Num dia igual a hoje, 2 de março, cento e cinquenta e cinco anos atrás, celebrava-se no na altura concelho independente de Conjo (hoje paróquia pertencente ao concelho de Santiago de Compostela) um banquete de confraternizaçom entre estudantes e operários (artesans) que passaria à posteridade como Banquete (Democrático) de Conjo (B.D.C.).
Também num dia igual a hoje, cinco anos atrás, um fato de aguerrid@s galeg@s regressaram ao lugar dos feitos para, respondendo o bruido da tristemente desaparecida VA-CA, comemorarem (e bebemorarem) o 150º aniversário de tam gorentoso acontecimento.
Com a inestimável ajuda da Wayback Machine de Internet Archive, de Sei O Que Nos Figestes... resgatamos as duas crônicas (escrita e em imagens) que do B.D.C. 2006 foram publicadas (em 4 e em 11-12 de março, respetivamente) na secçom das VA-CA NEWS do também desaparecido site da VA-CA. E voltamos a publicá-las hoje, 2 de março de 2011, no nosso site, em comemoraçom do 155º aniversário do Banquete Democrático de Conjo.
As comemorações (e bebemorações) podem ficar por aqui... ou nom. Repetimos? ![]()
VA-CA NEWS
Crônica do B.D.C. 2006
Sábado, 4 de março de 2006Ante-ontem, quinta-feira, comemorava-se o 150º aniversário do Banquete Democrático de Conxo, umha comedela que no 2 de Março de 1856 reuniu na hoje desaparecida Carvalheira de Conxo umha nutrida representaçom de artesaos e estudantes da cidade compostelana num dos actos que, segundo Castelao, “maior recordo deixarom em Galiza” (SEG, Livro IV, Cap. VI).
Para comemorar (e bebemorar) tam importante efeméride a VA-CA, junto com outras organizações amigas (Aduaneiros Sem Fronteiras, Arredemo, Arrenego, Burla Negra, CA-CA, FREAC...), convocou o Botelhom Democrático de Conxo (B.D.C.).
Mas “A Nossa História” é teimuda e quijo que o 150º aniversário do Banquete de Conxo fosse comemorado em Conxo, é claro, mas cum outro Banquete e nom cum simples Botelhom. A História repete-se obstinadamente.
O tempo(ral) obrigou-nos a umha mudança de planos de última hora. Desde o desaprazível exterior do Centro Sócio-Cultural de Conxo (meeting point) deslocamo-nos ao confortável interior da Pulperia-Churrasqueria Fuentes (sita bem em frente, ao outro lado da Praça de Aurélio Aguirre) trocando “cachis” de plástico por “cuncas” de cerâmica, “litros” e “litronas” por “jarros” de vinho do Ribeiro com gasosa “Espiña” e “Cheetos” e “Onduladas Matutano” por “boas e generosas” doses de polvo à feira e churrasco misto de vitela e porco com autênticas batatas fritas (nom em vao “Fuentes” som “travessas” em galego cerrado).
Talvez nos aburguesaramo-nos um pouco, é possível, mas nom tanto quanto os “operários e estudantes” que ao meio-dia assistiram no luxuoso Hotel “Puerta del Camino” (P.D.C.) ao “jantar” comemorativo patrocinado por “ñaca, ñaca, la CIGala”.
Arredor dumha mesa em forma de “T” (em cuja cabeceira deixamos quatro lugares vazios reservados para Eduardo, Rosália, Aurélio e Manuel), catorze comensais: Nove homens (64,29%) e cinco mulheres (35,71%) representantes do mundinho blogueiro, faranduleiro, subversivo-esmorgueiro, retranqueiro e anti-colonial. Entre elas e eles algum veterano de anteriores Banquetes de Conxo (nom de Osborne).
Na hora do café (de “pota”, com “gotas”) e dos “chupitos” (de licor café), “pleno ao quinze” com a apariçom do radialista aborigem T. Lijó, recém chegado d*s Antípod*s.
O Professor Luís Gonçales Blasco “Foz”, vaca sagrada, guru da VA-CA e autor dumha extraordinária série de três artigos em Vieiros.com sobre o Banquete de Conjo e as suas sequelas, deLEITou-nos a tod*s com a sua enorme erudicçom e o seu ainda maior sentido do humor.
Embora nom o figesse ao jeito oitocentista, como exigia o dress-code, cumpre dizer que o Professor “Foz” foi o único em acudir disfarçado ao encontro. Fijo-o, segundo as suas próprias palavras, de “turista alemao”.
