
Recentemente, o presidente da Real Academia Galega, Xosé Luís Méndez Ferrín, concedeu umha alargada entrevista para a revista Tempos Novos. A transcriçom da conversa oferece-nos um Méndez Ferrín em estado puro, um completo retrato do carácter e pensamento ferrinianos. Tanto, que a análise dará-nos para várias entregas. Eis a primeira.
Para começar The X(osé)L(uís) Files, centraremo-nos numha das declarações mais impactantes chegou quando foi perguntado acerca da sua opiniom sobre o reintegracionismo, o presidente da RAG respondeu:
O mesmo que con Galicia Bilingüe. É xente que está en contra do idioma. Que fagan o que queiran. Teñen a rúa, os foros sociais, os medios de comunicación, os sindicatos. Que vaian predicar á porta de Citroën.
Ainda que me doia, desde o carinho e o respeito devo corrigir o bom de Dom Xosé Luís, pois cuido que essa comparaçom é bastante ousada... porque cuido que entre as pessoas reintegracionistas e as pessoas que alinham com as teses de GB deve haver, polo geral, poucas coincidências. E mesmo que as houver, se com isso se pudesse estabelecer umha relaçom de concordâncias, há outras instituições teoricamente nacionais que também poderiam sair mal paradas.
Pensemos, por exemplo, na hipotética diferença entre as reacções da presidenta de GB, Gloria Lago, e o secretário do Conselho da Cultura Galega, Henrique Monteagudo, ante a última versom conhecida do decreto galegófobo da Junta:
- Gloria: «Esto ya pinta bastante mejor»
- Henrique: «é menos insatisfatório»
Passem e julguem! ![]()
De outra parte, fiquei também surpresa com a frase destacada na manchete da entrevista: «Os inimigos do galego apresúranse a evitar que a lingua sexa útil». Ignorando ao que se podia referir Dom Xosé Luís, procedim a ler tanto a pergunta do entrevistador como a resposta na íntegra. Por razões de espaço vou resumir um bocadinho:
- [...] Como se conseguen escenarios de uso [da língua] para poñer en práctica a competencia adquirida?
Facendo a lingua necesaria. [...]- E aquí como se fai útil?
Facéndoo útil na nosa casa. Que para ser funcionario ou facer unha oposición haxa que saber galego [...]. Hai empresas [...] que demostran como pode ser útil [...]. Por iso os inimigos do galego se apresuran a evitar que sexa útil. Cómpre pensar que a defensa do galego non se lle pode deixar ao dominio público, á Xunta ou ao Estado. Aquí hai unha loita, e unha guerra, na que nós imos desaprecer ou sobrevivir. Así que, conciencia e orgullo nacional. Se iso non se consegue, é un suicidio colectivo.
Desta fecunda resposta tiro como liçom principal o seguinte: que para evitar a desapariçom do galego, cumpre fazer necessária a língua, lograr que seja útil. E aqui introduzo umha questomzinha: o que será mais útil, um galego extenso ('reintegrado') ou um galego reduzido ('isolado')?
Para Dom Xosé Luís, à vista do mencionado uns parágrafos mais acima, imaginamos que a versom reduzida, talvez por aquilo da «consciência e orgulho nacional». Para orgulho, o dos habitantes do monte Medúlio, que optaram pola morte antes que se renderem aos romanos. Talvez o primeiro suicídio colectivo documentado na Gallaecia?
Mas nom fagamos atençom a umha profana como eu. Deixemos que falem os mestres:
«O galego é um idioma extenso e útil, porque -com pequenas variantes- fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas.»
(Castelão. Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º, pág. 41-42)
Acaso a RAG pretende fazer do galego todo o contrário que Castelão propugnava? Será, talvez, que a mesmíssima Academia é um desses inimigos do galego? Seja como for, isto parece umha luita de titãs. Ferrín contra Castelao, Castelao contra Ferrín. Quem pode sair vitorioso??
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