"Às nove, a cidade já tem um aspecto de jornada dominical insólita. Dorita, a dependenta da corsetaria do Perguntoiro, comenta com a vizinha da farmácia:
- Tenho entendido que chegárom quatro autocarros repletos de homens.
- Algo sentim, sim... Fortes, musculosos.
Comerciantes, estilistas, mancebos de farmácia, camareiros e empregados de banca vam-se concentrando nas praças como aguardando consignas.
- Um piquete! -, advirte alguém. Vinte trabalhadores da Astano vam-se achegando ao som das consignas:
- Felipe, Fraga, a mesma trapalhada!"
O saudoso Chichi Campos escrevia este apaixonante relato de greve geral no ANT n.º 251, do 19 de julho de 1984. Amanhá, quase vinte e cinco anos mais tarde, voltam à capital galega os companheiros do Metal. Nesta ocasiom venhem a pé, que para isso estamos em vésperas de Ano Santo. Estas som as suas instruçons para a marcha:
Imprescindível camaradagem e companheirismo. Mochila pequena, nom leves cousas penduradas. Saco-cama. Esteira. Colete reflectante. Protecçom solar. Roupa cómoda. Peúgas finas e grossas. Calçado cómodo para caminhar. Roupa e calçado de reposto. Chuvasqueiro. Frasqueira de asseio pessoal e toalha. Os que tenhais medicaçom, lembrai-vos dela. Chocolate, frutos secos e bolachas. Nom esqueçais o bom humor.
Como di o amigo Xavier Vence, "os trabalhadores do Metal estám a forçar, pola via dos factos, o levantamento dum novo modelo onde as finanças nom extorquem as empresas industriais e estas nom extorquem os seus trabalhadores". Muitas Doritas (e algum que outro Dorito) estarám com eles em Compostela.
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