Visto que ele esquecera os óculos de ler, “Foz” “mandou-nos” ler a nós os brindes que Carlos Abraira (estudante de Medicina, como Pondal), Henrique Pampillón (estudante de Direito, como Aguirre) e Xosé Neira Vilas pronunciaram no banquete celebrado em Buenos Aires em 1956 com motivo do centenário do Banquete de Conjo.
Um “canutilho” ía passando de mao em mao e nós (ponhendo-nos em pé, que sempre resulta mais “baril”) íamos recitando o estrofe que nos tocava. Memorável!
Nom foram lidos nesta ocasiom os brindes poéticos de Aguirre e Pondal, “nom por estarem escritos na língua do Império Pequeno –como o “Foz” se encarregou de explicar- senom por serem muito longos”.
Após pagar cada um e cada umha a sua quota-parte (Scottex) e interpretar com a música do Hino da extinta Uniom Soviética o Hino de Alfredo Branhas (“Das costas bravas Do Finisterre / Hasta as douradas Beiras do Sil / Rugem os berros De guerra e morte...”) encerrou-se a sessom.
No ânimo de todas e todos comemorar (e bebemorar) como é devido o 160º aniversário da Revoluçom Galega de 1846 o mês que vem (Vid. Mentireiro Verdadeiro Vaqueiro para o ano 2006).
NOTA: Existem fotos e vídeos do Banquete Democrático de Conxo 2006, assim que sejam revelad@s procederemos à sua publicaçom.
Este artigo foi colocado pelo Comité Homologador Central em Sábado, 4 de março de 2006 em 13:12. na categoria VA-CA news. Podes deixar comentário, ou trackback do teu próprio blog.
VA-CA NEWS
B.D.C. 2006 (fotos & vídeos)
Sábado, 11 de março de 2006Exactamente umha semana depois de publicarmos a crônica escrita, publicamos hoje os vídeos do B.D.C., comedela celebrada em Conjo em 2 de Março de 2006 em comemoraçom (e bebemoraçom) do 150º Aniversário do Banquete Democrático de Conjo.
Um dia destes, amanhã se calhar, publicaremos os daguerrotipos do evento, que também os há.
O Professor Luís Gonçáles Blasco "Foz" imparte umha liçom magistral no Banquete Democrático de Conjo 2006.
Baixa-o aqui: videofoz.wmv (1,87 MB, 1'17'')
Após dar-se o grande banquete, as e os participantes no B.D.C. 2006 pronunciam os brindes poéticos.
Baixa-o aqui: brindes.wmv (2,81 MB, 1'48'')
:· Actualizado DOM, 12-MAR-06Ontem dizíamos que hoje, se calhasse, publicaríamos os daguerrotipos do Banquete Democrático de Conjo 2006. Meu dito, meu feito, ei-los:
Igual que em 1856, o grémio dos tipógrafos também marcou presença no Banquete Democrático de Conjo 2006.
Rosália, Eduardo, Aurélio e Manuel (falades galego, fazedes mui bem).
Fotos de família.
Ensimesmad@s com a LEITura para si mesm@s.
A última (a mais recente, nom a derradeira) liçom do mestre.
Brindes poéticos (o princípio, o Meixi e o fim).
Brindes "a secas".
Note(book)crossing. Onde Day (Thursday, 2nd March, 2006) In Europe. Tod@s @s participantes no B.D.C. 2006 autografaram umha das notas de dez euros com as que (cada um/umha a sua quota-parte, a Scottex) pagaram a conta, chave de ouro com a que fecharam um banquete "nota dez".
Enviado por Comité Homologador Central no VA-CA news em 19:05 | Que dim os ruminantes? (18) | Trackbacks (0)
Hoje, 21 de fevereiro de 2010, completam-se 45 anos da morte de Malcolm X, negro coma ti. Na sua lembrança, recuperamos dos arquivos da Via Anti-Colonial Activa (VA-CA) este histórico documento (com texto do Subcomediante H e imagem do Subcomediante Z), publicado há agora cinco anos. Viva o orgulho afro-galego!

