
«Por umha dessas piruetas judiciais que se dam no Estado espanhol, desgraçadamente a propriedade desta igreja voltou outra vez ao Arcebispado de Santiago», dizia Paco Rodríguez em 24 de julho de 2008 no decurso da tradicional Homenagem a Castelao e Rosalia. «Espero que esta igreja poda continuar a ter a funçom de Panteom de Galegos Ilustres, sem limitações e interferências da Igreja Católica.»
Dous anos atrás a Justiça Pequeno-Imperial devolvia à Igreja Católica a secularizada igreja do convento Sam Domingos de Bonaval, em cuja capela lateral-esquerda se encontra o Panteom de Galegos Ilustres. E apesar da esperança manifestada por Paco naquele dia, véspera da Pátria Galega, esta acaba de fechar igreja e panteom a sete chaves (umha por cada um dos seus seis ilustres inquilinos -Rosalia, Alfredo Brañas, Asorey, Cabanillas, Castelao e Domingo Fontán- e mais umha polo que esperemos seja o próximo, o Marechal Pardo de Cela).
Pola primeira vez nos seus 125 anos de história (40 deles sob umha ditadura, a do general Franco, que nom impediu que Francisco Asorey, em 1961, e Ramón Cabanillas, em 1967, Escultor e Poeta da Raça, respetivamente, fossem enterrados alí) o nosso Panteom Nacional é clausurado indefinidamente e deixa de ser visitável (até agora, estivesse ou nom aberta a gradeada porta de fora, era acessível desde o claustro do convento de Sam Domingos de Bonaval, sede do Museu do Povo Galego por enquanto). Igreja Católica, Junta de Galiza e Concelho de Santiago negociam a sua reabertura ao público (efeito de som - caixa registradora).
A Igreja Católica soma assim umha nova aldraje ao Povo Galego. Soma e segue. E a lista de agravos já é bem longa. Como há cinco anos e meio dizia a Via Anti-Colonial Activa (VA-CA) na sua Mensagem ubre et orbe ao povo ga-laico:
“A história da Igreja Católica, Apostólica e Romana (ICAR) na Galiza traça linhas paralelas ao processo de colonizaçom política e psicológica do nosso país. De facto, os cregos começaram bastante antes que os espanhóis, concretamente no século VI d.C., quando enviaram aquele integrista panónio chamado Martinho de Dúmio a tocar-nos os Suevos [...] A partir do século XVI, uma vez iniciado o processo colonial que na própria altura foi chamado de “doma y castración del Reino de Galicia”, a religiom oficial -igual que a língua- sempre foi companheira do Império Pequeno. As hierarquias galegas foram substituídas por nobres e clérigos castelhanos [...]. Aliás, a ICAR converteu-se num poderoso elemento de assimilaçom colonial, sendo a estrutura de poder mais visível num país onde as instituições civís do Estado tinham uma presença ainda discreta. Ao contrário doutros países da Europa ocidental com situações sócio-lingüísticas semelhantes à nossa (Bretanha, País Basco, Catalunha), a ICAR tentou desterrar o uso da nossa língua da prática dos sacramentos e pregárias. Ademais, até a desamortizaçom a Igreja era dona da metade das terras na Galiza [...].”
Igual que fazia a VA-CA de Sei O Que Nos Figestes... Nos Últimos 525 Anos também promovemos “a deserçom maciça do pessoal das fileiras do catolicismo zómbico e opiáceo”. Sobrar sobram motivos. Este é mais um apenas. Assim que já sabedes, amiguinh@s, TODO DIOS A APOSTATAR! Que nom fique nem Cristo!
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