
“as/os ridiculistas galegas/os fomos impedidos de participar na mesma (como era o nosso ardente desejo e o nosso direito constitucional) polas forças de ocupaçom (leia-se "emprego") ao mando do Sr. Manuel Ameijeiras, a.k.a. "Macário", Delegado do Governo pequeno-imperial na Galiza.”
E já é a segunda vez que nos passa. Porque na Corunha, no domingo 19 de outubro de 2008, @s ridiculistas (que éramos muitíssim@s menos d@s que havíamos de ser em Compostela, três meses e tal depois) também fomos impedid@s pola Polícia Nacional de participar na manifestaçom convocada desta volta pola Mesa por la Libertad Lingüística:
No 8-F, o chamamento do Movimento Ridiculista Galego (Tan Gallego Como el Gazpacho, Mesa Contra el Libertinaje Lingüístico, UpeyDeyros, As Mil Filh@s de Pita, Sei O Que Nos Figestes...) era a “secundar” a manifestaçom convocada por Galicia Bilingüe, nom a "boicotá-la". Nom chegaremos ao estremo de repetir aquilo, erroneamentente atribuido a Voltaire, de que “detesto as tuas ideias mas estou disposto a morrer polo teu direito a expressá-las" mas somos a favor da liberdade de expressom de todo o mundo e isso inclui os quatro gatos de Galicia Bilingüe (e mais os seus amiguinhos de A.V.T., C's, C.D.L., F.E.-J.O.N.S., P.P., U.C.E., UpyD, etc.) por muito que as suas ideias nos pareçam detestáveis.
Por isso, porque a nossa intençom era a de manifestar-nos COM (nom contra-manifestar-nos CONTRA) Galicia Bilingüe, nom nos colocamos FRENTE à faixa de cabeceira como outr@s figeram. Colocamo-nos ATRÁS dela, bastante atrás, ao fundo da Alameda. Somos animais de costumes é esse é o lugar que ocupamos habitualmente. Mas o habitual também (ao menos nas manifes às que costumamos a ir) é que a Alameda se encha de manifestantes e isso, nem de longe, aconteceu daquela. Visto que a massa manifestante nom acabava de ultrapassavar a estátua das Marias, a umha dada hora @s ridiculistas decidimos dar um passo à frente e ir juntar-nos com o resto. Nessa hora, como pode ver-se perfeitamente nos vídeos existentes, fomos interceptados de má maneira pola polícia.
Nas manifes nacionatas galegas em muitas ocasiões marça presença (sem que o convidem) um simpático bloco anarquista que pom, toda vez que aparece, a sua nota de cor (o preto combina com tudo mas o preto com o vermelho combina especialmente bem). Durante a interpretaçom do Hino Galego, ao final da manifestaçom, nalgumha ocasiom tenhem chegado a cantarolar a música da Rua Sésamo (programa infantil que, já agora, celebrou na passada terça-feira, 10 de novembro, o seu 40º aniversário). E nunca se passou nada!
E os fachas, se nom aparecem a tentar ridicularizar as manifes nacionatas, é porque nom querem, porque convidados estám. Como muito ameaçam num ou outro comentário com fazê-lo. Mas o seu elevado sentido do ridículo nom lho permite. Ainda que tampouco impede que, em todas as suas manifestações, resultem simplesmente ridículos:
Dice ser Gallego
miércoles, 14 de octubre de 2009, 21:00
"Esto es lo maximo, una manifestacion para defender el gallego, para pedir que todo sea en gallego y...... SI TODO ES EN GALLEGO.
Este es el mundo al reves. Menos mal que ya estan pagando los viajes gratis desde toda galicia con bocata para que eñ que no tenga nada que ahcer se acerque por alli a dar unas cuantas voces.
Seguro que no habra barricadas, seguro que no necesitaran escolta y seguro que no habra lanzamiento de objetos a los manifestantes ni contramanifestaciones burlescas con gente disfrazada bailando la muñeira pero.... bueno, asi es la demoscracia"
Esperemos que para a próxima convocatória de manif supremacista (se é que a há, porque agora estám no governo galego e nom tenhem necessidade) as forças e corpos de segurança do Estado respeitem o nosso direito constitucional a manifestar-nos "pacificamente e sem armas", sem mais armas que o nosso sentido do humor.
“Crueis e poderosas” mas “necessariamente incruentas”
No nosso manifesto fundacional / declaraçom de intenções (Manifesto Cruel e Poderoso) de Sei O Que Nos Figestes... declaravámo-nos continuadores da linha “subversivo-esmorgueira” marcada -entre outr@s- pola Via Anti-Colonial Activa (VA-CA), quem, por sua parte, nom tinha reparos em reconhecer (na sua Declaraçom de Outubro - Manifesto programático) estar “inspirada no pensamento luminoso do Dr. Cat (fundador da Lliga Anticolonial dos Països Catalans)”.
Fuzilando os Principis Axiomàtics Bàsics da Lliga Anticolonial (LA), a Via Anti-Colonial Activa (VA-CA) declarava nos seus Princípios Axiomáticos Básicos 3 e 4:
3. A Via Anti-Colonial Activa utiliza sempre nas suas acções como metodologia de combate a paródia e o humor como elemento subversivo de primeira ordem. Já existem outras organizaçons que utilizam outros meios ;-)
4. A Via Anti-Colonial Activa age dentro do mais escrupuloso respeito à legislaçom vigorante, nomeadamente respeitando a letra - o espírito é umha outra cousa - da lei. As acçons da VA-CA podem e devem ser terrivelmente ridiculistas, mas serám necessariamente incruentas. (...) a VA-CA nom lhe vai dar excusas ao Império Pequeno para entravar a acçom libertadora e humorística.
Como os “marcianos” da cançom (Já estám aqui, d'Os Ressentidos), as pessoas que fazemos possível SOQNF temos o “coraçom de vaca” (e a alma de alumínio), por isso terminávamos o nosso Manifesto Cruel e Poderoso dizendo:
“Utilizaremos as mesmas armas que os nossos colonizadores. E com isto nom estamos a referir aos anti-distúrbios, senom à retórica e a gramática da imprensa rosa e os programas do coraçom (...) Daí o nome da nossa plataforma: «Sei o que nos figestes... nos últimos 525 anos» (...) O humor, a paródia, a substituiçom simbólica e o surrealismo político serám o nosso castelo roqueiro frente ao pequeno-imperialismo espanhol.”
A praxe ridiculista de SOQNF é, portanto, escrupulosamente respeitosa com a letra da lei, pacífica e nom-violenta. As nossas ações som e serám "crueis e poderosas", sim, mas "necessariamente incruentas". Por isso, igual que figemos em 9 de fevereiro na concentraçom do Toural, hoje berramos, aliás, bruamos:


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