Malcolm X é o melhor exemplo de um sentimento ainda vivo nos EUA: o nacionalismo negro e o orgulho de ser afro-americano. O 21 de Fevereiro de 1965 morreu assassinado durante um comício celebrado num salom de baile de Harlem (New York). Nom o matou o homem branco. Foram alguns dos seus irmaos pretos que nom entenderam, nom, o sentido da sua luita. Órfao de pai por causa das acções assassinas do Ku Klux Klan, Malcolm foi enviado com uma família adoptiva e mais tarde a um reformatório. Envolvido en diversas actividade criminosas, em 1946 foi condenado por roubo e recluso num cárcere. Lá começou a interessar-se pola doutrina de Elijah Muhammad, líder dos muslimes (muçulmanos negros). Malcolm dedicou o seu tempo na prisom a estudar. Quando foi libertado, em 1952, começou a sua luita em prol de uma república negra independente nos EUA, agora sob o nome de Malcolm X, substituindo simbolicamente o seu apelido, derivado da herança da escravatura, por um X que representava o nome desconhecido dos seus ancestrais africanos. As suas diferenças com o Elijah Muhammad obrigam-no a sair da organizaçom e fundar uma nova, agora de carácter laico, a Organizaçom da Unidade Afro-Americana. As más relações com o establishment converteram-no em alvo das balas. Começou a ser molesto para os seus supostos irmaos e isso custou-lhe a vida.
O nacionalismo galego sempre simpatizou com a causa dos negros. Negros e galegos, chegados à América em idénticos “negreiros vapores”, unidos pola sua condiçom de expatriados, mao de obra barata (ou gratuita) ao serviço de interesses alheios, igualados pola mesma escravatura:
«Castelhanos de Castilha, / Tratade bem os galegos: / Quando vam, vam como rosas; / Quando vem, vem como negros».
Escrevia indignada Rosalia de Castro em 1863, um século antes de que Bob Dylan descrevesse o sentimento de todos os desterrados:
«How does it feel like a complete unknown, like a rolling stone»
Negras e galegos, galegos e negras, memórias de um negro galego que deambula pola avenida Arcádio Pardinhas de Burela como um Panchito pós-moderno. É curioso que os nossos primeiros nacionalistas, os das Irmandades da Fala, apelassem ao vínculo fraterno: «Vede, irmaos galegos, o nosso programa», dizia o Manifesto da Assembleia Nacionalista de Lugo de 1918. Talmente como o movimento negro, que popularizou os termos «brother» e «sister» como apelativo universal entre negros e negras nos EUA.
Um dos participantes naquela Assembleia luguesa foi o humorista anti-colonial Afonso Daniel Rodríguez Castelao (aka «irmao Daniel»), inspirador da nossa organizaçom e grande amigo da naçom negra. Som conhecidas as suas Estampas de Negros, realizadas no exílio de New York e que foram publicadas, entre outros desenhos anti-fascistas, no semanário de esquerda Daily Worker. A impresionante actividade propagandística de Castelao nos EUA incluiu uma entrevista em Hollywood com a actriz Joan Crawford (dirigente da ajuda à República espanhola) ou um incrível encontro com trabalhadores galegos nas galerias das minas da Louisiana. Mas o que mais orgulho nos produz é que antes do final da guerra civil, o nosso heroi foi nomeado presidente honorífico da Federaçom Internacional de Sociedades Negras de New York. Para além de «irmao Daniel», Castelao era um brother, um man in black. Negro como um chamiço.
«Galiza somos nós, a gente e mais a fala: se buscas a Galiza, em ti tens que atopá-la», explicava o poeta Manuel Maria. Os galegos somos de todas as cores, formas e sabores possíveis. Galegos como o gaiteiro Abdul Solveira do programa Sítio distinto, que Antón Reixa dirigiu na TVG a princípios da década de 90. Ou como Antonio Machín, cantor de boleros, nascido em Cuba filho de uma negra e um galego: «No hay una iglesia de rumbo, / no hay una iglesia de pueblo, / donde hayan dejado entrar / al cuadro angelitos negros».
Negros e negras que falam galego cerrado em Lisboa, na Bahia ou em Maputo. Tam longe e tam pretos! Afro-galegos como o Doutor Karamba, catedrático de Parapsicologia da Universidade de Maputo e assessor científico da VA-CA. Galegas que estamos negras após o desastre do Prestige, que tingiu para sempre de negro a nossa bandeira. Todas e todos estamos chamados a celebrar este 21 de Fevereiro o Dia da Galiza Negra. Justo ao dia seguinte do referendo da Constituiçom europeia. Porque, polo sim ou polo nom, nunca mais devemos esquecer o que somos: CLARAMENTE NEGROS.

“Desde los Reyes Católicos han comenzado los castellanos a cargarse pueblos, cuando el gallego no hay quien se lo cargue... ‘”¿Usted de dónde es?”, decían los castellanos, “Yo gallego...”. Y ¡zas! se lo cargaban”.
[Andrés do Barro, em Mundo Joven, 20 de Novembro de 1971. Via A Regueifa].
Em 22 de Dezembro de 1989 a Andrés do Barro tocava-lhe o gordo da Lotaria do Natal. Num dia igual ao de hoje, 20 anos atrás, deixava-nos Andrés do Barro.
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