
Nom houvo homens da luta na final de eurovisom, mas eu, como eurofriqui aborrecido em noite de sábado, dispugem-me a mirar o festival como cada ano. Nom tem nada vergonhento, é un bom espetáculo de música ligeira, bailes e luzerio. Eurovisom é como mirar o Luar, mas ao grande, e com cantantes mais novos e mais guapos. E com sorte, ao contrário que no Luar, só tens que aturar umha folklórica andaluza entre o elenco de participantes.
Ademais, Eurovisom vem ser como um barómetro de moitas cousas. Antano era o único momento do ano onde alguem saia na televisom ensinando o seu búlgaro (que é un idioma). Cadaquem cantava no seu, e um podia apreciar as diferentes musicalidades do sueco, do albanês ou do turco, sons exóticos que envolviam cada verso cantado numha aura misteriosa. Isto acabou-se: agora tododiolo canta em inglês. Dos 43 participantes este ano só nove cantarom noutra cousa completamente diferente, e outros cinco mesturarom estrofes na sua língua com outras em inglês, num alarde de bilinguismo cordial. Eurovisom mostra cada ano o implacável que é o avance dumha língua dominante, perante o pasmo do apresentador de RTVE, José María Íñigo, quen nom dissimulou o seu escândalo por esse sacrifício das culturas próprias ao deus da globalizaçom. Mesmo na hora das pontuações, onde antes ressoava o inglês à par do francês, o “Iunaitidquindom chupoins, Guaiominí dupuá” ficou só na metade disso. Mesmo assim houvo lugar para as surpresas: No meio dum pélago anglófono surgiu a França, o Estado mais centralista da Europa, para cantar umha fermosa cantiga de amor em… corso!. Nisso, os franceses dam lições, mandar umha cançom numha língua que nem sequer reconhecem como oficial. Umha vez em Espanha, um cantante quijo cantar “la la la” em català e digerom-lhe que nom, nom fora ser que “la la la” nom se entendesse. Também em Espanha há línguas que se sacrificam a um deus globalizador, e nom som permitidos ruidos nem escândalos.
Ademais do avance imparável da diglossia mundial, a outra cousa que mede o barómetro eurovisivo som as simpatias internacionais. Como parte das votações a decide o público via onerosas chamadas telefónicas, cada país vota nom só na cançom que lhe parece melhor, senom no país que lhe cai bem, e com frequência, estas simpatias vam dirigidas a algum vizinho imediato. Isto coloca a alguns países em manifesta desvantagem, como é o caso de Portugal, que en 45 participações, nom ganhou jamais. Umha explicaçom a este feito anormal radica em que só tem um vizinho, e ademais tacanho (pois as suas generosas pontuações à Espanha nunca som devidamente correspondidas). Porém, outros paises conformam comunidades mais ou menos amplas de vizinhos bem relacionados, que se intercambiam votos opulentamente: os paises escandinavos, ou Chipre-Grécia, e mais recentemente, os paises da ex-Iugoslávia, ou os da ex-Uniom Soviética. Isto volta a escandalizar o apresentador José María Íñigo e umha boa parte da audiência espanhola, que observa impotente o como a Bielorrússia e a Ucrânia engordam o saco das suas simpatias comuns, mentres que Espanha apenas conta com os teimosos 12 pontos portugueses. Neste mal-estar há umha evidência nunca reconhecida ou expressada em voz alta: o mito da simpatia dos espanhois, o bem que caen polo mundo adiante, a sua ledícia e caráter festeiro que som inveja do universo som iso. Um mito.
Espanha apresenta-se cada ano ao festival auto-proclamada como favorita, e bate cada ano contra um muro de indiferença do tamanho dos Pireneus. Pode-se ganhar um mundial de futebol metendo mais golos, mas é difícil competir numha eurotaça de simpatias cruzadas onde nom se é dono da bola. Nós, como bons vizinhos dos espanhóis, queremos ajudá-los a superar esta frustraçom. Asim que, à margem da qualidade das canções (isso que fai que o Azerbaijám, um país ao que a maioria dos europeus nom saberia situar no mapa, ganhe o festival), sigam este conselho:
Deixen bascos, catalans e galegos ceivos. Deixarám de ser un incórdio com a sua molesta pertinácia em falar algo diferente à lengua común, e vocês poderám seguir ao seu. Desta maneira, cada um poderá apresentar as suas próprias canções na fala de cada quem. Nom fai falta cantar em inglês; pode-se cantar em corso e ficar bastante melhor do que Espanha. Balcanizádevos. E depois, na hora das votações, saberemos corresponder a boa vizinhança cum quinhoncinho de pontos: Spain tuelf poins, lespanhe duspuá, zankiu Compostela!. Tal e qual fam os sérbios com os bósnio-herzegóvinos e os romaneses com os moldavos. Faremos-vos campeões, ainda que obriguedes a umha galega a cantar em espanhol cumha péssima sintaxe e pronunciando mal os particípios. E que vos quiten o bailao!
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