
O passado mês de agosto, com aleivosia e estivalidade, o consejero de instrución bilingüe Jesús Vazquez, e a consejera de políticas de austeridad Beatriz Mato perpetrárom a anunciada mudança de imagem das perigosas galescolas, sinistros estabelecimentos onde cativos apenas destetados sofriam a inoculaçom dumha abjecta ideologia denominada língua galega, mediante a qual alcançavam a imediata capacidade de fabricar bombas-lapa, mas a risco de sofrerem graves lesons cerebrais que impediriam a esses mesmos rapazes assimilarem a matemática, as ciências naturais e a religiom, úteis saberes que os nenos españoles dominam perfeitamente.
O nome de "Galescolas", certamente evocador, e a sua casinha "blissymbol" com bandeira galega, será substituído (mediante umha austera medida que custará 22.000 euros só em cartazes), polo inócuo, simpático e divertido nome de "A Galiña Azul". A razom que leva a identificar um infantário con esta aprazível ave da familia dos faisánidos tingida dessa insólita cor é algo que nom se pode explicar cabalmente. É surrealismo puro, e como tal devemos apreciá-lo. Quiçá iniciem umha tendência a baptizarem os centros de ensino com outros nomes igualmente absurdos, como "o osso libidinoso" ou "a sardinha esparrada". Talvez "Os nhus do Serengheti" seja o próximo nome dos centros da ESO.
Há quem pensa que o novo nome tem a ver com um livro de contos escrito polo finado do Carlos Casares, Deus o tenha sentado a carom do seu silhom (também) azul. De facto, a conselheira Mato afirma que "pagará" à família Casares pola sua "capacidade criativa" (sic!). Mas deve haver um erro: Carlos Casares publicou "A Galiña Azul" em 1968, como um conto dirigido a umha nena chamada Ana que deixara a súa Galiza natal para ir viver com seus pais a Santander. No conto em galego ("a túa lingua" di Casares à nena) saía umha galinha azul, que punha ovos de cores. A pobre da pita sofria as iras do alcaide, que a quería levar presa por cacarejar "cocorocô" em vez de "cacaracá", até que os seus paisanos decidírom pintar todas as galinhas de azul para confundirem deste jeito as forças da ordem e evitar o assédio policial. Os alcaides do ano 1968 eram-vos assim, que nom deixavam nem cacarejar na língua própria. Algum haverá mesmo que ainda exerce desde aquela época. E decerto que som do mesmo partido que os conselheiros.
Por isso nom cremos que exista relaçom entre o conto de Casares e os conselheiros surrealistas. Era um conto escrito para estimular o amor pola língua galega, assim que ou bem nom o lêrom, (o qual non é grave, pois os dous conselheiros nom parecen adeptos à literatura infantil) ou bem nom o entenderon (ora por estar en galego, ora por non serem quem de entenderem un livro para nenos). Ainda que a mesma viúva de Casares estivesse presente no acto, lembrando sem rubor que nesse livro está "todo o pensamento do seu autor". Que todo o pensamento dum escritor poida condensar-se num livro infantil é um elogio ao alcance de mui poucos.
"A galiña azul" pretende, em palavras do conselheiro, "formar a ciudadanos librepensadores, portadores de derechos universales y actores protagonistas de la libertad que debe caracterizar una democracia sólida como la nuestra". Crianças de três anos convertidas em cidadaos livre-pensadoras? Actores protagonistas dumha democracia sólida? A pedagogia destes renovados centros deve ser pa flipar! Como o vam conseguir? Pois segundo a conselheira, era "imprescindible" umha mudança de imagem da rede de escolas infantis, "alejada de la confrontación y del debate ideológico". Umha escola sorridente com umha bandeira galega, como a que tenhem na porta todas as escolas do país, é para ela umha imagem perniciosa. Segundo ela, a educaçom infantil deve ser um "espacio libre de instrumentalización y del adoctrinamiento político (...) y que no les adjudique a los niños una identidad preestablecida". Admitirám nenos baptizados pola Igreja?. A nova imagem pretende ser "amable" e "identificativa" das primeiras etapas formativas (sic), "en libertad, en igualdad, en diversidad, en solidaridad, en tolerancia..." A muita gente que nom leu Casares as galinhas azuis lembram-nos outras cousas. Surrealismo puro.
Nom lera esse conto, admito-o, obrigada pela informaçom. Ja nom sorprende os absurdos em materia de política lingüistica no que os "actores da democracia" se regodeam nos ultimos anos, ...
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